Menino de 9 anos acusado de abuso sexual
Aconteceu nos EUA. Um menino de 9 anos foi conduzido ao gabinete do Director da escola básica de Hillsborough, e posteriormente foi-lhe instaurado um processo de “assédio sexual” – sem ainda sequer ter idade para saber o que isso significa. “Gosto de ti. Gosto do teu cabelo porque não é desajeitado. Gosto dos teus olhos porque brilham como diamantes”, terá escrito o menino num dos muitos bilhetes de amor dirigidos à sua paixão. Isto é demencial e muito perigoso para os homens de amanhã.
Como mãe de um menino há muito que ando assustada com esta sociedade doente, completamente doida, de mulheres que se dizem “feministas” e exigem que se veja crime de assédio sexual e violação em toda a atitude que parte dos homens. Dou por mim a questionar-me como posso ensinar o meu filho a defender-se disto. Jamais me passou pela cabeça que um dia teria de lhe dizer: “meu filho, tem cuidado com as mulheres porque podes ser preso inocentemente”. Jamais.
Guardo ainda todos os bilhetes de amor que recebia na escola e depois mais tarde, já adulta que me deixavam entalados na porta do carro à saída da discoteca ou me eram entregues à mesa do café pelo empregado. Devo depreender que, à luz daquilo que se defende hoje e com estes bilhetes como “meios de prova”, posso queixar-me de “assédio sexual” por não ter desejado aquela situação e interpor processo judicial, mesmo passados estes anos todos? É isso, não é? Que mundo doido.
Tenho olhado para os desenvolvimentos sobre Harvey Weinstein, Plácido Domingos, Bill Crosby, Cristiano Ronaldo e outras figuras públicas masculinas milionárias, com reservas e muita preocupação. Não, não vou negar o assédio sexual que alguns terão feito junto das mulheres que quiseram seduzir para ter sexo com elas. Também não vou negar que a posição privilegiada de alguns também fez com que tivessem acesso a mais mulheres e pudessem assim exercer mais poder sobre elas. Mas questiono-me até que ponto tudo o que é dito por estas senhoras é 100% verdade. Até que ponto não foi mesmo consentido por algumas delas e agora, já bem lançadas na vida, trouxeram estes casos a público. E até que ponto os nossos filhos um dia bem-sucedidos – sim porque só vejo estas coisas acontecerem a homens milionários – não se cruzam com mulheres capazes de tudo para atingir os seus fins, arruinando-lhes a vida com narrativas construídas. Como se prova depois que o envolvimento foi consentido, desejado por ambos e que não houve abuso nem violação durante a relação? Como pode um homem totalmente inocente livrar-se disto?
Tenho medo, muito medo pelo meu filho, que não sei como proteger desta nova geração de mulheres radicalizadas. Porque se hoje tudo pode ser considerado “assédio sexual criminoso”, mesmo sem o ser de facto, desde que a vítima seja uma mulher e diga “MeToo”, um dia o meu filho só poderá ter um envolvimento desde que antes tenha assinado um contrato de consentimento, desde que ligue o gravador do telemóvel nos encontros sexuais, não dirija piropos nem elogios, não escreva bilhetes de amor e marque encontros só em locais públicos, para um dia não ver a vida terminar num inferno, mesmo passados alguns anos.
Chocados? A continuar assim será esta a educação que as mães darão aos meninos no futuro. Não duvidem.
Parabéns a nós
Fechada no WC
Foram mais de seis horas que uma mulher de 47 anos, empresária, esteve ontem fechada numa casa de banho do Centro de Saúde de Cantanhede por suspeita de coronavírus.
Deram-lhe um iogurte e bolachas para comer e muito poucas explicações. A meio da tarde foi informada que poderia ir para casa, sem ser submetida a análises, porque não havia autorização da Direção Geral de Saúde (DGS) para as fazer.
Notícia do Diário As Beiras.
Os jornalistas em vez de andarem a telefonar a Santos Silva por causa do tratamento médico do português que está no Japão podem pedir-lhe que explique isto
- Segundo Ancara, 33 soldados turcos foram mortos quinta-feira na província de Idlib pela aviação do regime de Bashar al-Assad
2. Turquia abre as portas da Europa aos refugiados e lança ofensiva na Síria. Governo de Ankara toma posições drásticas ao anunciar que não irá travar o fluxo migratório para a Europa e ao declarar guerra ao regime de Assad após 29 soldados turcos terem morrido em Idlib.
…. E há agora o PR pode tb dar uma palavrinha
A megalomania de quem falhou tudo
2003. Congresso da Internacional Socialista. Guterres apresenta caminho para uma nova ordem mundial
2016. Guterres promete revolução na ONU
2019. Guterres. salvar o planeta “é a batalha das nossas vidas”
2019. Guterres anuncia “maior diálogo global de sempre” sobre o futuro
2020. Guterres ataca desigualdade de género e indica desafios para “mudar o mundo”
… Amanhã há mais. Mas sempre em grande
O Processo de Grunhificação em Curso

«Motards perseguem polícia e enconstam-no contra carro patrulha durante funeral das vítimas da Segunda Circular. O agente, em sua defesa, puxou de uma arma quando estava a ser cercado.»
Aí não?
Aí o Marega não foi insultado por ser preto? Se calhar foi por ter nascido em Les Ulis Ou por ser um jogador alto. Ou por pesar mais de 70 kilos. Porquê tanto esforço para torcer a realidade? Racismo é usar a cor, etnia ou cultura de alguém, denegrindo-o e rebaixando-o. Foi o que aconteceu. Sim, outros jogadores já foram insultados com comentários racistas. E não duvido que a Cristina também o tenha sido. E….? Por causa disso o Marega não foi insultado por causa da sua cor? Quem o insultou teria imitado um macaco se o jogador fosse branco? E não, não é verdade que «quem vai para o futebol tem de saber que isso (insultos) faz parte do ofício». Isso é absurdo, seria doentio e levaria a ter de aceitar-se que tal espectáculo é antro exclusivo de grunhos na assistência. O que felizmente não é caso. Há sim pessoas e grupos que gostam de andar a exorcizar as suas frustações e complexos gritando cânticos racistas e insultando jogadores com base na cor da pele, na origem, na etnia, no nome. Sim, racismo. Há. Bastante.
Marega esteve bem, e teve o mérito de ter sido o primeiro a recusar-se a jogar enquanto o insultavam com cânticos racistas. Se todos os jogadores daqui para a frente fizerem o mesmo, certamente o país será melhor e mais civilizado.
A constitucionalidade faz de conta
Ferro Rodrigues solicitou à Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais que esclareça “com muita urgência” a constitucionalidade do projecto do Chega que propõe o agravamento de penas para crimes de abuso sexual de crianças e uma pena acessória de castração química. Os partidos representados na Comissão de Assuntos Constitucionais não têm dúvidas: a castração química é inconstitucional.
Há menos de uma semana estes mesmos deputados votaram sem quaisquer dúvidas sobre a constitucionalidade dessa votação a favor da eutanásia.
Só interessa se for lá fora
Harvey Weinstein foi considerado culpado por tribunal nova-iorquino de dois crimes de abuso sexual. Na mesma altura que a escandaleira MeToo progredia de efectivos casos de violação para um “tenho a impressão que me tocou no joelho há 45 anos”, uma senhora de 49 anos seria pacificamente violada por dois homens perto de uma estação de metro na Maia. Seria, porque dias mais tarde, segundo o noticiado, não conseguiu “sustentar a queixa”, tendo desistido da denúncia.
Terá sido violada? Terá imaginado coisas? Nunca saberemos: estamos mais interessados em dizer que não há denúncias falsas do que em descobrir a verdade. E se a senhora foi mesmo violada, que se lixe, não vamos é arriscar a narrativa de que todas as acusações de violação têm fundamento. Entre prevalecer a justiça ou descobrirem-se falhas na narrativa oficial, mais vale não arriscar. A mulher que se lixe.
Não limitem a liberdade
Caiu por terra qualquer argumento sobre taxas de cesarianas e resolveu-se a questão do direito da grávida a escolher livremente o método cirúrgico para o parto: no momento em que alguém pode entrar no hospital para ser morto, não há qualquer argumento passível de restringir a decisão pessoal de uma cesariana a pedido. Com o estado a criar algoritmos, o médico do futuro poderá até ser substituído por um robô.
Marega, não é por seres preto
Digam ao Marega que a estupidez humana não tem cor e meia dúzia de energúmenos não representam um país. Que tem razão: aquilo – a imitação de sons de macacos – não se faz. Aquilo não é de gente civilizada e tem de ser punido. Mas que não foi pelo tom da sua pele. Foi por estupidez.
Perguntem se é verdade que foi trazido de clubes sem qualquer relevo para o Marítimo da Madeira, em 2014/2015, mas revelou desde cedo uma queda para indisciplina e descontrolo emocional que lhe valeram várias multas e suspensões e mesmo assim, foi acarinhado pelo clube pelo seu brilhantismo.
Perguntem se é verdade que depois de transferido para o FCP, a prestação caiu a pique e, só por isso, passou a ser a anedota azul e branca.
Perguntem se é verdade que mesmo com a popularidade em baixa foi emprestado ao Vitória perante a perplexidade de alguns que não lhe viam valor futebolístico, mas mesmo assim, de camisola vestida, foi recebido com carinho e apoiado como qualquer outro jogador, tendo recebido aplausos quando os mereceu e reprovação, como qualquer outro, quando desiludia.
Perguntem se é verdade que vestindo o equipamento do Vitória, num jogo perante o Nacional, se descontrolou e sem mais deu um estalo num adversário valendo-lhe uma expulsão e que ao sair do relvado ainda insultou com palavras e gestos adeptos do Vitória, partindo tudo o que lhe apareceu à frente no balneário.
Perguntem se é verdade que mesmo com estes comportamentos a SAD Vitoriana não deixou cair o jogador e procurou a reintegração no grupo, enquanto os adeptos também o perdoavam.
Perguntem se é verdade que se tornou um ídolo dos adeptos do Vitória por ter feito uma excelente época no clube.
Perguntem se é verdade que trocou o Vitória que o idolatrou pelo FCP, reabilitado e com prestigio em alta, fazendo questão de agradecer ao clube vitoriano por tudo o que por ele fizeram.
Perguntem se é verdade que nos 2 anos seguintes, sempre que as 2 equipas se encontravam, era aplaudido pelo adeptos vitória até mesmo quando saiu lesionado num jogo, onde foi aplaudido de pé.
Perguntem se é verdade que no fatídico dia da polémica racista marcado pelo famoso abandono do estádio, no aquecimento com FCP, os adeptos (cerca de 5) estavam a mandar “bocas” aos jogadores adversários como acontece em qualquer jogo de futebol e não um em particular; que no decorrer do jogo não houve insultos apenas descontentamento dos adeptos do FCP por falhanço de golo; que chegados ao minuto 60, assim que se deu o golo, inesperadamente foi festejar junto dos adeptos do Vitória provocando-os com gestos e palavras e que imediatamente reagiram com vaias, insultos e arremesso de cadeiras, não por ser negro; que em reacção ao sucedido, sempre que tocava na bola os adeptos não lhe perdoavam a traição, insultando-o.
Quando era criança, no Canadá sofri de racismo e não sou preta. Sei o que é essa humilhação, porque com 9 anos ouvi um pavilhão gimnodesportivo inteiro apinhado de alunos em sonoras gargalhadas, assim que o meu nome foi anunciado nos microfones para subir ao palco para receber uma medalha de atletismo. Ainda hoje consigo ouvir toda a gente a tentar pronunciar o meu nome “estranho” com sotaque canadiano – “Gonçalves” – perdidos de riso. Em vez de sair dali a correr enfrentei a multidão, caminhando por entre eles de cabeça baixa e a tentar suspender as lágrimas enquanto a vontade de desaparecer e a vergonha tomavam conta de mim, num momento que deveria ter sido de euforia mas que se transformou num pesadelo. Porque ser portuguesa, ter uma língua e nome esquisitos, vestir como uma provinciana pobre, ser patinho feio e ter ainda ar de “chinezinha”, num país que não era o meu, valeu-me episódios como esse e tantos outros e não ter por isso quem quisesse brincar comigo na escola. Ninguém. A não ser, claro, outros rejeitados como eu.
Chegava a casa em choro e dizia em pranto, cheia de raiva, que não queria voltar mais à escola. Mas o meu pai ensinou-me que a melhor forma de combater a exclusão, seja pelo que for, era ignorar e focar-me apenas em lutar por ser a melhor na conquista dos meus objectivos e que aí chegada todos se esqueceriam da cor, da etnia, da cultura, e passariam a ver apenas a pessoa. Que o mundo era assim em todo o lado em relação às diferenças. A vida mostrou que tinha razão.
No futebol é sabido que não é preciso ser-se preto para sofrer de racismo. E que ser preto não implica necessariamente que o haja. Que o diga Cristiano Ronaldo também alvo desses ataques racistas em Espanha (veja aqui) e que soube ignorar como só um grande profissional o sabe fazer. Exactamente como me foi ensinado pelo meu pai. Como diz aqui neste vídeo um insuspeito africano que não se revê no comportamento de Marega: “não é racismo e quem vai para o futebol tem de saber que isso (insultos) faz parte do ofício”.
Tão verdade que nem Eusébio, hoje a descansar no Panteão, escapou.

É um fogo que arde sem se ver
Os eventos recentes e o que sobre eles escrevi poderão ter levado os três leitores assíduos a pensar que entrei num ciclo de desilusão com a política actual. A esses pretendo deixar uma pequena nota que visa o esclarecimento: é ao contrário; os eventos recentes não foram dotados de significado suficiente para me fazer sair do estado de desilusão que desde o berço acolhi de braços abertos.
Obter contentamento com a política nacional parece-me no mínimo uma imprudência, no máximo uma infantilidade. A condição indispensável à portugalidade, e a que — como os restantes nativos — não escapo, é precisamente a de nunca um português contentar-se de contente. O andar solitário entre a gente e que é ferida que dói e não se sente é, mais que o acidente demográfico e geográfico de ter sido parido nestas terras, o que nos define e une como povo.
Sim, considero uma ignomínia a aprovação dos projectos de eutanásia porque concedem ao estado o poder de determinar quem vive e quem morre, mas sei que, ao contrário dos calvinistas do norte que vivem contentando-se de contentes e infelizes de descontentamento, enquanto depender da exclusiva vontade do doente, não haverá mais que um par de portugueses a pedir o extermínio, contando estes como excepções que confirmam a regra.
O português tem uma cultura católica, pelo que sabe que a sua felicidade deriva do contentamento na miséria. Nenhuma lei muda isso. Haverá algo mais católico do que deixar de votar em eleições, correndo o risco da situação melhorar para que se alcance a infelicidade decorrente do contentamento?
Não se governam nem se deixam governar. Pudera: permitir que alguém invente soluções de prosperidade é tirar-nos a felicidade de vivermos modestamente. Ninguém o mudou antes, também não serão estes novos (ou velhos?) jacobinos que o farão. Ainda há quem não perceba porque elegemos sistematicamente o Partido Socialista para nos governar? A resposta está, como sempre esteve, em ter com quem nos mata lealdade.
VPV (1941-2020)
Não faltarão amigos e admiradores a enaltecer as qualidades intelectuais, de escritor, políticas e académicas de Vasco Pulido Valente. Serão aqueles a quem a saudade se anuncia, homenageando, à chegada da noite, o que nas horas luminosas do dia com seu génio compartiram. Alguns, como eu, só o fizeram através da escrita: fluida, concisa e por isso afiada ao ínfimo do poro que pretendia, com extraordinária acuidade, atingir. Outros ainda, como equilibristas neste circo de rede rasteira, odiando cada sílaba por ele proferida, tratarão de usar do cinismo para enaltecer com lindas prosas de ghostwriter o que à luz do dia não seria mais que negro fumo de ressentimento. Apesar de deixar um vazio compacto por impossível de preencher aos dois primeiros, aos últimos faria melhor proveito o pudor de não aparecerem tão despidos em público. Sem o Vasco Pulido Valente por perto para a apontar, talvez ninguém repare na nudez do exibicionista.
Agora não há rostos da luta, nem luta alguma.
Ninguém ousa interromper comissões parlamentares. Vivemos no melhor dos mundos possíveis e se por acaso os medicamentos faltam, temos pena.
Midsomer murders
Seguradoras lamentam não terem sido ouvidas na procura de uma solução que “evitasse dúvidas ou incerteza sobre a matéria”. PS garante que ninguém será prejudicado e remete a discussão para a regulamentação da lei. No Luxemburgo, estas mortes passaram agora a ficar registadas como tendo tido “causa natural” para evitar conflitos com seguradoras.
Primeiro legisla-se, depois regulamenta-se, depois legisla-se outra vez… a realidade há-de ficar bem escondida debaixo de tanta legislação.
De vez? Porquê?
Era o qe faltava ser “de vez”. Quando a eutanásia foi chumbada há dois anos também se achou que fora chumbada “de vez”? Vamos lá ver se nos entendemos: não há donos do “de vez”.
Declaração de não-voto
Era inevitável. O culto da morte haveria de levar a sua avante. E agora? Agora é assim:
Porque não sou conservador? Porque há pouquíssimo a conservar neste país e o que há também está na calha para ser destruído.
Porque não sou liberal? Porque o cânone do liberalismo é definido por quem usa o título e rejeito qualquer ligação a tribos que apresentam propostas legislativas para que se mate doentes em hospitais como expediente burocrático.
Porque não sou socialista? Porque o estado gigantesco é ineficiente, prepotente e castrador das liberdades individuais. Ver a secção anterior.
Porque não sou comunista? Porque defendem levar o socialismo à sua forma extrema de utopia. Ver a secção anterior.
O que sou? Agora não sou nada, só livre.
What goes up…

Da moral
A vida torna-se mais “leve” para quem não hesita em mutualizar as suas responsabilidades e a sua moral para uma entidade abstracta como o Estado.
Quanto mais se “externaliza” a compaixão, menor a consciência moral das pessoas e, portanto, menor a liberdade individual.
É assim com o estado social. O Estado compra a liberdade do indivíduo e garante a futura servidão deste perante o poder. A própria Igreja já se perdeu nesta nova forma de estar.
É assim, mais gritantemente com a eutanásia. Nos dilemas morais e decisões de vida ou morte não deve haver lugar ao Estado.
Ninguém disse que não havia um preço a pagar pela Liberdade…

O que está em causa
“Diferenças à parte, todos os projectos têm como objectivo a despenalização de quem ajuda e é nesse ponto que o debate deveria estar centrado. Quase tudo o resto é ruído.”
Artigo completo aqui.
Já nascemos mortos
A eutanásia é inevitável. É preciso estarmos cientes disso. Não há forma de travar os “avanços civilizacionais” em democracias liberais num mundo globalizado. Se não for aprovada amanhã, será no próximo ano, daqui a dois anos, daqui a quatro… mas será sempre aprovada. O nosso desígnio nacional é, como já é há muito tempo, o de legislar a modernidade.

Em Portugal, o normal é aprovarem-se coisas antes que a generalidade das pessoas sintam necessidade de as compreender. Não é bem uma democracia, o que nem me parece uma falha: é o que é, uma espécie de ditadura senatorial que perpetua a luta de classes divididas entre os iluminados, que querem o bem da sociedade, e os indiferentes às causas, que vivem a sua vidinha bem longe da decrepitude.
Caso haja um referendo à eutanásia, é possível que a participação seja bastante reduzida e o resultado se divida entre o “sim” e o “não”. Até é bastante plausível que vença o “sim”. Há um motivo para isso, que é o do mundo contemporâneo exigir uma simplificação da vida a estados permanentes de bem-estar. Não dizemos que estamos felizes, dizemos que somos felizes, como se a vida se reduzisse a um estado de perpétua instagramização. Quem quer ver fotos do momento em que não aguentamos mais e mijamos nas calças em redes sociais? Quem quer ver aquela massa instantânea que atiramos para o micro-ondas quando ninguém está a ver? Quem quer ver uma boazona de biquini a verter uma pinga de vinho de pacote para um copo do Mickey Mouse enquanto desoladamente atiramos o hamburger congelado para a frigideira depois de buscarmos os miúdos à escola?
A vida resume-se a um perpétuo estado de férias paradisíacas intagramáveis. É um mundo em que ninguém defeca. Ninguém sofre, ou se sofre, é de forma extraordinariamente contrastante com o estado permanente de felicidade que impomos a nós próprios.
É apenas natural que se legalize eutanásia e que ao longo dos anos esta se venha a generalizar para toda e qualquer forma percepcionada de sofrimento. Quero eutanásia porque o Bobi morreu, o meu menino. Não aguento o sofrimento.
Sempre fomos uma sociedade que afasta o mais possível a morte das contemplações mentais de cada um. Agora, tornamo-nos numa sociedade que não contempla sofrimento como parte integrante da vida. No futuro, seremos completamente unidimensionais – gay, preto, cristão, liberal, mulher – e construídos para a obsolescência programada. Cervantes já o sabia no século XVII. O Velho do Restelo é sistematicamente visto como uma personagem do velho mundo.
A eutanásia é o menor dos nossos males. Na realidade, é só um sintoma, nem é o essencial da doença.
A ouvir
Quando a liberdade é muita, o liberal desconfia
José Diogo Quintela: «Se, a partir de quinta-feira, as pessoas passam a poder indicar ao Estado o momento da morte, faça-se também uma lei que as deixe indicar ao Estado a escola onde desejam pôr os filhos a estudar. (…)
Outra das áreas em que esta vontade de liberalizar podia ser aplicada é a do trabalho. Já que o Estado confia – e bem! – na capacidade de um cidadão decidir quando quer morrer, podia estender essa confiança à capacidade de um cidadão decidir como quer passar o tempo até esse dia. Por exemplo, alguém que queira trabalhar 60 horas por semana em vez das 40 horas actuais, não pode. Mesmo que seja essa a sua vontade, mesmo que o patrão não veja inconveniente nisso. (…)
Entretanto, cabe ao legislador redigir a lei com o máximo cuidado, para que não seja usada como subterfúgio para situações indignas. Por exemplo, a maioria dos projectos de lei prevê que a resposta ao pedido de eutanásia seja o mais rápida possível. Isso pode abrir a porta a abusos. Um doente que só consiga uma consulta de oftalmologia para dali a ano e meio, pode servir-se do sistema e dizer que, nesse caso, prefere a eutanásia. Marcam-na para a semana seguinte e ele, lá chegado, pede para antes lhe tratarem dos olhos, que é para focar a família uma última vez antes de se finar. Assim que lhe curam a miopia, aproveita a quinta vez que lhe perguntam se quer mesmo morrer e diz que esteve a ver melhor e afinal já não deseja, obrigado. Cautela com estes interesseiros.»
Mas por acaso eles têm ordens para intervir em alguma situação?
Ora que novidade! Tudo num estádio de futebol e seus arredores em dia d ejogo é um regime de excepção, a começar pelos locais espantosos onde se deixam os automíveis estacionados ou, caso venham d eautocarro, pelas estações de serviço escavacadas pelos adeptos.
Confesso a minha perplexidade: no meio daquela sucessão de factos intoleráveis pretende-se que as polícias seleccionem os cânticos e atitudes racistas e intervenham?
Não querem falar disto?

Não achavam que era a mística?
Vivi largos anos ao pé de um estádio de futebol. Protestei solitariamente contra os desmandos que eram permitidos aos adeptos. É a mística!” – diziam-me. Da mística fazia ver a rua atravessada por uma multidão que entre outras lindezas entova isto “Eu quero ver Lisboa a arder!” Era tudo mística. Politicos dos mais diversos partidos tornaram-se comentadores de futebol. Mas é a mística. Jornalistas-adeptos que vivem indignados com a corrupção normalizam as mais extraordinárias transações financeiras desde que sejam as do seu clube. Tudo por causa da mística. Agora estão todos indignados porque um jogador foi insultado? Realmente alguma coisa ajavardou na sociedade portuguesa entre aquele momento em que “o rei” era um negro, Coluna o “senhor Coluna” e esta malta que agora grunhe nos estádios.
E a culpa não foi dos jogadores nem sequer dos grunhos. A culpa é de quem na política e nas redacções achincalhou as suas funções.
A fé é que nos salva
Na minha ignóbil candura, imaginara termos atingido o ponto mais baixo da degradação pública da semana com o lamaçal de hubris juvenil, que, ao som de um inverosímil monólogo de uma personagem-cartão de Ayn Rand, se masturbava perante a aprovação do avanço civilizacional da eutanásia. Não. Hoje temos a ignomínia do racismo, com todas as bailarinas políticas en pointe para mostrarem a imensa virtude de quem melhor diz que o racismo é feio. O presidente da república já falou e, como de costume, nada disse além de “votem em mim” (parafraseando).
Vindos do Olimpo onde esta canalha que nunca se fez homem se move, inundam as redes sociais, esses colonatos de insanos em busca de shots de dopamina através de likes, cada um com uma nova versão de 10 mandamentos, prontos para se auto-proclamarem o messias. Parece que as sociedades estão menos civilizadas e que isso se nota no futebol. A sério? Eu noto isso sem grande esforço nas fileiras dos -ismos de diferentes cores e igual ausência de dúvida metafísica para o significado da vida que se atropelam para aparecerem com a nova fórmula de virtude.
Durante algum tempo achei que os protagonistas executavam um bailado degradante. Recentemente descobri, com o atraso lusitano, que a obscenidade está na audiência que assiste e incita à pornografia, não em quem a executa.
Uma semana de tiro ao velho, ao doente e a gritaria de racismo é uma altura apropriada para recolher ao mosteiro. Não a um daqueles centros new age, a um templo daqueles a sério, como os milhares de igrejas que em tempos áureos de humildade construímos antes que os Siza viessem destruir tudo. Nas igrejas, aceitam todos: santos e pecadores, vencedores e perdedores, crentes e descrentes. Se precisarem de mim sabem onde me encontrar, mas estou convencido que não precisarão.
Nós só cá estamos para pagar impostos
*O Governo anunciou na passada semana que até junho deste ano os presidentes das Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) vão passar a ser eleitos, o que é uma forma de transformar a regionalização num facto consumado.
*Esta semana, propõem-se votar a eutanásia deputados eleitos por partidos que não tiveram a coragem e a clareza de colocar a eutanásia nos seus programas .
Direito de resposta ao “humorista” Diogo Faro
Caro Diogo,
Apesar de ter sido aconselhada a ignorar o seu tendencioso artigo onde distorce completamente o sentido das minhas palavras, pela reposição da verdade que se impõe dada a gravidade das suas afirmações e fazendo uso do meu direito de resposta, permita que o corrija em honra do meu bom nome:
1- A sua análise não foi sobre o que escrevi no meu artigo no Observador mas sim sobre o que gostaria que eu tivesse escrito, ou seja, uma interpretação falaciosa para causar sensação nos media à custa das agendas na moda onde se promove. Tivesse feito uma análise séria e ficava sem material para criticar;
2- A sua afirmação “A Cristina é anti-feminista, logo, essencialmente é contra a igualdade de género”, é falsa. Não me identificar com o feminismo de 3ª geração aqui investigado neste excelente documentário “Red Pill” por Cassie Jaye, uma insuspeita activista feminista famosa e que conclui com factos indiscutíveis que não há defesa de igualdade entre sexos, deita por terra a sua narrativa. Faça o favor de o ver até ao fim. É que da teoria bonita das definições de dicionário à prática vai uma distância galáctica. Veja aqui também neste meu artigo “Onde estão as feministas para repor a igualdade”, com dados da PORDATA sobre o tema. Leia;
3- Não sou feminista, mas fiz mais pela libertação das mulheres que aquelas que o dizem ser: aos 16 anos fui trabalhar como operadora de empilhador numa fábrica a carregar camiões, porque quis, e lá permaneci até aos 20. Enfrentei um casamento pautado por violência doméstica. Fugi desse casamento porque não me concediam o divórcio, que há 30 anos era socialmente mal visto, a mulher rotulada de “adúltera”, e era necessário ter motivos considerados “válidos” – adultério ou a não consumação do casamento, por ex., caso contrário o marido podia recusar-se a assinar, pois a violência psicológica não era motivo suficiente. Enfrentei o mundo dos homens de negócios, que olhavam para mim como uma presa sexual, onde foi difícil ganhar credibilidade pelo meu trabalho. Enfrentei uma luta de 7 anos por homens juízes me terem retirado a filha, alegando “abandono do lar” e acusando-me de ser “má esposa”. Enfrentei relações com homens preconceituosos, que diziam amar-me mas eram incapazes de assumir uma mulher divorciada e com filhos. E venci. Cada etapa. Tudo e todos. Sozinha. Não precisei de me inscrever em movimentos de Simone de Beauvoir para lutar pelos meus direitos como mulher e como ser humano. Bastou a minha determinação, resiliência, teimosia, fé e muita coragem;
4- Continuo ainda a lutar pelas mulheres ao educar o meu filho de 13 anos no sentido de cuidar da sua roupa, do seu quarto, de lavar a loiça, cozinhar e pôr a mesa; ao ter apoiado as opções da minha filha mais velha quando, em criança, não queria usar saias nem vestidos e só pedia tartarugas ninja, jogos Nintendo, legos e computadores.
5- O meu pai, que era um conservador de direita, ensinou-me a conduzir empilhadores e outras máquinas industriais, a mudar pneus, usar o berbequim, pôr um carro sem bateria a trabalhar e resolver outros problemas mecânicos, a pregar pregos, a mudar lâmpadas, a plantar legumes, criar galinhas, porcos, coelhos e vacas. E vocês, progressistas, o que fizeram de parecido junto das vossas filhas pela igualdade de género?
6- Administrei empresas e criei outras. Estive em 4 áreas distintas: construção civil, segurança privada, apoio ao estudo e apoio domiciliário. Na primeira, nunca vi uma única mulher a responder a uma vaga de emprego. Na segunda, só respondeu uma mulher em 5 anos. Nas restantes foram mais mulheres que homens. Quem foi que as impediu de se candidatarem às vagas? Foi você? E o Diogo? Quantas empresas criou? Quantas mulheres empregou? Quantos salários lhes pagou? O que sabe realmente, e não a partir da “agenda feminista”, sobre essa problemática?
7- Se é defensor da igualdade de géneros, porque não fez um repto (aquele que o tornou “famoso”) aos dois sexos, homens e mulheres, para denunciarem a violência doméstica e não apenas as mulheres? Isso é defesa da igualdade?
8- Com 23 anos já era independente, responsável, mãe (apesar de não ter desejado esse filho), estudante-trabalhadora e com currículo de trabalho e de lutas pelos meus direitos desde os 16. E você? Que currículo tinha com essa idade? Que aprendizagem da vida já possuía sobre a luta pela igualdade?
9- Sobre as restantes considerações tendenciosas do seu artigo, diga-me: é mentira que se um branco criticar o comportamento de uma minoria racial é rotulado de xenófobo? Se um heterossexual criticar a doutrinação dos movimentos LGBT é rotulado de homofóbico? Que a ideologia de género imposta nas escolas, cujos manuais foram escritos por feministas (vá lá ver), promove a ideologia LGBTQ – é só ler os manuais (vá ler) do Ministério da Educação – e pretende a substituição da família tradicional? Que o marxismo é uma ideologia totalitária? Que o aborto promove a irresponsabilidade? Que as drogas ditas leves legalizadas promovem o seu consumo? Que se um nacionalista disser que os negros escravizaram tanto quanto os brancos é acusado de racismo? Que ser de direita e defender o controlo da entrada de migrantes sob estatuto de refugiados é imediatamente rotulado de extremista? Não, não é. E, conscientemente, você sabe disso.
5- O meu artigo é apenas uma chamada de atenção à intolerância relativamente ao pensamento que não se enquadra no politicamente correcto, que é contra as narrativas vigentes da agenda progressista – enviesadas e cheias de inverdades – e que é atacado assim que se manifesta numa simples opinião. O artigo foi tão bem sucedido que basta ler os comentários ao mesmo para ficar demonstrada cada linha escrita – anónimos e figuras públicas cospem ódio, insultam, ou simplesmente ridicularizam, por verem contrariadas AS AGENDAS PROGRESSISTAS. Você foi um deles.
Por fim, agradeço o conselho que deu à minha filha. Porém, não é ela que tem de me dar um abraço e confortar-me. Sou eu que a tenho de a tranquilizar e dizer firmemente: “Não! a tua mãe não é homofóbica, xenófoba, racista, ditadora, extremista, e o diabo a quatro que este Diogo, Madalena Freire, “Jovem Conservador de Direita” e tantos outros como eles pintam por aí, para promover uma falsa liberdade, igualdade e humanismo”. A tua mãe é exactamente aquilo que conheceste: justa, defensora dos valores que recebeu do teu magnífico avô, humanitária, solidária, inclusiva, amiga, respeitadora e tolerante. E que ao contrário dos “diogos” desta vida não impede os outros de serem o que são. Dizer-lhe que a culpa não é dela por se sentir confusa. É de quem usa o mediatismo à custa das causas na moda para confundir, distorcer e manipular tudo o que não lhes convém. Porque falar a verdade estraga a agenda.

Ó Catarina, depois onde vão ser tratados os dirigentes do BE?
Os portugueses “raizosparta” e os aristozeros
Os portugueses “raizosparta” acreditavam que os deputados eram eleitos para que a sua vida fosse mais digna não para que os deputados, enfastiados da discussão em torno das condições de vida, se empenhassem com fúria e zelo na definição das condições da morte. Digna, dizem eles. Os portugueses “raizosparta” nunca fazem o suficiente, nunca pagam impostos suficientes e nunca se esforçam o suficiente de modo a cumprirem o admirável mundo novo que os aristozeros lá das suas “ZERES” sonham impor. Uma ZER não é apenas uma Zona de Emissões Reduzidas, é sim a cidadela dos aristozeros: o local onde não há espaço para as questões irritantes dos portugueses “raizosparta” como os assaltos ou a degradação cívica, intelectual e moral que se vive nas escolas públicas. Apenas gente bonita achando que alimenta o mundo e o salva do impacto ambiental da agricultura industrializada porque cultiva ciboulettes em vasos ditos orgânicos na varanda.
É isto
João Gonçalves: «Primeiro-ministro anunciou no Twitter que irá sugerir ao Presidente da República a condecoração de Arménio Carlos “pelos serviços meritórios praticados” nas funções de secretário-geral da CGTP.” Não há limites para o cinismo frio deste homem. Ignora o camarada do PS Carlos Silva, da UGT, e quer condecorar o sindicalista do PC porque nunca se sabe. Um país refém disto é um país de merda.»
Os privados, o lucro e a eutanásia
Vi por aí indignação pela circunstância de grupos privados de saúde anunciarem que nas suas redes de cuidados não matarão doentes, ou seja, não practicarão a eutanásia.
Considerar esta decisão ofensiva dos direitos e liberdades individuais é absurda, desde logo porque supostamente quem é favorável à eutanásia não pretende que a práctica seja generalizada, muito menos obrigatória, mas apenas uma opção disponível. A fúria contra os privados é também evidentemente tola porque uma empresa não deve ser obrigada a prestar serviços que não quer oferecer aos seus clientes, além de que os proponentes da despenalização da eutanásia querem que seja o SNS a “tomar conta da ocorrência”.
Mas, numa coisa estes indignados anti-privados têm razão: as considerações económicas (ou “economicistas”, como lhe costumam chamar) não deveriam distorcer ou impedir as boas decisões.
E aqui a questão que se coloca é que cuidar dos enfermos e prestar cuidados paliativos sai muito caro e o SNS não tem dinheiro.
Ou melhor: sairia caro porque hoje apenas uma ínfima percentagem dos cuidados paliativos necessários é assegurada pelo SNS…
Do ponto de vista do governo e do estado, para gestão das finanças públicas, é muito mais simples e fácil de executar cortes ou cativações a eito. Essa é e será a cultura dominante na administração pública pois seria muito mais complexo alterar as prioridades e opções de investimento, já para não falar da sustentação política que tais medidas exigiriam.
Um doente que esteja bem informado sobre cuidados e acções disponíveis para prolongamento com qualidade da sua vida torna-se um centro de custo.
Um doente potencialmente caríssimo e uma despesa extra potencial que importa evitar.
Por muito eticamente conscientes e compassivos que sejam os profissionais do sector, os incentivos são o que são e, mais ou menos inconscientemente, as pessoas respondem a eles.
É fácil de perceber as consequências que daqui poderiam advir…
Por isso importa a todo o custo que no mercado, privado, não estejam disponíveis nem visíveis alternativas à opção definitiva pela eutanásia.
Certamente a Dona Moreira e a Dona Mortágua condenarão o objectivo de obtenção de lucro pelos operadores privados de saúde ao apresentarem serviços adicionais para prolongamento de vida aos doentes. Mas é precisamente esta procura de lucro que moraliza o mercado ao tornar mais informadas as pessoas e, sobretudo, ao dar mais graus de liberdade e escolha aos doentes para tomarem as suas próprias decisões.
Já sabemos que um rico tem sempre acesso a serviços diferenciados.
Mas no caso de um pobre pedir para o matarem se calhar será mais conveniente este não chegar sequer a saber que se tivesse dinheiro poderia viver mais tempo…
Deve ser a isto que se chama populismo, não é?
Via Porta da Loja descobri isto. Os indignados do populismo não têm nada a dizer? Imaginem quantos cordões humanos já teriam sido feitos caso o alvo da peça fosse um alguém apreciado pelo sistema “mediático-diz que sou artista”.


Não é que fosse difícil de prever
Não é de hoje a minha antipatia pelo partido Iniciativa Liberal. Não que interesse a alguém, mas considero que desde a sua formação há uma componente mística do liberalismo assente num neo-paganismo bizarro, uma conexão hipster entre princípios doutrinários arranhados ao liberalismo clássico e a fusão do capitalismo com a elevação de uma religião laica atraente a bloquistas que desgostam dos batuques de djembés.
Após uma fase de notória evidência para que a motivação do partido fosse a de pegar nos mesmos temas identitários do Bloco de Esquerda pelo prisma de sapatos de vela, e sob risco de extinção precoce, o partido teve uma liderança que permitiu apaziguar o ímpeto progressista com propostas mais ou menos bem conseguidas de modernização do país para fora das amarras ineficientes da esfera estatal. Todavia, apesar de um resultado eleitoral surpreendente, a insustentável manutenção dos ímpetos fervorosos pela renovação social com trela curta – se não estás satisfeito com o teu país, muda o seu povo, já diria um Mao – revelou-se com a demissão do líder e o consequente regresso do partido às suas origens.
Pode até crescer eleitoralmente: o Bloco também cresceu. Contudo, será sempre crescer pelo aburguesamento dos tipos de djembé, não pelo eleitorado cuja preocupação é se terá ou não reforma. Ou, se tudo correr bem, extinguir-se-á sem alarido na redoma das certezas que o mundo moderno cria nas ilhas privadas da psique de cada um. Depois dos cartazes criativos não há mais nada a vender a eleitores que não hubris. Também estou certo que muitos amigos que ainda conseguem fazer o difícil exercício de se reverem no partido acabarão por pacificamente e sem espalhafato dedicarem-se a coisas mais nobres como a de deixarem de atribuir novas funções ao estado. Até porque para um Bloco de Esquerda que quer pagar menos impostos já temos, para o que daí é exequível, o Bloco de Esquerda.
Do mito ao #metoo
O Carlos M. Fernandes disseca o “feminismo” na Coluna semanal da Oficina da Liberdade no Observador e demonstra o ressentimento de que vive e o totalitarismo para onde nos leva.
Um excerto:
Num sistema fundado na igualdade, os crimes não têm sexo, cada um é responsável pelas suas decisões e a presunção de inocência é um princípio inviolável. Na distopia feminista, a culpa, se não pode ser atribuída ao homem ou ao patriarcado, deve ser pelo menos partilhada. E, na carência de culpados, a árvore do progressismo é regada de quando em quando com o sangue dos inocentes. O feminismo contemporâneo é inimigo de qualquer sociedade que se quer aberta, livre e tolerante.
Recomendo a leitura completa do texto.

O mundo fora da bolha da gente bonita que faz programas fofinhos e leis inovadoras
*A redução administrativa de 3% nos preços pagos pelo Estado ao sector convencionado dos meios complementares de diagnóstico e de terapêutica está a condicionar o acesso a exames fundamentais. O exemplo das ecografias obstétricas, para as quais faltam médicos dispostos a trabalhar pelos valores que o Serviço Nacional de Saúde paga, é um dos casos mais graves.
*A imoralidade da renda acessível em Lisboa. Fernando Medina prometeu 6000 casas de renda acessível, mas não produziu uma única: está a tirá-las da habitação social.
*Mais de 30 cabras e ovelhas mortas por cães vadios em Viana do Castelo
Empatia my ass
O argumento da empatia é a coisa mais manhosa que se pode usar para defender a eutanásia. Em primeiro lugar, porque empatia têm as pessoas da esquerda, aquelas que nos amam a todos e querem tanto o nosso melhor que, por eles, nem haveria ensino ou medicina privada; adoram-nos de tal forma que sabem exactamente o que queremos, o que devemos querer e a forma como o conseguir. Em segundo lugar, porque a empatia existe num plano de conexão entre pessoas individuais. Eu sinto empatia pelo Zé, que sente empatia pelo Joaquim, que por sua vez acha que eu sou um idiota. Ninguém sente empatia por grupos, como em “este grupo de pessoas, coitadinhas, vítimas de um terramoto, um grupo tão distinto que incluía mães, crianças e três violadores, merecem toda a minha empatia”. Ora, o que a eutanásia de estado é é precisamente a falta de empatia: o velho quer morrer? – Manda-se para o médico, que tem a empatia obtida pelos cinco minutos necessários para o matar, tudo isso depois de passar pelo processo de avaliação do estado – esse ente tão empático – que, com a máxima empatia, ainda consegue avaliar a veracidade da vontade expressa (são velhos amigos, o velho e o estado).
Usem os argumentos certos. Digam antes assim: não vejo qualquer problema em envolver o estado na tragédia pessoal de uma pessoa se for para autorizar um funcionário para que este cometa homicídio. Porque o estado dar autorização para homicídios tem tudo para correr bem: afinal, o estado é o supra-sumo da empatia.
Conversar sobre um mundo mais justo e fraterno.
Lula da Silva descreve o encontro de hoje como um “encontro com o Papa Francisco para conversar sobre um mundo mais justo e fraterno”.
O problema mantém-se.

