Ó Catarina, depois onde vão ser tratados os dirigentes do BE?
Os portugueses “raizosparta” e os aristozeros
Os portugueses “raizosparta” acreditavam que os deputados eram eleitos para que a sua vida fosse mais digna não para que os deputados, enfastiados da discussão em torno das condições de vida, se empenhassem com fúria e zelo na definição das condições da morte. Digna, dizem eles. Os portugueses “raizosparta” nunca fazem o suficiente, nunca pagam impostos suficientes e nunca se esforçam o suficiente de modo a cumprirem o admirável mundo novo que os aristozeros lá das suas “ZERES” sonham impor. Uma ZER não é apenas uma Zona de Emissões Reduzidas, é sim a cidadela dos aristozeros: o local onde não há espaço para as questões irritantes dos portugueses “raizosparta” como os assaltos ou a degradação cívica, intelectual e moral que se vive nas escolas públicas. Apenas gente bonita achando que alimenta o mundo e o salva do impacto ambiental da agricultura industrializada porque cultiva ciboulettes em vasos ditos orgânicos na varanda.
É isto
João Gonçalves: «Primeiro-ministro anunciou no Twitter que irá sugerir ao Presidente da República a condecoração de Arménio Carlos “pelos serviços meritórios praticados” nas funções de secretário-geral da CGTP.” Não há limites para o cinismo frio deste homem. Ignora o camarada do PS Carlos Silva, da UGT, e quer condecorar o sindicalista do PC porque nunca se sabe. Um país refém disto é um país de merda.»
Os privados, o lucro e a eutanásia
Vi por aí indignação pela circunstância de grupos privados de saúde anunciarem que nas suas redes de cuidados não matarão doentes, ou seja, não practicarão a eutanásia.
Considerar esta decisão ofensiva dos direitos e liberdades individuais é absurda, desde logo porque supostamente quem é favorável à eutanásia não pretende que a práctica seja generalizada, muito menos obrigatória, mas apenas uma opção disponível. A fúria contra os privados é também evidentemente tola porque uma empresa não deve ser obrigada a prestar serviços que não quer oferecer aos seus clientes, além de que os proponentes da despenalização da eutanásia querem que seja o SNS a “tomar conta da ocorrência”.
Mas, numa coisa estes indignados anti-privados têm razão: as considerações económicas (ou “economicistas”, como lhe costumam chamar) não deveriam distorcer ou impedir as boas decisões.
E aqui a questão que se coloca é que cuidar dos enfermos e prestar cuidados paliativos sai muito caro e o SNS não tem dinheiro.
Ou melhor: sairia caro porque hoje apenas uma ínfima percentagem dos cuidados paliativos necessários é assegurada pelo SNS…
Do ponto de vista do governo e do estado, para gestão das finanças públicas, é muito mais simples e fácil de executar cortes ou cativações a eito. Essa é e será a cultura dominante na administração pública pois seria muito mais complexo alterar as prioridades e opções de investimento, já para não falar da sustentação política que tais medidas exigiriam.
Um doente que esteja bem informado sobre cuidados e acções disponíveis para prolongamento com qualidade da sua vida torna-se um centro de custo.
Um doente potencialmente caríssimo e uma despesa extra potencial que importa evitar.
Por muito eticamente conscientes e compassivos que sejam os profissionais do sector, os incentivos são o que são e, mais ou menos inconscientemente, as pessoas respondem a eles.
É fácil de perceber as consequências que daqui poderiam advir…
Por isso importa a todo o custo que no mercado, privado, não estejam disponíveis nem visíveis alternativas à opção definitiva pela eutanásia.
Certamente a Dona Moreira e a Dona Mortágua condenarão o objectivo de obtenção de lucro pelos operadores privados de saúde ao apresentarem serviços adicionais para prolongamento de vida aos doentes. Mas é precisamente esta procura de lucro que moraliza o mercado ao tornar mais informadas as pessoas e, sobretudo, ao dar mais graus de liberdade e escolha aos doentes para tomarem as suas próprias decisões.
Já sabemos que um rico tem sempre acesso a serviços diferenciados.
Mas no caso de um pobre pedir para o matarem se calhar será mais conveniente este não chegar sequer a saber que se tivesse dinheiro poderia viver mais tempo…
Deve ser a isto que se chama populismo, não é?
Via Porta da Loja descobri isto. Os indignados do populismo não têm nada a dizer? Imaginem quantos cordões humanos já teriam sido feitos caso o alvo da peça fosse um alguém apreciado pelo sistema “mediático-diz que sou artista”.


Não é que fosse difícil de prever
Não é de hoje a minha antipatia pelo partido Iniciativa Liberal. Não que interesse a alguém, mas considero que desde a sua formação há uma componente mística do liberalismo assente num neo-paganismo bizarro, uma conexão hipster entre princípios doutrinários arranhados ao liberalismo clássico e a fusão do capitalismo com a elevação de uma religião laica atraente a bloquistas que desgostam dos batuques de djembés.
Após uma fase de notória evidência para que a motivação do partido fosse a de pegar nos mesmos temas identitários do Bloco de Esquerda pelo prisma de sapatos de vela, e sob risco de extinção precoce, o partido teve uma liderança que permitiu apaziguar o ímpeto progressista com propostas mais ou menos bem conseguidas de modernização do país para fora das amarras ineficientes da esfera estatal. Todavia, apesar de um resultado eleitoral surpreendente, a insustentável manutenção dos ímpetos fervorosos pela renovação social com trela curta – se não estás satisfeito com o teu país, muda o seu povo, já diria um Mao – revelou-se com a demissão do líder e o consequente regresso do partido às suas origens.
Pode até crescer eleitoralmente: o Bloco também cresceu. Contudo, será sempre crescer pelo aburguesamento dos tipos de djembé, não pelo eleitorado cuja preocupação é se terá ou não reforma. Ou, se tudo correr bem, extinguir-se-á sem alarido na redoma das certezas que o mundo moderno cria nas ilhas privadas da psique de cada um. Depois dos cartazes criativos não há mais nada a vender a eleitores que não hubris. Também estou certo que muitos amigos que ainda conseguem fazer o difícil exercício de se reverem no partido acabarão por pacificamente e sem espalhafato dedicarem-se a coisas mais nobres como a de deixarem de atribuir novas funções ao estado. Até porque para um Bloco de Esquerda que quer pagar menos impostos já temos, para o que daí é exequível, o Bloco de Esquerda.
Do mito ao #metoo
O Carlos M. Fernandes disseca o “feminismo” na Coluna semanal da Oficina da Liberdade no Observador e demonstra o ressentimento de que vive e o totalitarismo para onde nos leva.
Um excerto:
Num sistema fundado na igualdade, os crimes não têm sexo, cada um é responsável pelas suas decisões e a presunção de inocência é um princípio inviolável. Na distopia feminista, a culpa, se não pode ser atribuída ao homem ou ao patriarcado, deve ser pelo menos partilhada. E, na carência de culpados, a árvore do progressismo é regada de quando em quando com o sangue dos inocentes. O feminismo contemporâneo é inimigo de qualquer sociedade que se quer aberta, livre e tolerante.
Recomendo a leitura completa do texto.

O mundo fora da bolha da gente bonita que faz programas fofinhos e leis inovadoras
*A redução administrativa de 3% nos preços pagos pelo Estado ao sector convencionado dos meios complementares de diagnóstico e de terapêutica está a condicionar o acesso a exames fundamentais. O exemplo das ecografias obstétricas, para as quais faltam médicos dispostos a trabalhar pelos valores que o Serviço Nacional de Saúde paga, é um dos casos mais graves.
*A imoralidade da renda acessível em Lisboa. Fernando Medina prometeu 6000 casas de renda acessível, mas não produziu uma única: está a tirá-las da habitação social.
*Mais de 30 cabras e ovelhas mortas por cães vadios em Viana do Castelo
Empatia my ass
O argumento da empatia é a coisa mais manhosa que se pode usar para defender a eutanásia. Em primeiro lugar, porque empatia têm as pessoas da esquerda, aquelas que nos amam a todos e querem tanto o nosso melhor que, por eles, nem haveria ensino ou medicina privada; adoram-nos de tal forma que sabem exactamente o que queremos, o que devemos querer e a forma como o conseguir. Em segundo lugar, porque a empatia existe num plano de conexão entre pessoas individuais. Eu sinto empatia pelo Zé, que sente empatia pelo Joaquim, que por sua vez acha que eu sou um idiota. Ninguém sente empatia por grupos, como em “este grupo de pessoas, coitadinhas, vítimas de um terramoto, um grupo tão distinto que incluía mães, crianças e três violadores, merecem toda a minha empatia”. Ora, o que a eutanásia de estado é é precisamente a falta de empatia: o velho quer morrer? – Manda-se para o médico, que tem a empatia obtida pelos cinco minutos necessários para o matar, tudo isso depois de passar pelo processo de avaliação do estado – esse ente tão empático – que, com a máxima empatia, ainda consegue avaliar a veracidade da vontade expressa (são velhos amigos, o velho e o estado).
Usem os argumentos certos. Digam antes assim: não vejo qualquer problema em envolver o estado na tragédia pessoal de uma pessoa se for para autorizar um funcionário para que este cometa homicídio. Porque o estado dar autorização para homicídios tem tudo para correr bem: afinal, o estado é o supra-sumo da empatia.
Conversar sobre um mundo mais justo e fraterno.
Lula da Silva descreve o encontro de hoje como um “encontro com o Papa Francisco para conversar sobre um mundo mais justo e fraterno”.
O problema mantém-se.

Entre iguais
Um “debate” entre todos proponentes do sim.

*
À atenção dos eco-betos
Carlos Neves: «Os nossos avós faziam “policultura” porque tinham famílias numerosas a trabalhar de graça e “moços de lavoura” muito baratos. Muitos eram os vossos pais e avós, que emigraram para a cidade ou para o estrangeiro à procura de uma vida melhor. (…) Nós, os que ficamos na terra a produzir a carne, o leite, os ovos, a fruta, as hortícolas ou o algodão da vossa roupa, fomos os que aceitamos usar máquinas, adubos, pesticidas e todas as coisas que fazem parte da agricultura moderna, tão moderna como o vosso carro, o vosso telemóvel, as vossas máquinas de lavar roupa, louça e os detergentes que colocam lá dentro»
Não, não é uma questão de exagero. É sim uma questão de poder
Se existisse uma maioria no parlamento que resolvesse mudar a legislação sobre o aborto, sem ter inscrito tal nos seus programas, isso seria aceite com fatalismo? Como se se tratasse de uma questão de exagero de parte a parte?
Não, o debate neste momento em torno da eutanásia não é uma questão de exageros como escreve o JCD mas sim de uma parte da cidade viver uma cidadania de segunda: as suas opiniões nunca são as que deveriam ser, a sua contestação nunca muda nada e para cúmulo os seus líderes dão-se bem com isso!
Pode ser-se a favor ou contra a eutanásia mas em caso algum se pode ser a favor da transformação do processo legislativo num instrumento do sentido único da História.
Repito a pergunta porque assim fica tudo mais óbvio se existisse uma maioria no parlamento que resolvesse mudar a legislação sobre o aborto, sem ter inscrito tal nos seus programas, isso seria aceite com fatalismo? Como se se tratase de uma questão de exagero de parte a parte?
Exageros
As pessoas que defendem a eutanásia não são pérfidas. Fazem-no por achar que faz sentido ajudar quem pede ajuda para acabar com um sofrimento que consideram intolerável e não porque querem “matar os velhinhos”.
As pessoas que são contra a eutanásia não são impiedosas. Não são contra porque desejam o sofrimento alheio, mas porque acreditam que manter a vida é um valor acima de qualquer consideração alternativa.
Respeito todos, incluindo os que exageram na fundamentação das suas certezas e pensam que os “adversários” são pérfidos ou impiedosos.
Eutanásia: é mesmo isto
«O debate sobre a introdução legal da possibilidade da provocação da morte antecipada não corresponde à discussão sobre hipotéticas opções ou considerações individuais de cada um perante as circunstâncias da sua própria morte. É, sim, uma discussão de opções políticas de reforçada complexidade e com profundas implicações sociais, comportamentais e éticas.
A legalização da eutanásia não pode ser apresentada como matéria de opção ou reserva individual. Inscrever na Lei o direito a matar ou a matar-se não é um sinal de progresso mas um passo no sentido do retrocesso civilizacional, com profundas implicações sociais, comportamentais e éticas que questionam elementos centrais de uma sociedade que se guie por valores humanistas e solidários.
A ideia de que a dignidade da vida se assegura com a consagração legal do direito à morte antecipada, merece rejeição (…)
A oposição (…) à eutanásia tem o seu alicerce na preservação da vida, na convocação dos avanços técnicos e científicos (incluindo na medicina) para assegurar o aumento da esperança de vida e não para a encurtar, na dignificação da vida em vida. É esta consideração do valor intrínseco da vida que deve prevalecer e não a da valoração da vida humana em função da sua utilidade, de interesses económicos ou de discutíveis padrões de dignidade social.
2. A invocação de casos extremos, para justificar a inscrição na Lei do direito à morte antecipada apresentando-o como um acto de dignidade, não é forma adequada para a reflexão que se impõe. Pode expressar em alguns casos juízos motivados por vivência própria, concepções individuais que se devem respeitar mas é também, para uma parte dos seus promotores, uma inscrição do tema em busca de protagonismos e de agendas políticas promocionais.
A ciência já hoje dispõe de recursos que, se utilizados e acessíveis, permitem diminuir ou eliminar o sofrimento físico e psicológico. Em matérias que têm a ver com o destino da sua vida, cada cidadão dispõe já hoje de instrumentos jurídicos (de que o “testamento vital” é exemplo, sem prejuízo dos seus limites) e de soberania na sua decisão individual quanto à abstinência médica (ninguém pode ser forçado a submeter-se a determinados tratamentos contra a sua vontade). A prática médica garante o não prolongamento artificial da vida, respeitando a morte como processo natural recusando o seu protelamento através da obstinação terapêutica. Há uma diferença substancial entre manter artificialmente a vida ou antecipar deliberadamente a morte, entre diminuir ou eliminar o sofrimento na doença ou precipitar o fim da vida.
3. Num quadro em que o valor da vida humana surge relativizado com frequência em função de critérios de utilidade social, de interesses económicos, de responsabilidades e encargos familiares ou de gastos públicos, a legalização da provocação da morte antecipada acrescentaria uma nova dimensão de problemas.
Desde logo, contribuiria para a consolidação das opções políticas e sociais que conduzem a essa desvalorização da vida humana e introduziria um relevante problema social resultante da pressão do encaminhamento para a morte antecipada de todos aqueles a quem a sociedade recusa a resposta e o apoio à sua situação de especial fragilidade ou necessidade. Além disso a legalização dessa possibilidade limitaria ainda mais as condições para o Estado promover, no domínio da saúde mental, a luta contra o suicídio.
4. O princípio da igualdade implica que a todos seja reconhecida a mesma dignidade social, não sendo legítima a interpretação de que uma pessoa “com lesão definitiva ou doença incurável” ou “em sofrimento extremo” seja afectada por tal circunstância na dignidade da sua vida. E ainda mais que ela seja invocada para consagrar em Lei o direito à morte, executada com base numa Lei da República.
A vida não é digna apenas quando (e enquanto) pode ser vivida no uso pleno das capacidades e faculdades físicas e mentais e a sociedade deve assegurar condições para uma vida digna em todas as fases do percurso humano, desde as menos autónomas (seja a infância ou a velhice) às de maior autonomia; na presença de condições saudáveis ou de doença; no quadro da integridade plena de faculdades físicas, motoras ou intelectuais ou da deficiência mais ou menos profunda, congénita ou sobreveniente.
O que se impõe é que o avanço e progresso civilizacionais e o aumento da esperança de vida decorrente da evolução científica sejam convocados para garantir uma vida com condições materiais dignas em todas as suas fases.
5. (…) afirma a sua oposição a legislação que institucionalize a provocação da morte antecipada seja qual a forma que assuma – a pedido sob a forma de suicídio assistido ou de eutanásia –, bem como a eventuais propostas de referendo sobre a matéria. (tirado daqui)
Ditadura iluminista
«A pouco mais de uma semana de debater e votar, na Assembleia da República, as cinco propostas de lei de descriminalizar a antecipação da morte em Portugal, já apresentadas pelo PS, Bloco de Esquerda, PAN, PEV e IL, o tema esteve em debate e votação na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.
O parecer, elaborado pela relatora Sandra Pereira, do PSD, foi aprovado, por unanimidade, pelos deputados da Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, depois de ficar acordada a eliminação da audiência prévia do movimento cívico Stop Eutanásia (ponto 7 do parecer).»
20 de Fevereiro, 12h 30, São Bento

Para este dia e para esta hora está convocada uma manifestação em São Bento contra a eutanásia. A este motivo eu junto outros: há que rejeitar a prática jacobina do parlamento. Repudiar os dois pesos e as duas medidas na hora de dar voz aos cidadãos. Não tolerar o simulacro de debate que ali vai ter lugar. O parlamento representa o povo não se representa a si mesmo.
Um dia acordamos e percebemos que é muito tarde: estamos reféns do “processo legislativo” e este só obededece ao comando socialista
“É praticamente impossível evitar que o processo legislativo não ocorra. Isto deverá ser aprovado e segue para a comissão, para a discussão na especialidade.” – declara a propósito da discussão da eutanásia Carlos Peixoto, vice-presidente da bancada do PSD.
Percebido? Isto é assim: a contestação só é válida se tiver o selo maçónico e ou socialista. No resto temos pena. É isto que neste momento também está a ser dito a propósito do debate da eutanásia: uma parte da socieddade vive uma cidadanioa de segunda: as suas opiniões nunca são as que deveriam ser, a sua contestação nunca muda nada.
O “processo legislativo” tornou-se uma burocracia sem rosto ao serviço de uma agenda que já não nos deixam discutir. Um dia, como agora está a acontecer com a eutanásia, percebemos que o processo legislativo se tornou a máscara de uma ditadura feita em nome do povo.
Na mesma semana de 17 a 21 de Fevereiro tem vários momentos em que os deputados se propõem legislar sobre o que não houve coragem de colocar à discussão dos eleitores como é o caso da eutanásia ou até sobre aquilo que os portugueses discutiram e rejeitaram como acontece com a regionalização: a 19 de Fevereiro, PCP e BE levam ao parlamento projectos de resolução que visam relançar o processo da regionalização, através da calendarização da criação das regiões administrativas. Serão estes projectos chumbados? Ou mesmo que sejam corremos o risco de ficar inscrito no “processo legislativo” que elas vão ser criadas e um dia somos informados que na proxima sexta-feira em hora e meia, mais minuto menos minuto, o assunto fica resolvido?
Aceitar que a eutanásia seja tratada como um expediente burocrático em 157 minutos é aceitar também que uma parte da sociedade portuguesa é constituída por cidadãos de segunda.
Nossa Europa
Vi na imprensa que políticos, académicos e artistas criaram uma plataforma cívica chamada “Nossa Europa” para “pôr fim ao desconhecimento da UE em Portugal” e que Marcelo Rebelo de Sousa apadrinha a iniciativa.
Não tenho especial gosto em ser desmancha-prazeres, mas começa mal a empreitada pois duas coisas fundamentais perceber seria que a Europa é bem diferente da União Europeia e que a Europa não tem donos e a UE não deveria tê-los.
Um dos mais importantes propósitos desta nova agremiação é “construir o maior Dicionário de Termos Europeus em português” e criar um “EUROOGLE.COM”. Será que vai surgir um novo Esperanto, uma língua desenhada centralmente por uma elite? Ou será apenas o “aportuguesamento” do jargão burocrático de Bruxelas e a tentativa de inventar conjuntos de caractéres sem qualquer significado e utilidade?
Esta nova instituição também se quer opor “à manipulação de notícias, aos factos alternativos e às fake-news” e por isso vai ela própria criar a sua narrativa pró-União Europeia e a “transmissão pedagógica de conceitos” que considerem correctos. Esqueceram-se de referir que é uma organização inclusiva, de combate às alterações climáticas e preocupada com os territórios de baixa densidade para fazer quase o pleno das causas da moda.
Mas quem são os promotores da iniciativa? Tudo gente nova nestas andanças. Uma lufada de ar fresco. Uma disrupção total com o sistema e os interesses. Não acreditam? Pois aqui têm os nomes: Carlos Coelho, Maria Manuel Leitão Marques, Marisa Matias, Carlos Moedas, Pedro Mota Soares, António José Seguro, Leonor Beleza, Nuno Severiano Teixeira, Luís Marques Mendes, Rui Tavares, Paulo Sande, Rui Marques ou Luís Represas.
Foram prudentes em não acreditar. São os mesmos de sempre e a corte lisboeta em peso.
É curioso que o “Nossa Europa” diz que a “diversidade de opiniões enriquece a sociedade plural em que vivemos”, mas não vejo entre os seus promotores euro-cépticos, nem anti-UE… Tem todo o ar de ser uma coisa melosa que em vez de pensar Portugal vai pensar a União Europeia.
Mas está bem feito. Para combater a indiferença, a apatia dos cidadãos e incentivar a participação cívica, além das caras novas que se apresentam vão ter um “Conselho Superior”, pois as ovelhas têm de ter os seus pastores…
Resumindo e concluindo: num país onde mais de 80% do investimento público provém dos fundos da União Europeia, é preciso educar o povo para saber mostrar-se grato pela esmola e para que continue amigo da coesão.

Um dia na vida de um professor
Como já o disse, não estava previsto voltar ao ensino. Depois da minha saída em 1994, quando leccionava Práticas Administrativas no Secundário – por já naquele tempo achar que esta profissão em que se anda de mochila às costas não oferecia estabilidade suficiente para poder organizar a minha vida -, nunca mais tive sequer vontade de retomar a carreira. A cada ano, as notícias sobre professores só me davam razão. Porém, e depois de muita insistência, acabei por aceitar substituir uma colega que saíra e não havia docente para suprir a vaga. Já lá vão 3 meses e ainda estou estupefacta com o estado a que chegaram as escolas públicas.
É preciso estar dentro do problema para entender o problema. Ninguém de fora, por muito que tente, consegue sequer vislumbrar o real estado da educação pública em Portugal. Ninguém. Mesmo contado, fica muito aquém. Mas vou tentar.
As escolas públicas parecem manicómios. Não, não estou a ironizar. As crianças têm mesmo imensos problemas de toda a ordem. E profundos. É perturbador. Numa sala de aula, mesmo na presença do professor, temos meninos que berram em vez de falar; que correm e saltam por cima das mesas; que choram por tudo e por nada; que atacam outros colegas com agressividade; que fazem bullying umas às outras; que têm necessidades já diagnosticadas de acompanhamento especial. Como é que se pode ensinar com qualidade os meninos que chegam assim e estão todos reunidos numa turma?
É muito fácil culpar os professores quando não se sabe com que batalhas se confrontam todos os dias. É dos desafios mais difíceis que já vi. E só agora percebo por que razão os meninos vêm da primária a saber pouco: é impossível ensinar nestas condições. Impossível.
Numa turma, enquanto estavam a fazer um trabalho de grupo, uma menina, a líder da turma, começa de repente um jogo: “quem gosta do professor levanta o braço!”. Toda a turma levanta o braço. “Quem quer que o professor nunca saia desta escola levanta o braço”. Todos levantaram o braço. “Quem não gosta do “H” levanta o braço”. Todos, excepto um, levantam o braço. “Quem quer que o “H” saia desta escola para sempre, levanta o braço”. Todos, menos um, levantaram o braço. Interrompi abruptamente a “brincadeira”, ainda tonta com o que acabara de ouvir. Escusado será dizer que a partir dali a aula foi de psicologia, com a advertência e a proibição absoluta destes comportamentos nas minhas aulas. Bullying em plena sala de aula sem constrangimentos? Está tudo doido? Como é possível, em meninos de 11 anos?
Numa aula do 1º ano explicava uma actividade que íamos desenvolver e, enquanto formávamos um círculo, dou conta que um menino e uma menina estavam de boca aberta e a tocarem-se com a língua, mesmo à minha frente. Quando os questionei sobre o que era aquilo, não responderam. Minutos depois voltaram ao mesmo e de novo tive de os separar. Estamos a falar de meninos com 6-7 anos.
Noutra ocasião, por um motivo fútil, começou uma batalha campal com um teor de agressividade que não se consegue imaginar em tão tenra idade. Uma violência tal, com expressões de fúria, que me obrigaram a separar os agressores exigindo um pedido imediato de desculpas, para passados poucos minutos voltarem ao mesmo.
Ontem as meninas divertiam-se com gritos estridentes e contínuos, de tal ordem que a funcionária (a única àquela hora) ao ver-me chegar disse num tom de desespero e cansaço: “isto hoje não se aguenta”.
É notório que os problemas vêm de casa. Sem qualquer sombra de dúvida. São meninos cuja maioria não sabe ter limites, não sabe respeitar colegas, não sabe obedecer, não sabe falar com educação, não sabe estar, não aceita ser contrariado e não sabe ouvir. Na origem disto, uma falha colossal de transmissão de valores, de afectos e de atenção.
Tenho a certeza que se os pais pudessem ver, através dos meus olhos, o que se passa dentro das salas de aula, mudariam completamente A EDUCAÇÃO em casa. Perceberiam que o problema geracional foi provocado pelas famílias e não nas escolas, e fariam “mea culpa”. Sem essa percepção, teremos futuros adultos cada vez piores. Porque as psicologias modernas ensinaram a anular a autoridade dos pais e dos professores, com pedagogias que transformam os seres humanos em pequenos ditadores. Tão simples quanto isto.
Muitos dirão que é ao professor que cabe impor respeito na sala de aula. Sim, é verdade, mas… quem se atreve a ser mais duro com estas “pobres criaturas”, para depois ser sovado pelos pais dos meninos reprimidos? Que professor se atreve a usar da sua autoridade, para depois ser literalmente abandonado pela Direcção da escola e até pelo próprio Ministério da Educação se houver algum problema? Ninguém.
Por isso, quando chego vejo rostos envelhecidos e sem alegria, como de quem vai cumprir pena, a deambularem pela escola. Dizem que são docentes. A mim parecem-me penitenciários.
Já pensei desistir e dei por mim a perguntar-me tantas vezes o que estava ali a fazer. É impossível seguir o programa. Todas as aulas são interrompidas mais de uma vez para impor ordem, separar alunos que se envolvem em lutas, consolar outros que foram vítimas de agressões, dar atenção a outros que se sentem perdidos ali. Mas como não sou de desistir dos desafios, assumi uma missão diferente: mudar estas crianças até ao final do ano, tornando-as melhores seres humanos. Será que consigo? Vamos ver.
QED
Ontem fui banido do Facebook por ter publicado o último artigo colocado aqui, no Blasfémias. Diziam na altura que seria por 24 horas, agora dizem que faltam 22, pelo que não sei realmente por quanto tempo estarei em silêncio nessa rede. Contudo, ficou demonstrado: é uma rede onde posso sugerir as maiores barbaridades, da morte de pessoas a genocídios, desde que ninguém tenha que passar pela desgraça que é ver uns mamilos femininos. Sendo masculinos não tem mal, pelo que até daria para uma bela dissertação sobre igualdade de género, mas não vale a pena complicar.
Publiquei no Observador um texto que gostaria que lessem. Divulgaria nas redes, mas, já se sabe, correria o risco de ficarmos chocados com a ideia de termos tido uma mãe que nos amamentou. Quem nos amamenta é o estado – ou, neste caso, o Facebook, que é bem mais que uma mãe.
O artigo que gostaria que lessem está aqui: Eles lá sabem o que é morte digna, meu coronel.
Jamila Bárbara
Alguém tem visto a secretária de estado adjunta da Saúde, Jamila Bárbara?
Na gestão da crise do vírus Corona, o padrão tem sido a ausência:
“Os anteriores diretores-gerais da Saúde tinham quatro subdiretores. Graça Freitas só tem dois e nenhum estava ao serviço. Um por baixa médica, compreensível, e outro por licença de paternidade, que devia ter interrompido logo que foi decretada a situação de ameaça internacional”, explica um dos peritos externos que tem apoiado a diretora-geral da DGS. (lusa)
Quem sabe se a Dra. Madeira e Madeira estará ocupada à procura de colchões e termómetros, como refere a imprensa ter acontecido à equipa de enfermeiros a escassas horas da chegada dos portugueses repatriados desde Wuhan.

Pornográfico
Cresci numa altura em que havia anúncios televisivos como o do Fá Fresh. Era um tempo em que conseguíamos distinguir o obsceno do belo. A minha geração, entretanto, foi crescendo e chegou à política; não por vias muito normais, porque o que mais há são toscos que se julgam aristocratas armados em senadores que se agarram com unhas e dentes à percepção de auto-importância, mas mais pelo lambecuzismo que estas coisas do poder dos jacobinos costumam fomentar.

Na altura, não era obsceno apresentar uma jovem de peito ao ar num anúncio. O que era obsceno era matar gente, como o que acontecia na Jugoslávia. Agora não há anúncios Fá Fresh: são obscenos. O que é belo agora é todos fingirmos que o estado mandar médicos executarem pessoas não é obsceno. Alguns até acreditam que é mesmo belo. O que não é só obsceno, é sobretudo pornográfico, a representação do obsceno.
Espero que a geração dos meus filhos volte ao Fá Fresh em vez de caminhar directamente para os campos de concentração que a minha deseja.
A vida são dois dias e o Carnaval são três
Em Portugal, partidos minoritários como são o PAN, a IL e o BE apresentaram agora propostas para a legalização da eutanásia. Pode (e na minha opinião deve) discordar-se das propostas apresentadas por estes partidos mas note-se que eles não enganaram ninguém: o assunto consta dos seus programas. O que não se entende nem pode aceitar é que partidos como o PS e o PSD, que não têm a eutanásia nos seus programas, que não tiveram a coragem de apresentar o assunto à consciência dos seus eleitores, se digam agora legitimados para votar a eutanásia após afectarem uns espantosos 157 minutos de discussão ao assunto. Não, não estou a delirar, segundo o site do parlamento, na tarde do dia 20 de Fevereiro os partidos apresentarão os seus argumentários em 157 minutos, votando em seguida a eutanásia. Depois ala que se faz tarde e os senhores deputados têm de ir brincar ao Carnaval.
Não sei porquê mas isto não me parece um bom negócio
Um funcionário da EDP bate-me à porta. Ao que parece a EDP quer propor-me que instale painéis solares: entre dois a trẽs mil euros. No fim pouparei 20 por cento da factura da luz. Tudo para ajudar o ambiente, diz o senhor.
Na verdade parece-me que é para ajudar a EDP: em primeiro lugar o investimento é enorme face à poupança. E em segundo e não menos importante se a EDP quer ajudar o ambiente compre ela os painéis solares, pague-os e produza energia solar que depois vende aos seus clientes.
Eu optaria por comprar paineis solares para me ver livre na medida do possível da EDP não para continuar a pagar-lhes uma brutalidade com o ónus de ter arranjado mais um encargo material e logístico – os painéis solares em si mesmos.
Talvez seja por viver num país governado por uma frente de esquerda…
que me começa a parecer indispensável a apresentação de um atestado de sanidade mental antes de se tomar posse como ministro, PR, deputado…
Azeredo Lopes diz que vê muitos filmes policiais e que por isso não estranhou encenação de Tancos
« Nous avons trouvé une solution, avec la famille.» – anunciam as autoridades francesas. Ou seja Mila vai voltar à escola mas não se sabe a qual, sobretudo não é claro que possa voltar ao seu antigo liceu. Entretanto aqui ficam transcritas algumas das ameaças que recebeu.

De Ruby Bridges a Mila ou da liberdade à submissão

Nos anos 60, nos EUA o poder do Estado mobilizou-se e mostrou-se para acabar com o segregacionismo nas escolas. Em 2020, o poder do Estado em França não se mostra nem se mobiliza para assegurar que uma adolescente consiga ir à escola, não uma em particular mas a qualquer escola: os segregacionista da jihad escolar conseguiram afastar das escolas públicas francesas os alunos judeus, calar todos os que não se mostram reverentes perante os islamitas e aterrorizar os que quebram esta lei não escrita mas real. Em resumo Ruby Bridges foi à escola até aí só para aluns brancos. Mila deixou de ir à escola e obviamente continua sem ser notícia.
O comando político da magistratura
Ontem Pedro Nuno Santos teve saudades da URSS e manifestou a sua intenção de fazer do Estado empreiteiro-geral.
Hoje, o dia também foi pródigo em notícias humorísticas, não fossem tristes reflexos da piolheira em que estamos metidos:
- Carlos César “ameaça” com demissão do governo.
- António Costa faz como Ferro Rodrigues e publica no website do Governo as suas respostas ao Juiz Carlos Alexandre no processo Tancos.
- A ministra da Agricultura diz que a crise epidemiológica do vírus Corona “pode ter efeitos bastante positivos para as exportações portuguesas
Entretanto, à “Direita”, a Iniciativa Liberal quer solenidade e burocracia para a eutanásia, o recém-eleito Presidente do CDS deixa cair um membro da comissão executiva do partido que ainda há pouco tempo se levantava em Congresso para homenagem a um ex-ministro de Salazar e hoje Senador da agremiação. O Chega anda entretido em conversas de café com uma senhora, e a demacar-se de visitas indesejadas nos seus eventos. O PSD não sei o que faz.
Todavia, o meu destaque noticioso vai para um cada vez mais pronunciado comando e condicionamento político da investigação criminal, com a perda de autonomia interna dos procuradores e a interferência das chefias na condução dos processos e em que as decisões sobre o que investigar (ou não investigar) se tomam de forma secreta, sem registo.
Conclui-se pois que podem acabar as investigações a políticos.
Ontem o Presidente da República participou no programa “Artistas no Palácio de Belém” e hoje deve ter tirado selfies ou ido à praia mudar de cuecas, em defesa do regular funcionamento das instituições democráticas.

Iberolux: já ouviram falar?
El alcalde de Oporto propone la formación de Iberolux, una fusión de España con Portugal A ânsia de protagonismo de Rui Moreira não tem limites e pauta-se por ser de uma total irresponsabilidade!
O meu sonho para a leitura matinal dos jornais de hoje
*Conseguir notícias sobre o discurso do estado da União, sobre os argumentos económicos e políticos usados por Trump. Caixas e notícias anexas sobre o folclore de Trump e Pelosi também agradecia mas era depois do tal artigo propriamente dito.
*Notícias, em muitos casos a primeira, sobre Mila a jovem francesa ameaçada de morte por ter proferido a sua opinião sobre o Islão. A quem numa redacção tal possa interessar acrescento que hoje se soube que tanto ela como a sua família estão sob protecção policial mas que essa protecção não é suficiente para que Mila regresse à escola.
*Que se deixassem de usar língua de pau sempre que algo, com fundamento ou sem ele, os leva a pensar que pode haver um muçulmano envolvido na questão. Ontem uma turista francesa foi esfaqueada em Lisboa quando estava na fila de um restaurante. A turista alegou desconhecer o agressor que se pôs em fuga. Logo apareceu a explicação dos “problemas psicológicos” para explicar o acto de agressão. O único problema psicológico que se vê aqui é o medo de quem escreve, medo que os faz dividir automaticamente as agressões à facada em agressões-crimes e agressões devidas a problemas psicológicos. Foi uma facada e ponto.
Fala o povo
— Dona Delfina, o que pensa da eutanásia?
— Da quem?
— Do suicídio assistido, quando alguém ajuda um…
— Houve um moço aqui que se matou. Um rapaz tão bonito. Foi cu’a droga. Era toxicoindependente. Por mim acabavam com isso da droga qu’isso só faz mal.
— Ahmed, o que pensa da eutanásia?
— Sou a favor, principalmente num café cheio de sodomitas em Tel Aviv.
— Doutor Fidalgo, o que pensa da eutanásia?
— É uma situação… er… que exige… er… uma evidente contemplação… er… reflexiva e contrastante sobre… er… perspectivas conceptuais da existência… er… como definida pela construção semântica da linguagem… er… estética de um princípio regulador da… er… arbitrariedade markoviana de um ciclo… er… libertário da acção humana na inferência… er… com o mundo como percepcionado pela… er… razão inferente pelos sentidos… er… e dotada de comunicacionalidade argumentativa sobre a abstractalidade… er… da nossa própria construção conceptual… er… do universo, como é evidente.
— Senhor Zé, o que pensa da eutanásia?
— Não tenho, sou hipertenso, mas tenho pena dos que sofrem muito com isso e dá dores nas costas.
— Dona Albertina, o que pensa da eutanásia?
— A MIIIINHAAAA SAAAAIIIAAAA BEEEEELLLHIIINHAAA TÁÁ TODAAAAA ROTINHAAAA DANDAAAR A BAILAAAAR…
— Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Moimenta Sul, o que pensa da eutanásia?
— TENHO JÁ A ANUNCIAR QUE MOIMENTA SUL JÁ ESTÁ A CONSTRUIR O MAIOR E MAIS BONITO CENTRO DE ENTRANÁSIA DO PAÍS E DE PORTUGAL INTEIRO!
— Senhora ex-namorada de primeiros-ministros, o que pensa da eutanásia?
— Se é para dizer que sou a favor é uma viagem para as Baleares, se é para dizer que sou contra pode ser em dinheiro. Isso não está a gravar, pois não?
— Senhor que sempre votou votou nas eleições, o que pensa da eutanásia?
— Eu penso que há pessoas esclarecidas que sabem decidir o que é o melhor para nós.
A anedota do ano
O Rui Tavares a perorar no PÚBLICO sobre o caos nos caucuses Democratas! Sim, o fundador do Livre que mal Joacine acabava de gritar “Mentira!” se pôs a caminho dos EUA – os tais que iam ficar desertos ou destruídos após a eleição do Trump mas onde os críticos do capitalismo podem sempre usufruir de bolsas várias – está agora a explicar como se instalou o caos no Partido Democrata! Sobre o caos no Livre nem uma letrinha.
Mas o mais espantoso nesta amnésia de si mesmo que afecta Rui Tavares acontece quando, entre a pleiade de apoiantes do Partido Democrata que rodeavam Rui Tavares no átrio da Harvard Kennedy School de ciência política, um está tão informado sobre Portugal que lhe perguntou: «Você vem de Portugal? Conhece o alvará régio de Dona Maria I em 1785 proibindo o estabelecimento de manufaturas no Brasil?”
Ronaldo? A sério, Rui? A um homem que lhe pergunta pela Dona Maria I responde com o Ronaldo? Então não tem para contrapor o exemplo de uma mulher migrante, negra, gaga, em luta contra os preconceitos e sei lá que mais para falar no o átrio da Harvard Kennedy School de ciência política? Ó homem de Deus é lá coisa que se faça!
Só não percebo se Rui Tavares se está a inspirar para a próxima confusão que vai armar na pátria (à qual regressará espero eu em barco a remos porque pelo menos descarboniza) ou se está a observar como um grande partido – o Democrata – consegue tal como aconteceu com o Livre deixar-se enredar numa série de disparates. Certo, certo é que tem pelo menos um doutoramente na área do fazer-se transparente.
Agora que pensaram já concluiram o que tinham concluído
Diz a Iniciativa Liberal, o partido cangalheiro do liberalismo português, que o projecto de extermínio de humanos por eles patrocinado é “solene e formal”, como que reconhecendo que em toda esta palhaçada há muito idiota activista pronto a festejar o avanço civilizacional que é atirar para a fornalha os velhos e indigentes “que padeçam de lesão definitiva” – cuidado, manetas -, doença incurável – diabéticos, ponham-se a pau – e fatal – sei lá, todas as pessoas que fatalmente padecem dessa doença mortal que é estar vivo?
Noticia o Observador que a Iniciativa Liberal pretende demarcar-se dos restantes projectos dos outros partidos de esquerda liberal exigindo a confirmação da vontade do doente em todas as fases burocráticas do processo de execução estatal e o “acompanhamento de pareceres de médicos” que dirão que sim, que a pessoa deve ir desta para o caralho em vez de andar aí a dar trabalho. Nem fazem empresas de empreendedorismo nem nada, para brainstorming, esses parasitas. Dizem que também contemplam a “objecção de consciência” do médico (obrigado, sois muito gentis), mas não referem se o empregador destes, o proprietário das execuções, pode, de acordo com as regras de mercado, decidir contratar apenas os idiotas formados sem qualquer tipo de consciência.
Depois acrescentam uma merda qualquer sobre “cuidados paliativos” e lá vão todos, alegres e contentes, de bandeiras LGBTQI+ em punho, descendo a Av. Otelo Saraiva de Carvalho para a cervejaria artesanal do senhor lenhador trans que já se chamou Adalberta para se congratularem por mais uma vitória do brilhantismo que consiste em besuntarem-se de azeite.
E depois ainda se preocupam que os nazis andam é no CDS e no Chega. Eu sei que não estou a fazer amigos com isto, mas, porque precisaria eu de amigos que querem matar pessoas?
Um papa que não sabe do que fala
Baixa de Lisboa, zona reservada a turistas e à nomenklatura
O plano anunciado pela CML para a baixa lisboeta é excelente se se pretender que o centro de Lisboa se deve tornar uma área exclusiva para turistas. Uma recriação daquelas zonas especiais para turistas existentes nas ditaduras comunistas. Viver lá é que não.
De acordo com essa sovietização das nossas vidas os jornalistas já formulam perguntas como: “Os residentes poderão receber visitas?” Realmente para descarbonizar a cidade o melhor até seria acabar com o direito dos residentes a receberem visitas mas vá lá a CML, magnânima, diz que sim, eles podem receber visitas mas apenas “dez visitantes por mês”, com carros posteriores a 2000 e claro avisando antes o soviete da zona “indicando a matrícula do respetivo veículo, o que poderá acontecer através de uma app criada par o efeito ou por telefone. ”
Há cadeias com regimes de visitas mais simples!
Quero lembrar que Mila continua sem ir à escola e praticamente sem ser notícia fora de França
Desalegoria da caverna
Eu sei que estou sozinho quando olho para o lado e vejo pessoas nas suas vidas, a andarem de um lado para o outro, completamente alheias ao regresso da pena de morte. Talvez não se importem, ou talvez até equacionem sentenciar o velho a “um fim digno” que leve às tão necessárias partilhas.
O seguro não paga a hipoteca da casa caso a morte do cônjuge se comprove ter sido por suicídio. Poderia dizer que já se sabe como será em caso de eutanásia, mas a realidade é que não se sabe nada, só se sabe que é fundamental legalizar o extermínio de pessoas imaginárias, já que em Portugal, que se saiba, nunca alguém solicitou ao estado que o matasse. Vê-se muita gente a pedir o contrário, que os salve, muitas vezes sem que tal seja possível, outras ainda porque o estado os trata com menor reverência do que a que dispensa a um poio de cão na praia.
Os projectos de legalização de eutanásia visam apenas um fim: convencer papalvos da bondade do estado para certificar que chegou a altura em que só andam a chatear e a dar despesa. Como se costuma dizer por aí, há muito idiota útil à causa. Discordo da expressão: são idiotas inúteis. Talvez sejam úteis a alguém, se dotados da imensa riqueza que é serem amados por outro, mas, para a causa comum, são inúteis que acumulam com amor alheio desperdiçado.
Os meus amigos não acham que o grande cisma nacional se dará com a aprovação da hedionda lei, seja ela qual for. Quanto a eles e ao país não sei, mas quanto a mim, será o meu regresso à caverna numa tentativa de esquecer que, em tempos, tentei compreender a humanidade. Foi um desperdício de tempo: além de macacos a masturbarem-se com as próprias fezes não resta mais nada.
Amigos da Coesão
Um país de mão estendida em duas imagens:

Peso relativo dos fundos de coesão da UE no investimento público (2015-2017)
Portugal: > 80%
Fonte: aqui.

