o grande educador põe os pontos nos is
Eu não vos dizia que isso era tudo um putedo?! No princípio, nem queriam ouvir falar de ideologia. Agora mostram ao que vêm: ao dinheiro, à especulação imobiliária, ao assalto.
— Arnaldo Matos (@ArnaldodeMatos) 28 de julho de 2018
catarina defende ricardo
Desenganem-se: se não fossem hipócritas, estariam no PCP
Anda por aí muita gente, à direita e à esquerda, entusiasmada com a possibilidade de o Bloco sair enfraquecido perante o seu eleitorado na sequência do caso Robles. O eleitorado do BE não é absolutamente homogéneo e é natural que haja algumas pessoas sensíveis à hipocrisia que deixem de votar BE, mas não serão muitos. Uma das coisas que o seu eleitorado valoriza no BE é precisamente a hipocrisia e a incoerência. A razão pela qual o BE tem ume penetração tão grande nas classes média-alta é precisamente por lhes dar a possibilidade de sinalizar virtude sem abdicar do vício, a possibilidade de apontar o dedo ao capitalismo selvagem e beneficiar dele, apelando à revolução a partir dos restaurantes mais exclusivos da capital. Não digo com isto que não haja hipocrisia no PCP. Mas ela é mais controlada (como tudo no PCP) e, consequentemente, punida mais severamente. No BE a hipocrisia faz parte do ADN. A grande maioria do eleitorado mais à esquerda não entende as nuances ideológicas entre BE e PCP. Prefere o BE porque é um partido que lhes permite sinalizar virtude sem ter que fazer votos de pobreza como os parolos do PCP. E esses não se vão embora em resultado deste caso. Antes pelo contrário.
Mestres da cabala
Uma imprensa tradicionalmente tão servil com o BE, que desde sempre e por tudo e por nada lhe garante tempos de antena sem nenhum contraditório e desproporcionados face à sua real implantação, não se tem calado nos últimos dias com o “folhetim robles”. Isto só tem uma explicação: interessa ao seu patrão supremo – o PS – fragilizar o Bloco.
Não veremos nunca a mesma imprensa questionar a diligência cirúrgica dos serviços da CML no licenciamento das obras do Robles, que aí terá havido dedo do PS; muito menos questionar porque pôs a Seg Social o imóvel à venda em vez de o manter arrendado a preços controlados como a esquerda defende; como nunca assistiremos a investigações sobre as obras imobiliárias do Costa quando presidia à CML. Não esperem tal nem do Correio da Manhã, que massacrou o Sócrates mas nunca tocou no Costa.
Razão tem o Carlos, estamos perante mais uma manobra propagandística do PS. E essa gente não brinca em serviço, convicta que está de ter o exclusivo da impunidade.
Funcionários públicos do mês
*O responsável pela venda de um prédio da Segurança Social ao desbarato ( 347 mil euros por um prédio em ruínas em Alfama no ano de 2014 é uma pechincha)
*O gestor da conta na CGD de Ricardo Robles (será familiar da gestora de conta de José Sócrates? )
Banca nacionalizada. Nossa. Dos do costume
Oportunidade de ouro
Invejo o Ricardo Robles. Não é um sentimento bonito, mas é o que tenho para dar: um homem novo, com uma vida inteira pela frente, que tem a sorte de ser confrontado com a imbecilidade das suas posições públicas e de perceber a tempo o quão o Bloco de Esquerda é um antro de hipócritas a competir no mercado de votos da mais desqualificada franja da população nacional, o das crianças educadas em berço de prata por uma burguesia que o próprio Bloco deseja aniquilar; os sem eira nem beira que, à falta de qualquer talento, existem numa psique alternativa de contra-cultura recauchutada em instrumentos de propaganda mainstream.
Que oportunidade de ouro para mudar de vida, ver a luz e comodamente abraçar o capitalismo de mais-valias com milhões de euros no banco, algo que jamais um dos seus pacóvios eleitores conseguirá cheirar. Invejo o homem: a partir de hoje pode crescer, evoluir, desenvolver uma moral, adquirir alma, respeitar os outros, abandonar a soberba. E tudo isso passando pela casa partida e recebendo mais de quatro milhões. Que privilégio.
a minha alegre casinha

O primeiro grande problemas das justificações é ter de as dar. O segundo podem ser as explicações que se dão. Segue-se o primeiro parágrafo das que foram dadas pelo vereador Robles, sobre o caso que o envolve e que hoje encheu as páginas dos jornais. É um texto onde cada palavra é medida e contada para evitar mais sarilhos. A cor vermelha (em homenagem ao Bloco) vão as passagens mais problemáticas e entre parênteses, em itálico, segue a nossa opinião:
«Em junho de 2014 adquiri, em conjunto com a minha irmã, o imóvel sito na Rua Terreiro do Trigo, nºs 6 a 26, pelo valor de 347 mil euros. Em outubro de 2014, a CML comunicou-me a necessidade de realização de obras considerando o mau estado do prédio (então o Senhor Vereador, quando comprou o imóvel, não se apercebeu da necessidade de o reformar? Comprou-o às cegas, não percebe nada de imóveis, ou isto é apenas uma justificação para a pressa com que as iniciou, indiciadora de intenção de fazer negócio com o imóvel?). Iniciei de imediato os procedimentos para um processo de licenciamento para obras junto da CML. A obra foi licenciada em 9 de novembro de 2015 e o alvará foi emitido em fevereiro de 2016 (o licenciamento foi pedido para uma obra de reparação do mau estar do imóvel, ou para uma obra em profundidade, com aumento de um piso, para negócio imobiliário?). A obra foi concluída em março de 2017. O valor total (aquisição, projetos, licenças, obra) foi de aproximadamente 1 milhão de euros, financiado pela nossa família e mediante um empréstimo bancário contraído junto da CGD. Como co-proprietário, aceitei que, por razões familiares, o prédio fosse colocado à venda (mas não o comprou para isso? Então comprou-o para quê? Para habitação própria? Um casarão daqueles?). A venda do prédio foi entregue no final do ano de 2017 à imobiliária, que o avaliou em 5,7 milhões de euros. O prédio não foi vendido e foi retirado do mercado, embora mantenhamos a intenção de venda a breve trecho.»
Moral da estória: o Senhor Vereador só pôs o imóvel à venda por «razões familiares» e não por vontade própria. Só o pôs à venda por 5.7M€ por insistência da imobiliária e não por decisão sua. O Senhor Vereador despachou-se a fazer obras não para pôr o prédio imediatamente à venda e com isso ganhar dinheiro, mas porque a Câmara o obrigou a isso.
a diferença
A ortodoxia do Partido Comunista Português fez com continuasse a ser, ainda hoje, um partido importante e influente na sociedade a que pertence. Esse posicionamento foi mantido com sacrifícios, incompreensões, deserções, ameaças diversas, mas resistiu e permitiu que sobrevivesse à queda do muro de Berlim, ao contrário dos partidos comunistas europeus, que desapareceram ou se tornaram completamente irrelevantes. Isto só foi possível porque o Dr. Álvaro Cunhal soube sempre que um partido comunista, em terras de capitalismo, não sobreviveria à influência preponderante dos gramscianos saídos das universidades e das famílias burguesas, meninos com ideias que não correspondem a qualquer experiência ou sentimento de vida, que as trocariam pelo primeiro cheque gordo que lhes pusessem à frente do nariz. Por isso, Álvaro Cunhal, ele mesmo um intelectual que sabia do que a casa gastava, nunca lhes deu demasiada importância e preferiu sempre, para as posições de destaque nos órgãos do partido, pessoas com uma história de vida forjada no mundo do trabalho operário, tradição que ainda hoje se mantém. Aos «intelectuais», trazia-os sobre olho e de rédea curta, e sempre que algum levantava a voz, durava o tempo de um fósforo. O Dr. Álvaro Cunhal e a elite dirigente do Partido Português tinham, e têm, inúmeros defeitos, mas de falta de coerência não podem ser acusados. É por isso que nunca lá encontraremos um caso como o de vereador Robles. No PCP não há lugar para meninos mimados, nem para burgueses emplumados com ideias que não passam de retórica de ostentação. Esse é, por definição, o terreno do Bloco de Esquerda.
Não se metam com o PS
um dia, também quero fazer um negócio como este, ou o irresistível charme do capitalismo

até lá…

Ora, finalmente, alguém a falar como deve ser: «Alexis Tsipras é um traidor do povo grego! E por isso será processado». Enquanto, por cá, as meninas do Bloco engolem as «cativações» do Centeno, como se fossem puré Maizena, e humilham os professores, lembrando-lhes que o orçamento não é só deles, na Grécia, a menina Zoe Konstantopoulou, moça cujo nome é, por si só, suficiente causa de divórcio, não está com meias medidas: «TRAIDOR!», em cima do ex-venerado bad boy das esquerdas europeias. Mas os gregos são os gregos e os portugueses são os portugueses, não há muito que fazer. Porque, no dia em que a presidenciável Marisa Matias, cujo perfil aquilino não é muito diferente do da Konstantopoulou, chamar «traidor» ao Costa e o ameaçar com as penas da temível justiça portuguesa, ficarei convencido de que há um futuro para as esquerdas portuguesas. Até lá, não passam todas – as esquerdas indígenas e as meninas do Bloco – de elementares colaboracionistas do Sr. Junker, confortavelmente sentadas à mesa do orçamento de estado.
“Quanto mais lhes bates, menos voto em ti”

Não sei ao certo qual é o tamanho da ambição política de Nuno Melo. Contudo, ao escutar os seus críticos na semana passada, estou certo de que poderá chegar, caso tenha vontade, aos mais altos cargos do país. Poucos minutos depois das primeiras notícias sobre o lançamento da campanha do CDS às eleições europeias, já a esquerda aguerrida tratava o eurodeputado centrista como um perigoso nacionalista, racista e xenófobo. É certo que o embaixador Francisco Seixas da Costa, mais moderado, se limitou a caracterizá-lo como populista e anti-imigrantes; e que o deputado João Galamba, mais espirituoso, apenas lhe chamou, com sotaque italiano, Nuno Melvini. No entanto, salvo honrosas excepções, o tom andou à volta do “Viktor Orbán minhoto”, o que constitui, além de uma boa base de trabalho para uma eventual geminação entre o goulash húngaro e as papas de sarrabulho, um excelente prognóstico eleitoral para Nuno Melo.
A primeira coisa que salta à vista nestes exageros retóricos é a típica modéstia portuguesa. “Trump de Famalicão”, por exemplo, é uma expressão que menoriza o político luso e a terra que Camilo Castelo Branco escolheu para enfiar uma bala na cabeça. Uma esquerda com auto-estima patriótica diria que Donald Trump é o Nuno Melo da Quinta Avenida; como diz o inverso, colocando o presidente dos EUA no distrito de Braga e não o vice-presidente do CDS em Nova Iorque, continuamos a alimentar hipérboles com a síndrome da pequenez, o que representa a desajustada intromissão do oxímoro num contexto em que uma figura de estilo seria suficiente.
Mas o que disse, afinal, Nuno Melo para ser presenteado com tais considerações? Apenas isto: “o espaço europeu pode ser um destino de acolhimento para outros povos, mas estes devem respeitar as nossas leis, valores e costumes, de forma a não nos sentirmos sequestrados na nossa casa”. Ou seja, parece que Nuno Melo não defende a atribuição automática da cidadania europeia a todos os seres humanos que habitam a superfície terrestre. É, de facto, um horror. Qualquer dia, se lhe derem poder, ainda o vamos ver a sugerir a criação de passaportes e de um Serviço de Estrangeiros e Fronteiras.
E esse dia talvez esteja próximo. Agora que aqueles que se dedicaram até há bem pouco tempo a comparar Angela Merkel com Adolf Hitler se viraram para o candidato do CDS, este pode sentir-se abençoado pelo quase infalível toque de Midas eleitoral. Para já, que ainda vamos no aquecimento do absurdo, nada está garantido, mas assim que Salazar for chamado ao barulho, Nuno Melo pode tratar de encomendar os foguetes.
apagou, por quê?
O deputado Carlos Abreu Amorim terá postado, na sua página do Facebook, um comentário comparando a Grécia a Portugal na tragédia dos incêndios, bem como noutras tragédias também relevantes, como as respectivas bancarrotas de há alguns anos. A coisa gerou uma onda de indignação, com deputados da bancada horizontal do «só nós é que sentimos a dor dos pobres e desvalidos da sorte», como Isabel Moreira e João Galamba, a acusarem-no de oportunismo e, nomeadamente a primeira, a dizer que não se pode «descer mais baixo».
Não querendo saber a que baixos níveis se referia a deputada socialista, parece-me que o deputado do PSD tem evidente razão no que disse, e só é de lamentar que tenha apagado o post, no que também ele cedeu à brigada do politicamente correto. É evidente que estes factos não coincidem, por acaso, nos dois países, e que há uma relação directa entre um estado que repetidas vezes vai à falência e que não consegue prevenir e resistir, com eficácia, a este tipo de tragédias. Chama-se, a isso, falta de recursos, sejam recursos humanos, sejam recursos materiais. Falta de vigilância florestal, falta de aviões, falta de equipamentos decentes para os bombeiros, falta de meios profissionais de comunicação, etc..
Se Portugal ou a Grécia tivessem tido governos sensatos que não os tivessem desgraçado economicamente, disporiam, certamente, de mais e melhores recursos para apostar na segurança dos seus cidadãos, missão que é a primeira de todas a justificar a sua existência. Assim, é o que por cá e por lá se vê, ao contrário do que acontece na maioria dos países desenvolvidos.
Livro de estilo para notícias sobre atentados e ataques que podem ter como autores indivíduos não brancos e não cristãos
- O momento do atentado propriamente dito: Toronto shooting: Gunman kills woman and child in Greektown. The motive for the shooting is unknown.
- Segue-se a condenação e a solidariedade com as vítimas. Continua sem se saber nada sobre a identidade do autor. Pede-se que não se especule sobre as motivações pq as autoridades estão a investigar. Culpa-se a falta de regulação no acesso às armas de fogo e se o atentado for no Canadá a proximidade com os EUA. Na Europa não se fala de proximidade alguma. Se o atentado for com faca, automóvel ou ácido a questão da arma não conduz aos EUA. Police said it was too early to provide a motive for the shooting, but local councillor Paula Fletcher said: “It’s not gang related. It looks like someone who is very disturbed.”
- Algumas horas depois sabe-se o nome do autor do atentado. Mas já não vale a pena fazer notícia. Como é óbvio trata-se de um desequilibrado. Canadian officials have identified the man responsible for a mass shooting in Toronto as Faisal Hussain. Faisal Hussain’s family say he has had mental health problems for much of his life
Extra! Extra! Avião aterrou em aeroporto!
Recentemente, foi notícia que um avião aterrou num aeroporto. Sim, pode ser “o maior avião do mundo” e também pode ser o aeroporto mais ridículo do mundo, mas, para todos os efeitos, a notícia é de que um avião aterrou num aeroporto.
Estou bastante entusiasmado com as próximas notícias de “carro é conduzido numa auto-estrada”, “barco atraca num cais” e “taxista transportou passageiros sem parar para bater num condutor da Uber”.
Felizmente, este país existe, porque, se não existisse, ninguém teria imaginação para o inventar.
E assim o ataque no Canadá resulta do problema com as armas de fogo (e tb da proximidade com os EUA). Os acontecimentos desta noite na Quinta do Mocho resultam de um problema com as facas (e com os grupos rivais sendo que nunca percebemos de que grupos e rivalidades se trata donde presumimos que devem ser cozinheiros a lutar com talhantes). Já este ataque a uma criança com ácido em Inglaterra deve resultar da facilidade no acesso às substâncias corrosivas pro parte das empregadas de limpeza (ainda nos vão proibir a lixívia )
Sem concessões mas com ciática?
Vamos separar as crianças das famílias?
Tendo em conta tudo o que está internacionalmente convencionado mais o fervilhante activismo:
a) as crianças devem seguir sós para a Casa de Acolhimento para Crianças Refugiadas (CACR) do Conselho Português para os Refugiados (CRP)
b) as crianças devem seguir com as mães para a Casa de Acolhimento para Crianças Refugiadas (CACR) do Conselho Português para os Refugiados (CRP)
c) as crianças devem seguir com a mãe e o pai para a Casa de Acolhimento para Crianças Refugiadas (CACR) do Conselho Português para os Refugiados (CRP)
d) as crianças devem seguir com o pai para a Casa de Acolhimento para Crianças Refugiadas (CACR) do Conselho Português para os Refugiados (CRP)
e) as crianças devem seguir com quem as trouxe para a a Casa de Acolhimento para Crianças Refugiadas (CACR) do Conselho Português para os Refugiados
VERSÃO ANOTADA PELOS LEITORES
É que nem quaaludes são tão bons nisto
A Geringonça é a invenção mais útil desde o sabão em barra. Desde que a inovadora monstruosidade exibiu a sua carantonha, o país evoluiu da ignóbil situação de velhos que morrem sozinhos e de crianças esfomeadas em escolas para a possível morte colectiva, comunal, de quem quiser passear pelo “interior profundo”, a saber – e desta vez –, algures numa auto-estrada na zona de Palmela. Desta vez, contudo, ninguém morreu, pelo menos que se saiba, a julgar pelas capas de jornal, que, em vez de maçadores destaques sobre inversão de marcha em auto-estrada a distâncias metropolitanas de Lisboa, optam por coisas mais importantes como deputados não irem de férias para Portalegre. Melhor que a invenção da Geringonça só mesmo a da metaqualona.

Será a isto que se chama direito ao esquecimento?
António Filipe, Janeiro de 2014 a propósito da privatização dos estaleiros de Viana do Castelo: “Nós entendemos que a indústria naval é necessária ao nosso País e rejeitamos totalmente a decisão política do Governo de liquidar a construção naval em Portugal. Garantias de que os Estaleiros Navais de Viana continuarão a fazer construção naval não há nenhumas. Zero garantias de que a empresa poderá continuar a fazer aquilo que sempre soube fazer.“
Nos afamados serviços privados de saúde frequentados pelo deputado comunista António Filipe existem certamente consultas para a perda de memória. Ma se não for esse o caso o senhor deputado terá de se desenvencilhar no centro de saúde da sua residência e entre a consulta de urgência mais a espera por uma desistência e a marcação no médico de família para daqui a dois meses deve conseguir que alguém o trate de tão grave problema. Até lá pode ir tomando
E que tal um serviço nacional de alojamento local?
O Porto bem vivo!
Ligo o rádio e ouço sempre a mesma coisa. Algumas canções boas, destruídas pelo limitador dinâmico da rádio, outras destruídas à partida pela hiper-compressão durante a produção do master, mas, essencialmente, a rádio transmite um monte de trampa que serve apenas o propósito de torturar cérebros que se querem acordados durante a condução. Posso sempre mudar para a TSF, se quiser ouvir trampa de outro género (os especialistas diriam tratar-se de spoken word, mas, apesar de montes de spoken, raramente ouço alguma word com interesse). Mantenho laboriosas playlists nos dispositivos móveis, incluindo alguns álbuns essenciais de ponta a ponta, e é assim que normalmente vivo, sem interferência da rádio, tanto calhando em sorte um “These Arms of Mine” de Otis Redding como um “Signed, Sealed, Delivered (I’m Yours)” de Stevie Wonder; tanto um “Forgiving You Was Easy” de Willie Nelson como um “Substitute” dos The Who; tanto um “Truck Stop Girl” dos Little Feat como um “Glad” dos Traffic; tanto um “This Is Me Leaving You” de Mary Chapin Carpenter (com o extremo bom gosto da guitarra do saudoso John Jennings) como um “Fill Me Up” de Shawn Colvin; tanto “I Wanna Be Your Lover” de Prince como um “I Love L.A.” de Randy Newman; tanto um “Hang Down Your Head” de Tom Waits como um “Funerais” de António Pinho Vargas; tanto um “Os Bravos” de José Afonso como um “A Candle’s Fire” dos Beirut. Não fosse a música digital e o mix-‘n’-match de mixtapes digitais, estaria completamente estúpido pela rádio. Dito isto, é raro encontrar, desde o início do século, um álbum que me apeteça ouvir de ponta-a-ponta. Este ano ainda não tinha encontrado nenhum, até que ouvi algo que me chamou a atenção, saindo do quarto do meu filho de onze anos, por uma voz que me pareceu reconhecer: “somos todos condutores de carroceis / não lemos mapas, andamos aos papeis / então deitamos fora a sorte deste norte fazemo-nos reis / já que a lua se pode comportar assim”. Como se isto não bastasse, toca a descrever-me (sim, é sobre mim, como todas as boas canções), logo de seguida, assim: “sou dos do bem mas não sei bem o que é do mal / sou um céptico optimista, hipócrita ocasional / e se observo mudo o resultado experimental / então que a lua sorri só porque sim”.
Apple Music a ajudar, encontro a canção “Efeito do Observador” d’Os Azeitonas. É isto. Ouço o resto do álbum, por afinidade prévia com a banda, não tendo dado pelo lançamento deste álbum, “Banda Sonora”. Ouço, esperando encontrar uma ou outra canção que me leve a passar à frente: nada. Cinquenta e sete minutos de pura classe. Mete outra vez. Mais uma. Encontrei o álbum de 2018 que me vai afastar mais uns tempos da rádio. Curioso que, no ano passado, um dos albums que causou o mesmo efeito tenha sido o “Giesta” do ex-Azeitonas Miguel Araújo. Apesar de tanta treta sobre a defesa de quotas para música portuguesa na rádio, meto as mão no fogo que nada deste “Banda Sonora” passará na rádio: é bom demais para isso. Atrevo-me até a dizer que todo o disco emana um odor a Porto que a corte não compreende: que bom, o Porto está vivo e bem vivo. Parabéns, rapaziada (“rapaziada” inclui rapariga, é da gramática, ó chanfradas lisboetas).
Mais um esfaqueamento. Desta vez na Alemanha. Mais uma vez tivemso as notícias com a edição do costume:
“A polícia alemã confirma um total de oito pessoas feridas, uma com gravidade, no ataque perpetrado por um homem, com arma branca, no interior de um autocarro na cidade alemã de Lübeck, norte do país. A polícia alemã confirmou, entretanto, que não há sinais de antecedentes terroristas no ataque.” TOMAMOS NOTA COM JÚBILO :” não há sinais de antecedentes terroristas no ataque“ É UMA VERDADEIRA FELICIDADE SABER QUE NÃO TEVE MOTIVAÇÃO TERORISTA O FACTO DE, NUM AUTOCARRO, UMA CRIATURA LARGAR UMA MOCHILA DONDE SAI FUMO, EM SEGUIDA ESFAQUEAR UM HOMEM NO PEITO E VÁRIAS OUTRAS PESSOAS EM QUE SE INCLUI O MOTORISTA. JÁ AGORA O QUE SE ENTENDE POR “antecedentes terroristas”?
“O agressor, que foi detido pouco depois do ataque por uma patrulha da polícia. Fontes policiais da cidade alemã afirmaram, através do Twitter que a “identidade do atacante é clara: É um alemão de 34 anos e mora em Lübeck”. COM TANTA CLAREZA PODIA TER-SE REFERIDO QUE O ATACANTE ERA DE ORIGEM IRANIANA. ERA SÓ PARA SER TUDO MAIS CLARO.
“A mensagem acrescenta que não há sinais de uma “radicalização política” no atacante ou de um contexto terrorista. TERÁ SIDO UM CRIME PASSIONAL? ESTOU EM CRER QUE TUDO ISTO ACONTECEU POR AMOR AOS AUTOCARROS: EXISTE UM GRUPO DE PESSOAS QUE NÃO CONSEGUE VER OS AUTOCARROS A CIRCULAR HORAS SEM FIM. VAI DAÍ ATACAM OS PASSAGEIROS!
O Ministério Público pediu “compreensão e paciência” na impossibilidade de dar mais detalhes sobre o agressor até que a sua identidade pudesse ser verificada com total certeza.” ESTA PARTE DA NOTÍCIA QUER DIZER QUE NO MOMENTO EM QUE AS AUTORIDADES FIZERAM ESTA DECLARAÇÃO JÁ SE DIZIA O HABITUAL NESTES ATAQUES QUE NÃO SÃO ATAQUES: ESTÁ A SER SONEGADA INFORMAÇÃO SOBRE O ATAQUE E O ATACANTE
E assim se criou mais uma taxa
Momento I: a CML de Costa/Medina cria uma taxa que só almas pérfidas seriam capazes de achar que algum dia recairia sobre os portugueses
2014: Residentes em Portugal isentos da taxa de chegada ao aeroporto de LisboaPara o vice-presidente da Câmara, de maioria socialista, [em 2014 era Fernando Medina[ o município dá assim «resposta ao fundamental das objeções levantadas». «Quisemos limitar ao mínimo possível as margens de erro», tentando criar «uma taxa que não abrangesse pessoas que não estão na condição de turista», justificou.
Momento II: a taxa vai agora ser alargada a todos. AS culpa vai ser obviamente chutada para Bruxelas
Não vejo como podem os residentes em Portugal pagar ter de pagar uma Taxa Municipal Turística em Lisboa. E muito menos como podem os lisboetas pagar uma Taxa Municipal Turísticaquando chegam de avião à sua cidade. Eu não sou turista em Lisboa. Vivo cá. Ou a taxa muda de nome e é devidamente justificada ou é extinta
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O ilusionista e sua partenaire vão trocar de papéis?
Naquele estilo épico que caracteriza toda e qualquer notícia que implique mais uma obrigação para as empresas o DN anuncia que as empresas vão ter de explicar porque contratam mulheres e homens para funções diferentes e publicar estatísticas no primeiro semestre de cada ano sobre as diferenças remuneratórias entre mulheres e homens. Pessoalmente acho que as empresas deviam recusar fazer estas estatísticas pela prosaica razão que elas representam um custo/encargo desnecessário tratando-se de um mero exercício de poder. Estas estatísticas já existem: todos os meses as empresas enviam os dados para pagamento dos seus trabalhadores à Segurança Social. A secretaria de Estado para a Cidadania e Igualdade pode se quiser pedi-los e tirar as conclusões que lhe aprouver.
Sonhos de criança para todos

De acordo com um dos clássicos do anedotário internacional, a diferença entre um diplomata e uma senhora é que se o primeiro disser “não”, deixa de ser um diplomata, e se a segunda disser “sim”, deixa de ser uma senhora. Foi para libertar os diplomatas e as senhoras destes embaraços que a civilização desenvolveu, durante séculos, todo um conjunto de palavras, olhares, gestos e atitudes que tornam desnecessário o uso desses secos símbolos da objectividade. No entanto, aparentemente, esse tempo chegou ao fim. Segundo os jornais, Carmen Calvo, vice-presidente do Governo espanhol e ministra da Igualdade, pretende alterar a legislação sobre delitos sexuais, criminalizando todos os actos que não tenham sido expressamente precedidos por um inequívoco “sim” do lado feminino. No fundo, estamos a falar da obrigatoriedade legal de ajustes na linha do tempo, os quais, para quem acompanhava a programação do canal Viver/Vivir, se podem traduzir na antecipação do “sí, cariño” que apenas se ouvia no decorrer do enredo. É, em suma, a vitória da prolepse no competitivo mercado das anacronias.
Mais do que pelas excelentes perspectivas de negócio para os notários, o novo quadro legislativo dos nossos vizinhos surpreendeu por dispensar os homens de igual manifestação de vontade, pois caso a investida amorosa seja da iniciativa da mulher, o “quem cala, consente” continua a vigorar. Só posteriormente, através de uma outra intervenção pública de Carmen Calvo, se percebeu o motivo: de acordo com a distinta cabreña (nasceu no município de Cabra, província de Córdova), as mulheres passaram toda a vida a ouvir os homens e por isso conhecem-nos muito bem; já os homens, por não escutarem as mulheres, ignoram como é que elas funcionam. Estamos, assim, na presença de um confronto entre a adivinhação e a audição, no qual as bruxas conseguem um ascendente claro sobre os surdos. E estamos, também, a assistir ao vivo à promoção do “ele não me ouve…” a assunto de Estado. Essa passagem, directamente do Consultório Sentimental da revista Maria para a mesa do Conselho de Ministros, contribuirá certamente para o reforço da igualdade, se não entre géneros, pelo menos entre classes.
Espero que não me compreendam mal: sou totalmente a favor da existência do Ministério da Igualdade. Julgo é que a abordagem deve ser mais ampla. A minha mulher, por exemplo, quando era criança, divertia-se a limpar, embalar e alimentar Nenucos; agora, que ela já tem a alegria de limpar, embalar e alimentar bebés a sério, era importante que o governo tratasse de mim, providenciando-me carros desportivos reais, barcos de recreio genuínos e caças F-16 verdadeiros. Estou até disposto a fazer uma promessa à Doutora Carmen Calvo: quando os meus sonhos de criança forem realizados à força de lei, está autorizada a vir cá a casa lavar-me as orelhas.
O monstro tem de crescer ainda mais
Será que os autores destes crimes eram mulheres bonitas?
A FIFA pretende que os operadres de câmara “deixem de focar nas raparigas que podem ser consideradas atraentes” mas será que também deu ordens para que não sejam divulgadas as imagens das celebrações no país que venceu o mundial? Ou talvez os autores destes crimes sejam mulheres bonitas e portanto mostrá-las a escavacar, bater e queimar era uma forma de sexismo. Deve ser isso.
A linguagem conta
Lamento imenso o que vos aconteceu. Não posso concordar que tenham sido “vítimas de homofobia” porque tal não existe, é um conceito imbecil, como ser vítima de aracnofobia (excepto se for tratador de tarântulas, aí parece-me que é mais vítima do emprego que das aranhas propriamente ditas). Vocês foram é vítimas de cabrões, o que é muito diferente, até porque os cabrões não padecem de medos debilitantes e sim de certezas obtusas sobre o que deve ser a vida dos outros. Pois, na realidade, foram é vítimas de socialistas. Pensem nisso.
Onze edifícios do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, que hoje são usados como escritórios da Segurança Social, serão transformados, entre 2019 e 2020, em habitações com “rendas acessíveis”, numa parceria com a Câmara Municipal de Lisboa. O acordo para este projeto será assinado esta segunda-feira, revela a “TSF”.
Espa operação só é aceitável se a CML indemnizar a Segurança Social. Não é aceitável que o património da Segurança Social não seja devidamente rentabilizado simplesmente para ajudar um autarca e uma autarquia. A Segurança Social é nacional e não local, os trabalhadores do Algarve e de Trás-os-Montes nada têm a ver com os problemas de habitação de Lisboa e esperam sim que a Segurança Social trate do seu património de modo a assegurar o pagamento das reformas. Esta operação não resolve problema algum permite apenas uma operação de propaganda e é espantoso que os sindicatos assistam a esta negociata calados.
As selecções de pretos e os palermas conservadores
Têm quase duas semanas para resolver o assunto
E o SOS Racismo quando se pronuncia? Ou também não sabe o que pensar?
Portanto são desequilibrados mentais?
Como se sabe a cada atropelamento acontecido da Europa os autores desses actos são inevitavelmente desequilibrados. Jamais agem por motivação terrorista quando muito estão ofendidos por não terem tido direito a casas sociais nos centros das cidades. Só pessoas intolerantes podem achar que se está diante de criminossos. São obviamente desequilibrados e excluídos a merecerem toda a nossa solidariedade. Quando muito lobos solitários.
Processo de domesticação em curso
Uma caixa a mais, uma granada a menos
Depois dos ridículos episódios de Tancos e da pantomina política em torno do tema, o ministro da Defesa, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas e o chefe do Estado-Maior do Exército vieram a público na altura assegurar que todo o material desaparecido tinha sido encontrado, sendo que até tinha sido descoberta uma caixa de munições extra, para gáudio dos personagens.
Aparentemente, vem agora a saber-se que afinal andam ainda por aí espalhados algures explosivos e granadas que não foram encontrados nos canaviais da Chamusca e que deveriam estar guardados em Tancos.
No caso da tragédia dos incêndios do ano passado o Presidente da República, a muito custo, lá exerceu pressão para que António Costa demitisse a infeliz ministra Constança.
Bem sei que não ajuda à autoridade nem à credibilidade do Comandante Supremo das Forças Armadas a imagem da cantoria da “casinha” no festival de música de há dias, mas não seria desejável que Marcelo zelasse pelos mínimos de dignidade da função que ocupa e dissesse que é chegado o momento de Azeredo Lopes nos poupar à sua incompetência governativa?
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ainda vão a tempo
Julgo que me tenho expressado indevidamente nos textos que tenho publicado sobre o liberalismo português, o último dos quais a propósito de uma polémica entre o Vitor Cunha e o Carlos Guimarães Pinto. Para mim, ao contrário do que me parece que o Carlos julga, o ponto não está em discutir a bondade, nem a presumível utilidade, das ideias liberais que vêm de fora, que, aliás, eu abraço entusiasticamente, mas tentar compreender por que é que elas, sendo tão virtuosas, nunca vingaram entre nós. É que, como tenho insistido, nós tivemos, durante boa parte do século XIX, um liberalismo político e económico. Só que esse liberalismo não foi de influência inglesa, mas francesa, e, por isso, considerava que a liberdade se realizava no estado e na cidadania (no vínculo jurídico-político de um indivíduo a um estado), no proteccionismo económico e na estruturação de um estado moderno segundo o modelo napoleónico. Foi essa a opção consciente dos nossos liberais oitocentistas, à qual as elites políticas – da esquerda à direita – aderiram sem excepção (ou com a excepção miguelista, mas essa não se enquadrava no que falamos), quando poderia ter sido outra. O país, por essa época, conhecia e lia Blackstone, Smith, Locke, Hume, Tocqueville, Ricardo, o constitucionalismo histórico inglês, a Revolução Gloriosa e a Americana e, ainda assim, preferiu a Enciclopédia e 1789. Porquê? Não tenho uma resposta concludente para esta pergunta, mas várias hipótese que procuram interpretar esse facto, que é inegável, e é isso é o que me parece importar. Dito doutro modo, se não pegou na altura em que fizemos a primeira escolha, nem ao de leve lhe chegámos nos duzentos anos que se lhe seguiram, por que há-de ser agora uma escolha dos portugueses? Ou será que não temos todos presentes que o governo de Passos Coelho “falhou devido ao radicalismo ideológico liberal” e que, nos dias que correm, «neoliberal» substituiu o epíteto calunioso de «fascista»?
Por isso, meu caro Carlos, não vejo que partido liberal algum possa fazer o que quer que seja pela liberdade que me entusiasma sem que os seus dirigentes tenham isto muito claro, percebido e, sobretudo, explicado, para lhe procurar o antídoto. Mas quando vejo agremiações de analfabetos – e, lamento a expressão, mas não se me ocorre outra – a garantirem um futuro sorridente sem olharem para o passado, fujo a sete pés. Pessoas que proclamam soluções milagrosas para um país e uma sociedade que, no fim de contas, desconhecem por inteiro e se recusam a conhecer, porque acham que pensar e debater não configura o conceito de «acção transformadora do mundo», o que me leva a crer estar perante brincadeiras de rapazes viciados na politiquice das jotas. Enfim, se querem ser levados a sério, não brinquem com coisas sérias. São novos, ainda vão a tempo.


