Ennio
Isto não tem qualquer Blasfémia. Se todos foram tocados por Deus, alguns conseguiram fazer-nos sentir esse toque, como que se Deus nos tocasse mais uma vez através da sua criatividade. O maestro Morricone passou a vida toda a misturar 12 notas, só 12, e a mostrar-nos, quase invariavelmente, que o mundo muda sempre que nos esforçamos para simplesmente usarmos do dom da humanidade para deixar obra. Para estas pessoas é impossível haver morte. Há um afastamento físico que enoitece os familiares e amigos, mas para os outros há um perpétuo amanhecer com uma riqueza incalculável.
O negócio das ONG
«Médicos italianos testam 180 refugiados em embarcação no Mediterrâneo» – SÃO REFUGIADOS DE QUE CONFLITO OU CALAMIDADE?
«O barco encontra-se, atualmente, em águas internacionais perto da Sicília (sul de Itália) e a ‘SOS Mediterranée’ reportou, nos últimos dias, que a situação a bordo era tensa. Uma equipa de médicos italianos realizou este domingo testes à Covid-19 aos 180 migrantes que aguardam autorização de desembarque na União Europeia, a bordo de uma embarcação no Mediterrâneo, revelou a organização não-governamental (ONG) ‘SOS Mediterranée’. A ONG responsável pela ‘Ocean Viking’ disse, através das redes sociais, que não tem notícias oficiais sobre a possibilidade de transferir os refugiados para outra embarcação, onde passariam duas semanas em quarentena, ou sobre uma eventual autorização para desembarcar nas próximas horas. » PORTANTO AS 180 PESSOAS ORA SÃO REFUGIADOS ORA MIGRANTES E A ONG ‘SOS Mediterranée’ TEM UM BARCO, O Ocean Viking’, QUE SE DEDICA A TRAZER PESSOAS DO NORTE DE ÁFRICA PARA A EUROPA. É ISTO?
«“As autoridades italianas estão a levar a cabo testes de zaragatoa ao coronavírus aos 180 migrantes a bordo da Ocean Viking. Não recebemos nenhumas instruções. Sem confirmação, não podemos dar soluções aos resgatados. A incerteza continua e isso significa que as tensões a bordo também”, escreveu a ONG. O barco encontra-se, atualmente, em águas internacionais perto da Sicília (sul de Itália) e a ‘SOS Mediterranée’ reportou, nos últimos dias, que a situação a bordo era tensa, com tentativas de suicídio por parte dos migrantes, lutas e ameaças de violência física à tripulação» SE BEM SE PERCEBE OS RESGATADOS/MIGRANTES/REFUGIADOS SENTEM-SE ENGANADOS. MAS A RESPONSABILIDADE É OBVIAMENTE DE QUEM OS FOI BUSCAR.
deixem as pessoas em paz!
Eis a nova esquizofrenia do governo socialista de António Costa: chumbar, na inspecção automóvel, os veículos que não se apresentem «em perfeito estado de limpeza». Parece uma medida saída do higienismo de Adolf Hitler. Um destes dias, todos teremos de obedecer a um código de comportamento físico e moral imposto pelo estado. Nesse caminho já vai, aliás, esta ideia censória de perseguir o «discurso de ódio» (seja lá o que for isso) nas redes sociais. O governo de Costa ignora aquela velha frase atribuída (pela sua biógrafa) a Voltaire, de que «poderei discordar de tudo quanto dizes, mas bater-me-ei até à morte para que o possas dizer». Estes sujeitos são um perigo para a liberdade.
Seja lamechas, mande flores e corações
Eu tenho pensado muito, normalmente mais do que o que seria saudável, acerca do papel das redes sociais nas propagandas dos partidos e dos inúmeros opinadores mais afectos a partidos e outros mais independentes. Durante algum tempo andei convencido que havia discussões, como em troca de argumentos, mas não existe nada disso, só a ilusão de que existe.
Hoje, tenho a visão mais benigna das redes de sempre. Implica disciplina e nem sempre consigo tê-la: se nos afastarmos daquilo para que são demasiado usadas, como a propagação de notícias, comentários ao governo, comentários derrogatórios sobre a oposição ou sobre partidos pequenos. As redes são boas para contactarmos familiares e amigos, para enviarmos ramos de flores virtuais, para nos congratularmos por este ou por aquele fazerem parte da nossa vida. Para enviarmos uma citação de alguém melhor que nós, para colocarmos uma canção que nos enche as medidas, para mostrarmos coisas de que gostamos e para sermos lamechas quando tem que ser.
Mudar o mundo é demasiado ambicioso. Já é bom quando conseguimos educar os filhos para os nossos valores, e isso só se faz rindo e chorando em iguais quantidades, confessando o que nos dói e partilhando as gargalhadas.
Não sei se estou no meio de uma crise existencial. Sei é que carpir sobre o que não podemos mudar só nos traz infelicidade. Se há um rumo para a felicidade, não sei, mas parece-me que a haver é o de celebrar as pequenas coisas e ter capacidade para ignorar as grandes que não conseguimos alterar.
Da crise monumental em curso já ninguém nos tira.
o respeito pelo dinheiro

Em condições normais, com pessoas normais e não com bandidos, que também os há mas que, felizmente, são ainda uma minoria, o dinheiro de cada um representa o seu esforço e o seu trabalho: para o ganhar, como rendimento do que cada um faz com o seu tempo e a sua capacidade para trabalhar e produzir; para o conservar, não o gastando com futilidades ou vícios.
Por isso, respeitar o dinheiro não é uma submissão ao “capital explorador”, mas, pelo contrário, um princípio de ética existencial de respeito pelo outro. É, também, um valor eminentemente cristão, porque o trabalho é sagrado, no sentido de que ele é tempo de vida que retiramos a nós mesmos para investirmos em nós e nos outros.
Evidentemente que, quando nascemos em berço de ouro e andamos de Maserati aos vinte anos, teremos uma certa dificuldade para entender estas coisas.
A ministra que monitoriza e o Governo que não governa
Visão de Anjos
A capa desta semana da revista Visão entra directamente para os lugares cimeiros das manchetes mais imbecis dos últimos tempos. A primeira página é acompanhada ainda por um editorial pateta da sua directora, Mafalda Anjos.
Não é Mafalda que é pateta, é o seu texto, como se comprova pelas coisas angélicas que escreve, como esta:
A pandemia, os números mostram-no, teve um efeito notável no clima do planeta: as emissões de carbono reduziram-se com o abrandamento económico e os aviões estacionados em terra, a poluição atmosférica recuou e, em muitas zonas do planeta, a Natureza ganhou terreno face ao Homem.
Não duvido da pureza de intenções da responsável pela publicação, mas com este binómio “capa-editorial” legitima a interpretação de que, no fundo, entende que o Homem é secundário na Natureza ou, dito de outro modo, Homem e Natureza são incompatíveis.
A delirante ideia de que o homem está a mais na natureza é antiga e sobre ela já tratei no Observador há tempos. A facilidade com que se dizem asneiras e se constroem narrativas fantasiosas mesmo com a realidade à frente do nariz é não só algo duradouro, como merecedor de registo pelo grau de alienação que consegue atingir.
Mas, Visão e Anjos inquietam-se com as gerações futuras e por isso o corolário dos disparatados argumentos que dão à estampa, alicerçados na nova seita religiosa do cientismo e dos especialistas em Clima, talvez seja o da defesa da extinção do homem através da paragem das actividades económicas. Nesta linha de raciocínio está por exemplo a spin-off do Bloco de Esquerda comandada pelo “genro” de Francisco Louçã (especialista em alterações climáticas e não dirigente neo-marxista partidário, obviamente) que “exige a intervenção pública na TAP” para “planear um redução drástica faseada e justa do sistema de transporte aéreo“.
Deve ser isto: quando estivermos todos mortos, o planeta será magnificamente verde!
Vão-se lixar com a treta do “discurso de ódio”
Chama-se censura. É só isso. E é muito.
Assinalar um falhanço
Os dois primeiros ministros ibéricos e respectivos chefes de Estado assinalaram hoje a abertura de fronteiras entre os dois países. 15 dias depois de todas as outras fronteiras estarem abertas e mais de uma semana depois de Espanha ter aberto as fronteiras com França e as rotas aéreas com outros países europeus.
Não podem ser acusados de tentarem esconder o falhanço, de disfarçar que Portugal não estava preparado para a abertura de fronteiras. Não. Tudo foi feito diante das câmaras.
Não vejo é motivo para festejarem.
André Ventura (2)
“Nacionalizar a TAP será um desastre! Será regressar aos tempos sombrios do PREC com o Estado tornado em gestor público e a gastar milhões em impostos dos contribuintes. Ainda vamos a tempo de inverter isto e fazer da TAP uma grande empresa estratégica!”
Resumo:
Nacionalizar => DESASTRE
mas VAMOS a tempo => fazer empresa ESTRATÉGICA
VAMOS.
Um parlapatão é assim.
É estratégico acabar com isto
A RTP é estratégica por causa do serviço público, seja lá o que isso signifique.
Os CTT, felizmente empandeirados a um preço fantástico, eram estratégicos por causa da integridade do território.
A TAP é estratégica por causa do turismo (como se não houvesse mais companhias aéreas dispostas a prestar um serviço rentável).
Não esqueçamos os célebres centros de decisão nacional, por inerência estratégicos.
Não há economista português com palco na comunicação social que não defenda estas barbaridades.
A meu ver, é estratégico ignorar estes aprendizes de feitiçaria económica.
O termo correcto é chantagem e não negociação
Uma mentira repetida incessantemente torna-se numa verdade se não for desmentida. Assim tem sido ao longo dos tempos quando a História não é ensinada como ela de facto aconteceu, mas sim, como é mais conveniente a quem se quer servir dela. Um exemplo disso mesmo vem dos EUA, e a propósito desta onda generalizada de indignação e luta contra o racismo que teve origem nos Estados Unidos, venho aqui repor a verdade ocultada pelos média.
Corre a convicção de que o Partido Democrata é aquele que defende as minorias e direitos humanos. Corre a ideia de que são eles quem mais defendem os oprimidos. Mas a História é implacável no momento da verdade: é completamente falso.
Dizem os Democratas (a esquerda) que os Republicanos (direita) são racistas e sexistas no entanto, eis o que diz a História:
O Partido Democrata defendia a escravatura e iniciou por isso uma guerra civil opondo-se radicalmente à Reconstrução. Fundaram o Ku Klux Klan (seu braço armado), impuseram a segregação, protagonizaram linchamentos, lutaram contra as leis dos direitos civis (Civil Rights Act).
Por outro lado, desde a sua fundação em 1829 o Partido Republicano nasce como partido anti-escravatura. Em 1857 o Supremo Tribunal declarava no caso Dred Scott versus Stanford, que escravos não eram cidadãos mas sim, propriedade. Os sete juízes que votaram a favor da escravatura neste processo eram democratas, e os restantes dois que votaram contra, eram republicanos.
A questão da escravatura viria a ser resolvida com uma guerra civil no período de 1861 -1865. Os democratas opunham-se tanto à abolição da escravatura que em 1860, 6 semanas depois da eleição do presidente republicano Abraham Lincoln, a Carolina do Sul dominada pelos democratas, votou para se separar do norte. Dá-se a maior e mais sangrenta guerra civil de toda a história dos EUA. Quem chefiou essa guerra foi Abraham Lincoln, o primeiro Presidente Republicano, o homem que libertou os escravos. Seis dias depois da rendição da Confederação armada, um democrata – John Wilkes Booth – assassinou o Presidente. O vice presidente democrata Andrew Johnson tomou o seu lugar. Mas este era opositor a Lincoln no seu plano de integrar os escravos na sociedade. Johnson e o Partido Democrata estavam unidos na sua oposição à 13ª Emenda (que abolia a escravatura), à 14ª Emenda (que dava direitos de cidadania à comunidade negra) e à 15ª Emenda (que dava direito ao voto dessa comunidade). Estas Emendas acabaram por passar apenas graças aos Republicanos.
Durante a Reconstrução após a guerra civil, tropas federais estacionaram no Sul para assegurar a segurança dos recentes escravos libertos. Centenas de homens negros foram eleitos no estados do sul pelo Partido Republicano e assim, 22 negros republicanos serviram no Congresso em 1900. Os democratas até 1935 não elegeram um único negro.
Depois da Reconstrução terminada e com a retirada das tropas federais, os democratas voltaram ao poder no Sul. Depressa restabeleceram o “privilégio branco” na região com medidas “black codes” (leis que restringiam a aquisição de propriedade e de negócios por parte dos negros), e impuseram as “poll taxes e literacy tests” (impostos e testes de literacia) usados para subverter o direito dos cidadãos negros ao voto. E como foi isto imposto? Usando a força, o terror, recorrendo ao Ku Klux Klan fundado pelo democrata – Nathan Bedford Forrest.
O Presidente Democrata Woodrow Wilson partilhava muitos pontos de vista com o Klan – voltou a segregar muitas agências federais e até estreou na Casa Branca um filme racista – “The birth of a Nation” – originalmente intitulado “The Clansman”. A única séria oposição ao “Civil Rights Act de 1964” veio dos democratas. Com efeito, os senadores democratas obstruíram o processo por 75 dias até os republicanos reunirem uns votos extras para quebrar o impasse.
Quando os democratas viram todos os seus esforços para continuar a escravizar e impedir o voto aos negros tinha falhado, voltaram-se para outra estratégia: se os negros iriam continuar a votar, então teriam de fazer com que votassem nos democratas. Lyndon Johnson volta atrás no que tinha afirmado sobre o “Civil Rights Act” e declarou: “I’ll have them N*****S voting democrat for 200 years”.
Mudam assim a estratégia depois de anos de opressão e oposição aos direitos dos negros. Perpetuaram depois a ideia que foi o partido Republicano que foi o vilão da História quando na realidade foram as políticas anti-negros do partido democrata que imperaram durante todo esse período.
Na sua primeira convenção o Partido Republicano prometeu acabar com a escravatura e a poligamia porque essas duas premissas estavam a expandir-se nos territórios a ocidente. Isto levou à passagem pelos republicanos da 13ª Emenda que aboliu a escravatura, a 14ª Emenda que deu direito à cidadania dos negros e o 15ª Emenda direito ao voto dessa mesma comunidade.
Em 1870 os primeiros senadores e congressistas negros foram republicanos. Também a primeira mulher membro do congresso era republicana, bem como o primeiro governador e senador hispânico e o primeiro senador asiático.
Os republicanos foram os defensores dos direitos das mulheres que em 1862 fizeram passar o decreto federal “Morrill Anty Bigamy Act” que pôs termo à poligamia . Depois em 1920, após 52 anos de oposição dos democratas, foi rectificada a 19ª Emenda: o direito ao voto das mulheres graças aos congressistas republicanos que pressionaram o Presidente Democrata Woodrow Wilson para deixar cair a sua oposição aos direitos das mulheres. Enquanto os republicanos ganhavam a batalha dos direitos das mulheres e a dos negros, havia ainda um longo e árduo caminho a percorrer.
Em 1920 o Presidente Republicano Calvin Coolidge, declarou que os direitos dos negros eram tão sagrados como de outro qualquer cidadão. No entanto, quando anos mais tarde, um atleta medalhado republicano – Jesse Owens – venceu 4 medalhas de ouro nas olimpíadas de Berlim em 1936, o Presidente Democrata Franklin Roosevelt ignorou-o, tendo convidado apenas atletas brancos na Casa Branca.
Duas décadas depois, terá sido o Presidente Republicano Eisenhower que enviou a “101st Airborn Division” – uma Divisão Especializada do Exército – para escoltar estudantes negros na escola “Little Rocks Central High” quando o governador democrata do Arkansas – Orval Faubus – ignorou uma ordem judicial para integrar a comunidade negra nas escolas.
Os republicanos tratam todos por igual. Os democratas não: tratam mulheres e negros como vítimas incapazes de serem bem sucedidas por elas próprias.
Por isso a estratégia de hoje dos Democratas passa por iludi-los (com subsídios massivos sem qualquer contrapartida tornando-os dependentes estatais), instigá-los ao ódio racial e misógino, provocar revoltas e o caos social para no meio da anarquia aparecerem como os “salvadores” de minorias que eles próprios alimentam e segregam. Isto é só uma nova agenda da esquerda que nunca se importou verdadeiramente com as minorias, como o demonstra não só o passado como o presente. A título de exemplo basta olharem para os Estados americanos governados pela Esquerda (democratas) em comparação com a Direita (republicanos).
Há de facto um longo passado de racismo e sexismo mas não é no Partido Republicano.
Porém, com a propaganda e doutrinação ideológica dos média, quando pensa em defesa de direitos iguais e igualdade racial, que partido lhe vem à cabeça? Ah! pois…
Saiba mais:
A realidade emboscou Costa e Marcelo na reunião no Infarmed
Vem aí o fascismo pela quinta ou décima vez este ano
A massa amorfa de conformistas a que se convencionou denominar “direita”, habituada que está a encontrar-se em tertúlias e outros eventos garantidamente fechados em si mesmo sem qualquer impacto mediático, ao ver o ainda pequeno grupo que André Ventura reuniu na rua, desatou a procurar sinais que pudesse interpretar como armas da sua sobranceria intelectual e que evidenciassem, mais uma vez, o quão se assemelham a uma banda de garagem das que se recusam a actuar em público sob risco de conquistarem público. “Cuidado! Não saias à rua! Podem ver-te!”
Concluíram que Ventura tem uma mão com cinco dedos e que está disposto a usá-la. Daí até se demonstrar que é o Anti-Cristo vai um tirinho. Enfim, o costume.
Quão patética pode ser a subserviência da direita iluminista à esquerda da geringonça? Pelos vistos pode ser infinita e mais além. Não perdoando a capacidade que Ventura demonstrou para colocar anónimos da direita na rua e relegados que estão para eventos maçudos para chatos ainda maiores na busca pelo título de Miss Erudição 2020, inundam as redes sociais (esse bastião da erudição) com teorias mirabolantes que não servem para mais que fingirem não estarem em avançado estado de obsolescência ajoelhados perante o enorme falo em saudação romana do poder vigente.
A dita direita moderada inventou o confinamento antes sequer do coronavírus: há anos que não saem à rua com medo de serem infectados pela plebe. Na realidade, não se perde grande coisa, tirando uma ou outra possibilidade de engate arco-íris. Mas deixem-me ser justo: para o que querem, serve perfeitamente. Decididamente, não será Ventura a desafiar o título de Miss Erudição 2020, pelo que a fita do vencedor continuará segura como o Graal nas catacumbas do confinamento intelectual da direita convencional. E assim é que tem que ser. De outra forma arriscar-se-ia a nem poder ser guardada pelo vencedor pelo cheiro a farturas fritas que os não-confinados exibem, uma característica da raça dos simples.
Dizem que é uma espécie de jornalismo
«Agentes da PSP receiam que haja colegas mais brandos com apoiantes do Chega se houver confrontos com antifascistas.» Vejamos um partido convoca uma manifestação e o risco é a polícia ser branda com os manifestantes desse partido? Mas porque não há-de a polícia ser branda? É só uma manifestação.
Será que vai acontecer nessa manifestação algo que obrigue a uma intervenção policial que não seja a corrente? E note-se que na passa semana o Expresso até fazia a apologia do zero intervenções policiais: Na “Zona Autónoma” de Seattle a polícia não manda, a comida é grátis e as ideias fluem escrevia-se por ali. Mas enfim Lisboa não é Seattle e aqui o Expresso não só admite a presença policial como teme que ela seja branda. Mas então voltemos ao que pode despoletar a intervenção mais ou menos branda da policia: “se houver confrontos com antifascistas“. Mas quem são os antifascistas? Vão à manifestação do Chega? Fazer o quê?
Se calhar o EXpresso devia ter começado por aí, pelo facto de saber que alguns grupos podem ir contestar a manifestação do Chega. Mas para o Expresso a notícia não é esse facto mas sim a possibilidade de a polícia ser mais branda com os manifestantes do Chega do que com os grupos auto-designados antifascistas mesmo que estejam a fazer aquilo que os fascistas faziam: marcar presença intimidatória e muitas vezes violenta nas manifestações convocadas por outros.
Por fim temos aquele «na “manif” de André Ventura». A manif que por sinal é manifestação não é de uma pessoa mas sim de um partido cujo líder deve estar gratíssimo ao PCP, à CGTP e aos alegados anti-racistas que já fizeram as suas manifestações. Logo com Covid ou sem Covid criticar o Chega por estar a fazer uma manifestação tornou-se difícil. Pressuponho que vamos passar a ter as manifes do Costa, do Jerónimo, da Catarina…?
Em resumo, não admira que as venda do Expresso estejam a abrandar. Para ler parvoíces destas vai-se ao Esquerda.net que é de borla e mais honesto.
O velório de São João no Porto
Hoje no Observador, assinalo mais um comportamento de rebanho, ansioso e voluntariamente aderente a um suspender das mais básicas liberdades individuais e desejoso de proibições e orientações coercivas de comportamentos sociais por parte de quem tem poder.
Defendo que uma cidade intrínseca e historicamente desconfiada do poder estatal e das prepotências centralizadoras e em que gente de todas as classes sociais convive e desfruta do espaço público, não deve ser descaracterizada por festas hoje confinadas aos jardins das moradias da burguesia e aos condomínios fechados dos “afluentes”.
O texto completo está aqui.

O milagre belga
A Bélgica atingiu os 840 mortos por Covid por milhão de residentes. Não há uma notícia sobre estes números. Não se sabe o que diz o governo da Bégica. Ninguém pergunta, ninguém quer saber.
O mundo mediaticamente falando está dividido entre os excêntricos loucos dos suecos (518 mortos por milhão), os vilões do Brasil (259 mortos por milhão) e dos EUA (383 mortos por milhão) e os bons ou seja aqueles que aconteça o que acontecer são mediaticamente poupados, como é manifestamente o caso belga
Igualdade na desgraça
If you’re not prepared to be wrong, you’ll never come up with anything original.
—Sir Ken Robinson
Aceitar os erros não é um traço admissível em Portugal, é uma falha de carácter, uma lacuna educativa, um defeito que marca para sempre o prevaricador numa “chicotada-psicológica” da qual não recuperará: uma cicatriz. O governo não está preparado para estar errado. Para estar certo, neste tipo de regime que consiste em assegurar que o país nunca sairá da cauda da Europa para manter a melancolia característica de quem sabe que nunca sairá da aldeia, o governo só tem que fazer uma coisa: agradar à massa de funcionários públicos e reformados do país. Não é só este governo, é qualquer governo desde que a demografia nacional tornou este no grupo que mantém a democracia cativa na eclésia dos privilégios.
Pelo que temos visto esta semana a partir das redacções de jornais onde estas pessoas se expressam, o que querem é “confinamento”. E se é “confinamento” que querem, é o que terão. Ao longo dos próximos dias continuarão negligentes os casos severos da Covid–19, mas as ditas “medidas de contenção” irão intensificar até que se enquadrarem minimamente com os desejos morais do eleitorado relevante inebriado pelo desejo de não ter que regressar ao trabalho em Setembro e Outubro, desde que continuem a receber salário.
Disseram que era uma “guerra contra o vírus”. Não é. É a batalha que inicia a guerra dos inevitáveis colapsos dos sistemas de previdência, uma Ilha de Páscoa no processo de extinção.
Nunca a repressão foi tão legitimada democraticamente. Ninguém está errado, porque ninguém está preparado para o estar. A Suécia armou-se em original e foi o que se viu. Quem quer ser original se podemos ser todos iguais na desgraça?
E os animais ficam no partido ou saem?
O Partido Pessoas-Animais-Natureza está em convulsão interna. Até agora só as pessoas se pronunciaram o que é manifestamente uma visão antropocêntrica da questão. Em respeito pela visão igualitária dos direitos dos animais versus os dos humanos defendida pelo PAN urge que os animais tomem posição,
Apartheid (este é do bom!)
O Civismo
Apesar da evidente desagregação do papel do catolicismo nas sociedades ocidentais, levando à conclusão de que a morte de Deus origina a substituição da angústia existencial por ideologias fracas, muitos comentadores parecem ainda não ter percebido que todas essas ideologias também já se desagregaram e caíram por terra como palha seca. É inútil falar do socialismo, do comunismo, do liberalismo ou de qualquer outro -ismo nas sociedades ocidentais. Já passamos essa fase, retendo simplesmente a simbologia, como acontece sempre, relegando todos os -ismos, incluindo os religiosos, para o domínio meramente mitológico.
Agora não há -ismos, como se verifica com a inversão permanente de conceitos entre o que os que se identificam com tais epítetos. É o fascismo, é o socialismo, é o comunismo… meras tentativas de insulto, mas palavras ocas no pragmatismo higiénico dos nossos dias.
As sociedades ocidentais caminharam para um regime que se pode considerar, à falta de melhor palavra, para o “civismo”, uma doutrina que eleva o estado para o papel do Deus morto e os seus agentes, sob a forma de governantes, a profetas do zelo comunitário para que todos caminhem no mesmo sentido. Por isso há tão poucas diferenças entre partidos e o que defendem. Aliás, em Portugal, se há algo que os une é o repúdio a essa reminiscência da plebe desbocada sob forma de André Ventura.
Uma oligarquia de castos, virtuosos, pastores da moral, prontos a impor o civismo através da educação, das notícias, dos julgamentos de carácter e da incapacidade dos rebeldes em se enquadrarem nas tribos identitárias fomentadas pelas ferramentas de dopamina das redes sociais. Uma espécie de humanismo higiénico de estado.
Não é de admirar que um pequeno evento como o Covid seja suficiente para se extrapolar esse puritanismo-cidadão a todo o mundo ocidental de uma só leva. Resistir é possível, mas requer muita coragem: é preciso sair e ir comer farturas bem fritas e a transbordar de açúcar aos arraiais. Daí que não seja de admirar que sejam os primeiros a serem banidos, perante o aplauso dos recém-formados cívicos.
A guerra
Talvez por deformação profissional, as vozes contra este selvático “confinamento” direccionado para estabelecimentos nocturnos e festas populares continuam a incidir no desastre económico que se avizinha. Alguns mencionam o desastre na educação, como se fosse possível sentir-se qualquer degradação acrescida no já há muito estéril e minado campo educativo. Fora esses, os do economês, ainda há uns puritanos com noções estéticas de etiqueta saídas de um livro da Paula Bobone alegres pela faux-islamização dos costumes, mas mais nada (estes pertencem às religiões animalistas, vegan, “drugs are bad” e outros cultos ainda menores de Instagram: são para ignorar sem contemplações).
A crise económica é completamente irrelevante no contexto actual. Por muitas famílias que vejam o seu rendimento diminuído ou completamente suspenso, por muito desemprego ou por muitos encerramentos das pequenas empresas – a massa do ex-Cavaquistão – que existam, nada se compara à crise moral que a Europa e particularmente países como Portugal criaram para si próprios. Dos que após esta auto-flagelação fossem ainda capazes de investir, quem seria louco o suficiente para o fazer sabendo que a qualquer altura lhe podem fechar o negócio por tempo indeterminado alegando “razões sanitárias” e “estados de emergência”? Depois de aberta esta porta do puritanismo/bem-comum, ninguém a volta a fechar. Só a economia informal poderá mexer com seja o que for.
Portanto, razão tinha a tia de Cascais da DGS (talvez não seja de Cascais, mas o arquétipo é conhecido) ao sugerir pedirem umas couves ao amigo que têm a horta. Talvez pedir não seja o termo adequado, talvez surrupiar ao velho estilo socrático seja mais adequado (“esta couve não é minha, é de um amigo”), mas tinha razão na mesma. Quem continua a ver a crise como meramente económica julga que isto é um interruptor que se liga para confinar e, desligando-o, tudo volta ao pachorrento normal de recuperação do tempo perdido, com as devidas reestruturações, “destruição criativa”, etc. Não é. O interruptor ligou-se, não se volta a desligar. O curto-circuito está estabelecido. Só um evento do tipo bélico ou de semelhante desgraça fará esquecer a “era do confinamento”. Qualquer outra coisa, sejam barragens de dinheiro europeu, sejam as selfies deste presidente ou de outro qualquer pronto a lançar um grande programa de investimento público numa renovada Parque Escolar de nada servirão para reorganizar as sinapses estabelecidas com a declarada “guerra ao vírus”.
Compraram a guerra, agora defendam-se dela com unhas e dentes. Ou não.
Pizza grátis!
Os surtos de coronavírus suceder-se-ão em todos os locais que sejam para fechar. Será na igreja, na tourada, em sítios onde se consuma álcool, em escolas privadas, em equipamentos desportivos, em praias e em associações meritórias como as de ajuda a sem-abrigo, esfomeados e vítimas variadas das políticas moralistas do MEP-puritanismo azeiteiro que assola todo o espectro social nacional.
Onde nunca surgirão surtos de coronavírus é nas redacções de jornais dos bons, nos canais de notícias 24/7, nas manifestações da CGTP, nos espectáculos dos polidores do regime, nos bordéis onde os pensadores se deleitam com os vícios pecaminosos da antiga burguesia e em qualquer sítio onde esteja o primeiro-ministro ou o presidente.
Também já só come quem quer.
É a fé que nos condena
Já se escreveram milhares de linhas sobre ajuntamentos permitidos e ajuntamentos proibidos. As pessoas tentam racionalizar o irracional, umas optando pela versão “são recomendações, não são imposições” – facilmente desmentidas pelas prometidas multas -, outras ainda optando pela versão “é para nosso bem” com a arrogância de quem tem a certeza do que é o bem para outros.
O único partido que se tem demonstrado minimamente liberal durante todo este “regime de excepção” é o PCP. Em primeiro lugar, porque tudo é regime de excepção: se posso transformar um evento em justificação para excepção, nada impede que torne qualquer outro; em segundo lugar, porque não se sujeita à conformidade em cada pinga de guano governamental.
A proibição de consumo de álcool na rua é uma determinação moral. Não tem qualquer justificação sanitária, só a argumentação de que se pode condicionar o comportamento dos jovens através da lei seca. O fecho às 20h00 da loja de cosméticos também não tem qualquer justificação sanitária, só a de favorecer a virtude elitista de que baixa burguesia que use maquiagem é o mesmo que ver um porco com batom.
Já nada disto tem que ver com o coronavírus. Agora já só tem a ver com a fase de elevação do controlo à religião de estado. Já diziam os antigos: é a fé que nos salva. Ou, neste caso, que nos condena.
Municípios da Área Metropolitana de Lisboa e Governo decidiram em reunião a implementação de novas medidas de combate à Covid 19, em vigor a partir das 00h de hoje:
📌proibidos ajuntamentos com mais de 10 pessoas
Como disse senhor primeiro-ministro?
Mulatas
As imagens abaixo são auto-esclarecedoras da alucinação neo-fascista dos actuais anti-racistas e feministas.


O estado da nação é igual ao de sempre, só notando-se mais. Resumindo: um indivíduo, acaso presidente da república popular, vem espingardar que é preciso “medidas mais duras” para pessoas das que se deixam controlar (filiem-se em sindicato da CGTP); o bobo da corte em funções vem logo dizer que concorda, que é preciso proibir ajuntamentos dos que ele não tenciona frequentar e punir esses que não são da CGTP, para o bem de todos (leia-se: de ninguém); a polícia diz que não tem bastões suficientemente fortes para dispersar as multidões que o crescente revivalismo da tradição de bufaria faz denunciar diligentemente; o autarca da cidade com tradição de desfiles de Carnaval em biquini no mês de Fevereiro vem exigir um cerco sanitário à volta de Lisboa (eu concordo, desde que seja para sempre e em ocasião do Rui Moreira estar de visita) e, mesmo com cachimbos de crack gratuitos, os idosos continuam sem poder frequentar centros de dia, limitando-se à morte lenta em casa, mas – Deus nos livre – sem Covid, só com uma faca nos pulsos; entretanto, um não sei quê da polícia já veio dizer – ouvi no rádio – que a polícia afinal tem meios para acusar gente que se junta de “crime de desobediência” se não dispersarem perante a arrogância pacóvia dos tipos de uniforme perante pessoas que se limitam a existir.
Enquanto decorre isto, pessoas andam entretidas a deliberar se o Chega é ou não é de extrema-direita, isto é, se são daqueles que no poder andariam aí feitos filhos de putas a limitar os direitos de circulação e livre associação dos cidadãos.
E não há um dilúvio que purifique isto.
É o que temos
O João Miguel Tavares chama a atenção para a memória selectiva de Miguel Sousa Tavares: «No seu texto desta semana no “Expresso”, Miguel Sousa Tavares estabelece o seu ranking pessoal dos piores políticos da democracia portuguesa. Os dois primeiros lugares do pódio vão para Cavaco Silva e Durão Barroso. É impressão minha ou falta ali alguém?»

Sinalética contra festas ilegais

Verão: quando é que deixámos de acreditar que a vida sorri?
Deve ter sido dos corantes e conservantes. Ou da falta deles. Só sei que nos verões dos anos 80 a vida sorria. Sorria mesmo. Comêssemos ou não os gelados que nos garantiam que ela, a vida, sorria. Da SIDA às discriminações, tudo se ia resolver. De facto nós acreditávamos não só que a vida ia ser melhor como que o seu desenho era o de uma curva ascendente a caminho do bem estar, da liberdade e do fim das injustiças. Havia caminhos diferentes para atingir tudo isso mas era certo que lá chegaríamos.
Deixámos de acreditar que a vida sorri porque deixámos de nos indignar com o autoritarismo e a mediocridade? Ou terá sido ao contrário? Não sei mas sei que alguma coisa aconteceu para que aceitemos com resignação dias como os que acabamos de viver. Dias de Socialismo, pimba e futebol
Bem-vindo ao Verão
Quando me explicaram que era para achatar a curva, eu, feito burro, acreditei. Parecia tão simples: um vírus terrível que acabará por nos afectar a todos a fazer com que precisássemos de medidas extraordinárias para que a infecção fosse faseada no tempo, não atingindo todos de uma vez só, de forma a que os hospitais não entrassem em ruptura. Estava bem engendrado. Pelo menos, eu acreditei.
Algures connosco enfiados em casa, eis que vem o anúncio da “guerra ao vírus”. “Estamos em guerra”! “Isto é uma guerra”! Mudaram o discurso: passou de uma inevitabilidade para algo que iria ser combatido, algo que dependia de um Dia D, de um evento libertador que confinaria o vírus ao suicídio num bunker em Berlim.
Agora, há festas ilegais. Não há São João: é proibido. Dez pessoas na rua é uma manifestação subversiva, excepto se for da CGTP. Retirando o formalismo da expressão, dia 23 há recolher obrigatório, com todos os estabelecimentos encerrados até às 19h00 sob risco de… não sei. Uns indivíduos foram detidos por tossirem à polícia, pelo que nem imagino o que aconteceria perante um arroto.
A CMTV mostra pessoas a fazerem rituais satânicos como dançar ou – o ultraje – a tomarem café em bombas de gasolina a menos de 1,77 metros do seu semelhante. Apetece-me convida-los para 20 minutos num motel à beira da estrada, mas lembro-me do regresso do código de Hays e de como tudo que não seja para instagramar é pornográfico. Decapitar estátuas, sim; beijar a actriz, não.
E o Verão ainda nem começou.
Sobre o meu direito a dizer que sois todos umas bestas
Uma sociedade liberal tem por base o princípio basilar do direito de expressão. Com o direito de expressão vem o direito individual de pessoas se sentirem ofendidas com o que foi dito e, com ele, o direito a expressarem ideias contrárias. O que não vem nunca é o direito a proibir ideias ou simples aglutinações de palavras, por muito aberrantes que possam ser as interpretações para a vasta maioria da população.
O nome deste blogue diz isso mesmo. A blasfémia é um direito basilar de uma sociedade liberal. A defesa de ideias consideradas heréticas, seja por quem for, em forma de cartaz ou outra, é um bem essencial que, apenas secundado pelo direito à subsistência do corpo, deve ser defendido por todos que defendem a democracia liberal.
Houve uma certa polémica nos meios do costume pelas afirmações de Ricardo Araújo Pereira sobre o cartaz “polícia bom é polícia morto”. Todavia, indignações à parte, o humorista não afirmou mais que uma lapalissada: independentemente das considerações que se possam fazer sobre quem ergue um cartaz com esse tipo de mensagem, o cartaz é perfeitamente admissível numa sociedade liberal.
A polémica em que JK Rowling se viu metida, ao expressar espanto pelo uso da expressão “pessoas que menstruam” para designar o que mais de 99% do planeta designa por “mulheres”, não tem qualquer razão de ser, tal como não tem qualquer razão de ser que alguém seja impedido de usar a expressão “pessoas que menstruam” ou “humanos desprovidos de pénis”.
Algumas pessoas poderão considerar – e estão no seu direito – que esta é uma reflexão fofinha, daquelas a que normalmente se atribuem termos derrogatórios como “direita Haddad”, mas estão enganadas – e tenho o direito de o dizer: defender a liberdade de expressão nesta era de um perigoso neo-puritanismo induzido por moralidade de estado é a coisa mais subversiva que se pode fazer.
Nenhum partido das diferentes facções da democracia liberal deveria perder tempo com algo acessório enquanto a liberdade de expressão está sob ataque cerrado, nomeadamente por empresas como o Twitter ou, no caso acima citado, pela Hachette, a editora que imbecilmente rejeitou a autobiografia de Woody Allen para ficar bem aos olhos de mileniais estúpidos e Gen Y amargas em luta contra a sua sexualidade. Por muito problemático que seja manter escolas fechadas (apesar do ano lectivo estar a terminar, coisa que até já deveria ter acontecido em algumas escolas), isso é meramente tropical perante a aceitação generalizada de que há coisas que não devem ser ditas. Estamos num péssimo caminho, que pese em boa hora encaminhar para o colapso económico, nos levará a uma crise bem mais difícil de superar: a do colapso da liberdade como valor fundamental.
Pacto ecológico pós-covid
Parece que a SONAE faz parte de um grupo de empresas cujos dirigentes acham que “mais de metade do PIB mundial está exposto moderado ou severamente a riscos associados à diminuição dos recursos naturais“.
A realidade é no entanto diferente: nunca como noutra época histórica os recursos foram tão abundantes, nunca houve tanta eficiência no seu uso e nunca tivemos acesso a tantos bens alternativos e substitutos para satisfazer as mesmas e novas necessidades.
Acresce que a probabilidade de o Homem nem sequer ter descoberto ainda todos os recursos que tem à sua disposição é próxima da certeza. E que com a sua criatividade e inovação será capaz, como sempre no passado, de encontrar outras e mais combinações dos átomos que o planeta coloca à sua disposição.
Por mim as empresas que façam o que bem entenderem com o capital dos seus accionistas, mas quando assinam manifestos públicos e apelam aos governos que contribuam para a “implementação do Pacto Ecológico Europeu no contexto da reativação económica da Europa pós-Covid” sei que estas tentativas de demonstração de virtude e discursos Greta-like acabarão por surripiar mais do meu dinheiro via impostos e/ou pelo repassar de custos para o consumidor por via de preços mais elevados.
Passo.
A história enquanto libertação para o futuro
Paulo Tunhas, a ler hoje no Observador.
A memória é egocêntrica e define a identidade dos indivíduos ou dos grupos. A história, por sua vez, conduz ao descentramento e à distância, nomeadamente à distância para com o passado, visto como um objecto independente de nós.
A redução da história à memória conduz à alucinação do passado no presente, isto é, desrealiza o passado enquanto passado. A partir daqui tudo é possível. Passa-se da história para o mito.
Texto integral aqui.
Tenho saudades dos maricas
Sim, leu bem. Saudades dos maricas, de bichas, de abafa-palhinhas, de paneleiros, de fufas, veados, sapatonas… Eram pessoas boas, das que não andavam aí a impor normas, só a defenderem a liberdade individual de os deixarem em paz sem julgamentos colectivos. Eram pessoas com dúvidas, com angústias sobre se o seu estilo de vida notoriamente fora da norma podia ser compatível com o culto religioso e com uma salutar convivência com a família. Eram defensores acérrimos da liberdade individual e do extraordinário direito a não ser julgado por ninguém na sua vida pessoal.
Agora só temos LGBT(x)s chatos, puritanos, massacradores da realidade. Os velhos não andavam aí a “desafiar normas”: entendiam perfeitamente que o estado default de qualquer animal é o da heterossexualidade, pelo que compreendiam serem eles os fora da moda social, os marginais. Aceitavam a marginalidade, não impunham ficções sobre a normalidade.
Eu também sou um marginal. Também não me enquadro na pasmaceira do centrão progressista nem no aberrante saudosismo romântico de um liberalismo utópico ou no tosco conceito idílico da fada-do-lar. Eu sou um perfeito paneleiro político. Um bicha social que rejeita os -ismos todos. Mas, garanto, um LGBT(x)s é que não sou.
Precisamos de mais marginais. De sistémicos está o inferno cheio.
Porno hardcore de 5a categoria
Comparado com isto que se segue, fica claro que John Holmes era um senhor, um homem de classe que respeitava as pessoas e se dava ao respeito.
“Esta final das Champions em Portugal é um caso único e irrepetível que não tem preço”.
“Portugal é recompensado pela situação notável que se verifica no Serviço Nacional de Saúde em termos de internamentos, e de internamentos em cuidados intensivos sem forjar números e mantendo a transparência”.
“Nós mostramos tudo isto ao mundo. Portanto, Portugal vence pelos seus méritos passados e pela sua transparência presente, ou seja, pelo mérito do SNS, dos profissionais de saúde e dos portugueses”.
“Portugal tem autoridade moral pela forma como conduziu o combate à pandemia.”
“Pude testemunhar o entusiasmo com que o senhor Primeiro-ministro e a sua equipa governamental acompanharam esta campanha.”
“Não era possível por de pé o que vai ser posto de pé em tempo recorde sem a participação do ministro da Educação, sempre apoiado pelo secretário de Estado do Desporto e da Juventude, sem a intervenção do senhor ministro de Estado e da Economia e, para a criação das condições de saúde com delegações tão numerosas como as que cá vêm, sem a senhora ministra da Saúde”
“Os portugueses merecem o que vão ter em Agosto e é um orgulho para o Presidente da República Portuguesa ser testemunha de mais este triunfo de Portugal”.
Nota: declarações de Marcelo Rebelo de Sousa numa “cerimónia” nos jardins do Palácio de Belém com António Costa, o presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Fernando Medina e diversos membros do Governo, a propósito da escolha da UEFA de que a fase final da Liga dos Campeões se realize em Lisboa em Agosto.

A oligarquia não se chamusca
Marcelo Rebelo de Sousa, ontem, sobre as responsabilidades da tragédia de Pedrógão:
“Até o próprio facto de o apuramento das responsabilidades, que acaba por abarcar de uma forma ou de outra responsáveis locais, sem que se possa dizer em homenagem ao estado de direito que alguém possa ser condenado antes de um trânsito definitivo de uma decisão judicial sobre a matéria, (…) tudo isso também complica uma mudança que seria sempre difícil e que desejaríamos mas mais rápida.”
Portanto, a oligarquia que comanda o Estado central não se Chamusca chamusca.



