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bilhete da província

4 Fevereiro, 2022
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Alguns comentadores do meu último post insurgiram-se por eu ter dito que a Catarina Martins era uma provinciana nascida no Porto. Ora, eu próprio nasci no Porto, vivo habitualmente no Porto e não me importo nada de assumir o epíteto, esclarecendo os leitores indignados que uma coisa é ser provinciano, outra saloio e outra ainda um patego/parolo indecente. Acrescento, aliás, que a província não se exclui do universo da civilização e que, bem pelo contrário, se pode ser provinciano e cosmopolita. A quem não tiver ainda entendido a coisa, resta-me uma sugestão: leiam A Cidade e as Serras.

Ora aqui está um caso exemplar do discurso do amor.

1 Fevereiro, 2022

no regresso aos palcos da invicta

1 Fevereiro, 2022
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Na última década, Catarina Martins representou o socialismo extremista-chique do Bloco de Esquerda. Vinda da província e com uma carreira medíocre no teatro e no teatro da política local, Catarina combinou uma certa doçura com a fúria radical dos enragés de Hérbert, no pico da violência da Revolução Francesa, que ela procurou mimetizar à nossa escala.

A verdade dos factos é que Catarina Martins era um anacronismo provinciano num partido feito de elites da esquerda-caviar e intelectualóide das Universidades de Coimbra e Lisboa, e de certos Centros de Investigação regiamente subsidiados pelo estado, que fizeram do Bloco a sua mais bem sucedida experiência de engenharia política.

Enquanto durou, todos foram muito felizes. Mas, assim a pobre mulher tropeçou nos azares da vida, Boaventura Sousa Santos, o verdadeiro criador da criatura, exigiu-lhe a outrora tão admirada cabeça. Ser revolucionário tem destas coisa: um dia é a tua, amanhã será a minha. Esperemos que não lhe faça muita falta no regresso aos palcos da Invicta.

A improbabilidade de um país provavelmente seu (mas não)

28 Janeiro, 2022

Ao cair do pano de mais uma estimulante campanha eleitoral, impera que se salientem os aspectos mais positivos do amplo debate nacional sobre a situação económica mundial, o papel nacional na diáspora da cultura covid e a galáxia de portugalidade influenciadora no fortalecimento da integração europeia como obtido através do encerramento de fronteiras.

Da miríade de aspectos amplamente positivos desta campanha, tomando por critério a monumental contribuição para o debate popular obtido pelas estimulantes xingarias de vão de escada de candidatos — como transmitidas pela televisão — e posteriormente comentadas de forma épica por profissionais do marketing, cabeleireiros e outros discípulos de mindfulness avançada da escola Paula Bobone, pretendo salientar apenas um deles pela inquestionável influência na geração mais bem preparada de sempre: O Meu Primeiro Voto, do jornal Observador. Para o efeito recorrerei ao método científico de criar um jovem típico para ilustrar uma potencial contribuição real para o programa.

— Dionísio Nume, estudante do mestrado em Interseccionalidade pós-colonial de gaivotas de perna curta, concedeu-nos uns preciosos minutos da sua tentativa diária de masturbação para partilhar as suas emoções acerca do seu primeiro voto.

— Eu penso que o meu primeiro voto vai ficar marcado na história como sendo um voto essencial à sucessão de posteriores votos, até porque este sendo o primeiro é essencial que se realize para que possa existir um segundo voto.

— Dionísio, pensa que os políticos falam para os jovens?

— O que eu penso é completamente original, pelo que terá que ser consequentemente diferente daquilo que os outros pensam. Por isso, devolvo a pergunta para que depois lhe possa responder ao contrário da sua.

— Qual considera ser a maior lacuna na comunicação política para os jovens?

— A maior lacuna é a escola. Os horários escolares dão demasiada ênfase a coisas demasiado factuais e até a outras sem sentido prático como a matemática ou a ciência pré-colonial e pouco tempo às emoções. Nas escolas deveriam ensinar aos jovens como votar, quais são as ideologias, quais as certas e as erradas, quais os partidos que representam essas ideologias e como devemos ser cidadãos informados para votar certo num regime democrático. É com muito pesar que vejo colegas meus completamente inconscientes, que caem no canto do peru…

— …cisne…

— …avestruz da extrema-direita, como o Chega, que quer exterminar todos os esquimós, e o Livre, que quer calar a Joacine Katarina Nogueira.

— Joacine Ka… katar Moreira.

— Isso é racismo. O papel dos jovens é abrir portas que estejam escancaradas através do sistema de ensino de forma a revolucionarmos as mentes das pessoas para a originalidade de um sistema comunitário de redistribuição que permita que nos dediquemos a estudar fenómenos antro e ornitológicos de coação psicológica formatante de uma psique de aceitação da repressão não reparadora de danos do colonialismo expropriador amorfanhante das aves não binárias.

— Essa frase foi densa e em simultâneo desprovida de semântica. Uma mera aglutinação de palavras sem ligação entre elas.

— É uma opinião, a minha é diferente, como já disse.

— Dionísio, obrigado e votos de um bom primeiro voto.

— Foi um prazer. Quer dizer, ainda não, mas vou voltar ao trabalho pelo que em breve será.

Se tivessem Covid então seria caso para polémica assim é uma fatalidade

23 Janeiro, 2022

Duas das crianças feridas em acidente rodoviário em Palmela em estado grave

António Costa no tempo do professor Cavaco

23 Janeiro, 2022

Hoje no Observador trato de um dos tópicos que marca esta campanha do PS: o tempo do professor Cavaco, para usar a terminologia do líder do PS: «Porque está António Costa obcecado com Cavaco Silva? Afinal, como o próprio José Sócrates fez questão de recordar na entrevista que deu à CNN, o PS já teve uma maioria absoluta: a que ele, Sócrates, conseguiu! Sim, entre Março de 2005 e Setembro de 2009, Portugal foi governado em maioria absoluta pelo PS, facto que António Costa não pode ignorar não só porque já era nascido nessa data mas também e sobretudo porque integrou esse governo socialista de maioria absoluta nos nada irrelevantes cargos de ministro de Estado e ministro da Administração Interna.»

Como é mais que óbvio

18 Janeiro, 2022

José Gonçalo Marques:«O maior número de testes não permitiu travar o surto atual. Penso que nesta fase os testes já deviam estar reservados sobretudo para diagnóstico em sintomáticos e em contexto hospitalar.

A obsessão de fornecer diariamente os números de infetados, de internamentos e de mortes que continuam a alarmar, a meu ver desnecessariamente, a população. Sobretudo quando responsáveis de grandes hospitais nacionais nos garantem que atualmente mais de 50% das pessoas internadas infetadas por SARS-CoV-2 não estão internadas por causa desta infeção.»

Quem sabe? Talvez Sumol a mais

18 Janeiro, 2022

Dulce Salzedas, hoje, SIC Notícias:

Até pode acontecer que a criança tivesse uma qualquer doença não diagnosticada e que pudesse ter esta paragem cardiorrespiratória por causa disso, ou pode ter sido que a criança se tenha engasgado.

Ou até que a criança tenha decidido por ela própria reter a respiração até à morte por não a deixarem jogar mais uma hora de Roblox. Não devemos descartar as hipóteses mais óbvias. Isto há-de ser tirado a limpo até se saber, preto no branco, que foi um mero rapto seguido de asfixia por negacionistas para denegrir a miraculosa vacina.

Descansemos em paz

17 Janeiro, 2022

Durante alguns anos a partir de meados dos 90, naquela que foi a época dourada da geração que chegou aos anos 80 no pico do cavaquismo — enquanto noutros países lá chegaram aos anos 80 como consta no calendário — a malta manteve uma presença na internet através de escritos em blogues. Na altura, a tecnologia estava a favor da proliferação de opiniões, com todo o tipo de pessoas a publicarem registos das suas deambulações, pensamentos, receitas culinárias e fotos gamadas a outros que expressavam o tão habitual “hoje sinto-me assim”.

Depois vieram as redes sociais. Alguns migraram em exclusividade para estas, outros mantiveram uma presença dual, outros ainda ficaram pelo espaço não-imediato e contemplativo de textos ponderados, publicados em plataformas pouco dadas a vícios de dopamina com os seus thumbs up, ha-has ou sad faces. A cacofonia da igualdade, o pensamento comum, a troca do “ser interessante” pelo “ser popular”. Dão jeito: fazem com que sintamos pertencer a uma comunidade de outras pessoas que julgam pertencer a uma comunidade. Não satisfaz, mas mata a fome.

Escrevo isto enquanto descubro a faixa “The Loneliness” do álbum HitchHiker de Crystal Bowersox, e enquanto ela canta “I’m tired”, lembro-me de ter vaticinado há muito tempo que os jornais e partidos (passe a redundância) iriam destruir os blogues, colocando-nos a partilhar ligeiros comentários às suas notícias, passando os articulistas a meros DJ das más canções dos outros. No fundo, se nada temos a dizer — e creio que bem no fundo até não temos —, só poderíamos encontrar refúgio na política.

Alguns subsistem, a falar para os outros que subsistem, mas não vamos daí concluir que a coisa está viva. Não está: está morta, enterrada e em decomposição avançada. As colunas de opinião, salvo raríssimas excepções, estão no mesmo ponto de decomposição, só parecem um bocado mais conservadas à conta de um passado em que o que se escrevia era interpretado — frequentemente mal — pelos outros, os anónimos. A “sociedade civil” não existe, sendo esta apenas uma designação para os que ainda não estão “na política”, ou, em concreto, nos partidos. E como há poucos partidos (há muitos, mas a maioria é pastiche ou farsa dos outros), tudo fede, tudo apodrece devagarinho. Nunca fomos tão iguais.

Cá há o PS, o maior partido nacional, e há o PCP, um partido a sério. Para além destes, há uma miríade de pantomineiros (sem ofensa) à procura de um lugar ao sol. Ainda há o PSD, porque se há um PS tem que haver um PSD, mas é o lado B do mesmo disco, a versão instrumental de uma canção que nem por desprovida do mau poema passa a prestar. Mesmo assim, perde-se tempo a determinar quem arrasa quem, invariavelmente numa visão do mundo que o equipara ao vão de escada das bisbilhoteiras. É entediante: não é uma saída, é uma prisão.

Também não há artistas, nem há poetas, nem há pintores. Se há, são do PS, ou do seu clube infantil — o Bloco — ou jazem bêbados na berma da estrada. Há gente muito boa, muito capaz, muito interessante, mas ou tentam passar pelos pingos da chuva de um país capturado por pertença clubística ao partido, ou permanecem perfeitamente enclausurados no mundo que criaram para eles próprios, longe disto tudo, talvez a plantarem cenouras enquanto a TV fala de penas perpétuas, certificados de participação em experiências eugénicas e da pestilência da Europa, dos Macron, dos Boris, da massa de queques filhos de outros queques e cuja noção de classe é de que eles a têm e os outros não.

Por tudo isto, e por mais que me abstenho de explicar, a blogosfera morreu quando morreu a cultura nacional. Quem diz nacional diz europeia e norte-americana. Cultura não são os livros, a arte ou a música: é aquilo que todos conhecemos, vivemos e sentimos, aquilo que apenas alguns conseguem expressar através de um meio, seja musical, seja pictórico, seja com letras numa página. Em Portugal restam partidos a disputarem migalhas, portanto, se restasse cultura seria a da propaganda. Que é o que agora “a ciência” é, aqui e em qualquer lado. Tal como são os “racismos”, os “ambientalismos”, os “higenismos”, as tretas de género e toda a fraude intelectual dos solitários que importam taras de bandas ainda mais culturalmente delapidadas.

Deus nos ajude, porque mais ninguém nos poderá ajudar. Por isso, ergamos o cálice destas lágrimas e brademos aos céus: a blogosfera morreu, a cultura morreu, a Europa morreu, o país morreu, os adolescentes só comunicam a abanar mamas no Tik Tok por incentivo das escolas pelas regras do “novo coronavírus”, viva então Portugal! Não deixa saudades.

Certificado Digital: os “conspiracionistas” tinham razão

17 Janeiro, 2022

Desde Março de 2020 que questiono a nova virose (veja aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui). Pela forma como surgiu; pela forma como foi (ou melhor, não foi) combatida. Tudo muito opaco, tudo muito suspeito. Narrativas contraditórias, medidas sem qualquer nexo, censura sobre quem questiona a lenga lenga oficial, perseguição aos cientistas, virologistas, epidemiologistas renomados (alguns Nobel) que fazem contraditórios. Nada, absolutamente nada, faz sentido desde que foi declarada esta “pandemia”.

Ler mais…

Auto-crónica

17 Janeiro, 2022

No meu grupo de Facebook de microbiologia estamos a discutir se Jesus, tal como Anne Frank, foi denunciado por um judeu. Isto vem, naturalmente, a propósito da discussão nacional sobre o pangolim como alternativa viável à vaca numa dieta vegan, poupando água ao ciclo de destruição do heteropatriarcado. Concluímos, ainda de forma experimental, que a liberdade é passear pelos campos de papoilas com focinheiras enquanto a TAP sobrevoa pocilgas várias. Os hospitais estão que não se pode, mas o Bill Gates está a tratar disso. O Armando Gama morreu, mas não de covid, no fundo como o John Lennon, mas o Gama vacinado, eventualmente, e certificado, evidentemente.

Recentemente, fui informado de que estes textos não fazem grande sentido, mas foi por gente certificada, pelo que isso tem o valor que tem. A terceira dose já figura nos papéis a mostrar ao SS do McDonalds, excepto para os que morrendo ficaram privados do privilégio. Tenho tido uma zoeira na cabeça, pelo que pensei em ir para a fila da farmácia para me pesar, mas optei por ficar em casa a comer quiche. Estranhamente, liguei a televisão e facilmente conclui que, a julgar pelas conversas a que se assiste, estou completamente maluco. Melhor assim.

No intervalo da reunião de terraplanistas

11 Janeiro, 2022

Na vida de um negacionista também há momentos em que, inadvertidamente, somos confrontados com a opinião sábia, avisada e cientificamente certa da vasta maioria dos portugueses. A opinião da ciência democrática, portanto. Um desses momentos aconteceu há pouco, quando ouvi uma estação de rádio nacional entre a mudança de um álbum do Eric Clapton para o último do Van Morrison. Aproveito agora o intervalo da reunião do núcleo regional de flat earthers para escrever isto, pois depois estarei muito ocupado no congresso científico onde esperamos definir mais uma dezena de géneros ainda por documentar.

Parece que há uma incerteza sobre a hora a que voluntariamente deverão ir votar as pessoas em isolamento voluntário no dia das eleições. Pelo que percebi, estão a tentar definir um horário e condições para que pessoas voluntariamente cumpram a recomendação a definir por se sentirem obrigadas ao isolamento que lhes foi recomendado por gente sem nada útil para fazer que não o de recomendar cenas aos propensos a recomendações. Compreendo a causa: pessoas que se julgam obrigadas a isolamento também tendem a ser pessoas que julgam ter a obrigação de escolher o asno que se mostre asno suficiente para lhes recomendar recomendações. Estou ansioso para ver como vão lidar com a recomendação de uso de máscara quando lhes aparecer um daqueles que não vai em recomendações na mesa de voto. Infelizmente, penso que não vão usar voto por correspondência, para pena minha, pois teria muito mais tempo para refinar o desenho da pila que o boletim de voto merece. Assim, com o voto presencial, terá que ser daquelas rápidas, depiladas, como as de um dos géneros ainda por definir.

Estão a chamar. Acabou o intervalo. Vou terminar o texto por aqui, fraquinho e sem nada de útil para dizer nos tempos que correm, que um senhor está ali a apresentar as provas irrefutáveis de que as vacinas estão a fazer muito bem às pessoas e a dar cabo dos cofres da Pfizer e companhia.

Página a ler

10 Janeiro, 2022

O Página Um tem publicado vários artigos que dão conta da distorção da informação nesta pandemia. A questão dos óbitos atribuídos à Covid mereceu um desses aritgos que vale a pena ler. Aqui ficam alguns casos apresentados pelo Página UM

Óbitos atribuídos à covid-19 de pessoas internadas no próprio dia da morte após quedas e outros acidentes similares

Homem, 91 anos
Data de internamento: 28/11/2020

Causa do internamento: queda resultando em traumatismo crânio-encefálico com hematoma subdural e lesão focal.
Unidade de saúde: Centro Hospitalar Universitário de Coimbra

Homem, 87 anos
Data de internamento: 15/01/2021
Causa do internamento: queda resultando em traumatismo intracraniano de doente diabético.
Unidade de saúde: Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (Amadora-Sintra)

Mulher, 84 anos
Data de internamento: 27/01/2021
Causa do internamento: queda de doente acamado com doença de Alzheimer.
Unidade de saúde: Centro Hospitalar de Setúbal

Mulher, 65 anos
Data de internamento: 24/11/2020
Causa do internamento: queda resultando em traumatismo crânio-encefálico hemorrágico.
Unidade de saúde: Centro Hospitalar Universitário de São João (Porto)

Perpétuos enganos

9 Janeiro, 2022

A propósito da temática da prisão perpétua trato hoje no Observador da nossa condenação, enquanto país, à mediocridade e à pobreza perpétuas: Como e quando o sonho de viver melhor deu lugar entre ao esforço administrativo para provar que se vive mal qb para ter direito a receber um apoio? Ou beneficiar de uma isenção? Esta pergunta assalta-me quando leio na capa do Expresso desta semana: “PS quer Estado a apoiar subida de salários no privado” Estamos a assistir ao aparecimento de uma nova geração de portugueses: os que não aspiram a viver melhor mas sim a conseguir fazer prova de que continuam a viver mal qb para poderem ser apoiados. Patrões, empregados, novos e velhos, eles não só vivem mediocremente. Eles precisam de viver assim para que o socialismo diga que funciona.

O Expresso e a SIC não celebram o ataque informático aos seus sites?

7 Janeiro, 2022

Depois de anos a apostar na divulgação de informação acedida de forma ilĺícita o grupo Impresa tornou-se alvo de um ataque similar àqueles que têm alimentado aquilo a que chama jprnalismo de investigação.

Tesourinho deprimente

5 Janeiro, 2022

Uma centena de pessoas juntou-se para publicar um manifesto pró-geringonça num jornal que mais parece um edital do Bloco de Esquerda, o Público.

A parolice e jactância de pensarem que ao escrever um texto em conjunto conferiria à iniciativa alguma relevância política, revela a húbris da bolha em que vivem estes auto-ungidos.

O facto de serem defensores de uma solução governativa que deixou o país com a maior carga fiscal de sempre e uma elevadíssima dívida pública que será paga pelas gerações futuras, não surpreende.

Mas este abaixo-assinado de lunáticos da extrema esquerda tem inegável piada e é um manancial de factos curiosos que não resisto a partilhar com os seguidores deste canal.

O decano destas coisas é Boaventura de Sousa Santos que arregimentou pelo menos 18 pessoas ligadas ao seu centro de estudos da universidade de Coimbra de que se auto-intitula “director emérito”. Fica a dúvida se estes 18 signatários participam nesta fantochada por convicção ou por reverência ao chefe.

Outros seis subscrevem o texto enquanto “jornalistas”, não se coibindo no entanto de fazer acção politico-partidária activa. Dois são comentadores avençados nas televisões e outra é apenas conhecida por ser viúva de um prémio Nobel. Uma sétima pessoa dita “jornalista” poderia também ser apresentada como filha de uma operacional ligada à rede bombista das FP25. Esta última, por sinal, também assina o manifesto, não enquanto próxima de terroristas, mas na sua qualidade de médica.

Há também neste conjunto de personalidades um investigador de um laboratório colaborativo liderado por Manuel Carvalho da Silva (ex-CGTP) que obteve subsídios públicos superiores a 1.300.000€.

Temos também entre o grupo dos 100 uma advogada que se notabilizou por ter patrocinado Otelo e defender tolerância e compreensão para com os Talibãs do Afeganistão. Acompanha ainda este conjunto de cidadãos um agente da polícia que ficou conhecido por clamar nas redes sociais pela «decapitação de racistas nauseabundos» e por apelar ao «combate contra André Ventura», embora tenha vindo depois esclarecer que foram apenas declarações metafóricas suas.

Para adornar a coisa e dar um ar intelectual e urbano à empreitada, juntaram-se mais uns escritores e alguns artistas, mas foram sensatos pois Pedro Abrunhosa entra como músico e não como cantor.

Entre os co-autores deste manifesto estão ainda:

  • uma senhora que trabalha no escritório do marido da actual ministra da Justiça;
  • o tio do ministro da Economia;
  • uma antiga secretária estado do PS;
  • um apoiante do antigo secretário-geral da CGTP para presidente da Assembleia Geral da associação mutualista Montepio;
  • um ex-ministro de Guterres e dirigente da campanha de Ana Gomes à Presidência da Repúbica;
  • o mandatário da candidatura da CDU a Mértola;
  • um antigo dirigente do Movimento Católico de Estudantes;
  • o presidente do maior sindicato de professores;
  • uma deputada municipal do Bloco;
  • ex-dirigentes do Bloco e do Livre assim como militantes do PS

Mas todos estes são capciosamente apresentados como professores universitários, sociólogos, arqueólogos, arquitectos, editores ou investigadores, para dar a ilusão de independência e descomprometimento políticos.

Esta gente vive directa ou indirectamente dependente do Estado e encostada a quem está no poder e tudo isto parece uma carta de defesa de empregos e posições sociais.

Até 30 de Janeiro ficamos ansiosos por mais tesourinhos deprimentes.

O meu vídeo de hoje, aqui:

Neste debate discutiram-se temas concretos

5 Janeiro, 2022

Pode ou não concordar-se com as soluções apresentadas por Francisco Rodrigues dos Santos e Inês Sousa Real mas os dois discutiram temas concretos. Não ficaram por cenários nem projecções.

A vida no país da Omicron

5 Janeiro, 2022

Esta é uma foto de uma praia na África do Sul por este mês de Janeiro. Na África do Sul este é um período habitual de férias. E os sul-africanos fazem o que por ali é habitual neste período: vão à praia, saem, passeiam. Fechados em casa, confinados, isolados é que parece que há poucos.

Nunca melhor explicado

4 Janeiro, 2022

José Diogo Quintela sobre a não escolha da artista Grada Kilomba para representar Portugal na Bienal de Veneza: «Um júri composto por três mulheres e um homossexual é chamado a avaliar as candidaturas de uma pessoa não-binária, uma mulher e duas negras. Apesar de três juradas terem colocado a negra número 1 em primeiro lugar e o homossexual ter lá posto a mulher, pela média aritmética venceu a pessoa não-binário. Isto num concurso organizado pelo ministério dirigido por uma lésbica, parte de um governo chefiado por um indiano. Houve protestos por parte dos amigos da negra número 1, que responsabilizaram o racismo sistémico. Não sabemos reacções da pessoa não binária, nem da mulher, nem da negra número 2. (…) Como cereja de absurdo no bolo do queixume, é preciso acrescentar que estes artistas anti-sistema se estão a esgatanhar para serem escolhidos como representantes portugueses na Bienal de Veneza, um dos mais prestigiados certames internacionais de arte. Para mais, realizado numa antiga potência colonial que participou no tráfico de escravos. Um evento criado por privilegiados homens brancos europeus no séc. XIX. A definição perfeita de “sistema”»

Bem vindos ao primeiro ano da civilização dos pacientes

2 Janeiro, 2022

No Observador trato do que registo como a grande transformação registada nesta pandemia: «Não é coincidência qualquer semelhança com a entrada num hospital a nossa vida nesta passagem de 2021 para 2022, à espera dos efeitos de uma vaga Omicron que, garantiam, nos ia matar aos milhões: passámos de cidadãos a pacientes, a política adquiriu o modo de funcionamento das urgências hospitalares, os políticos não prestam contas, dão instruções que, dizem, nos vão salvar. (E quem não se quer salvar?) Vivemos agora com o tempo suspenso do universo hospitalar. Tudo fica para depois. Agora vamos salvar-nos. Os pacientes não criticam, acreditam – precisam de acreditar – que se cumprirem serão salvos. A sobreposição com o discurso religioso não é casual.»

Não há camisas só um bocadinho menos sujas

2 Janeiro, 2022

Não há nada para mim nas próximas eleições. Todos os partidos, sem excepção, são coniventes com este “estado de emergência” (ou de “catástrofe”, ou de “cataclismo”, ou de “holocausto”). Alguns ainda se esforçam para conseguir o feito de lançarem um discurso redondinho do contra, mas sem causar mossa, em particular ao bando de idiotas que inevitavelmente compõem o corpo numérico de invertebrados que preenchem todos os partidos.

Neste momento, quem não especificar no seu programa eleitoral – e exactamente nestes termos – o seguinte parágrafo é meu inimigo:

Certificados digitais deverão ser imediatamente abolidos e qualquer entidade, pública ou privada, que o solicite deve ser pontapeada nos dentes. Máscaras são proibidas em todos os estabelecimentos de ensino, transportes públicos, serviços públicos e privados, com a excepção de pessoas que desempenham funções cirúrgicas, se identifiquem com a identidade de género de dentistas ou se trate de evento como baile de máscaras ou ritual sexual inspirado no “Eyes Wide Shut”.

Há mais na vida do que evitar a morte

1 Janeiro, 2022

O “princípio da precaução” é essencialmente um princípio para tomar decisões sem evidências adequadas que afetam radicalmente a vida das pessoas . A sua rejeição [a 20 de Dezembro pelo governo britânico] foi um desenvolvimento encorajador com o qual outros governos europeus poderiam aprender.

O NHS [SNS britânico] é uma instituição, não um regulador. Existe para enriquecer e não para empobrecer nossas vidas. Existe para nos servir, e não o contrário. Não precisamos culpar os epidemiologistas. É seu trabalho não pensar em nada além de epidemias. Mas esta não é uma prioridade sensata para o governo ou para o resto de nós.

Temos vidas para viver e há mais na vida do que evitar a morte.

Tradução de excertos de artigo de Lord Sumption no The Telegraph de hoje, a ler por completo aqui.

O voto nas Legislativas

29 Dezembro, 2021

As mensagens de Ano Novo costumam ser preenchidas com votos de paz, boa saúde, confiança no futuro e felicidades. Também são desejos meus, embora, confesso, não tenha expectativa de que 2022 venha a ser um bom ano para os Portugueses.

Em Janeiro próximo teremos eleições legislativas mas quaisquer que sejam os vencedores é de esperar que mais de dois terços do Parlamento sinta ser sua missão pública decidir sobre a vida dos Portugueses colocando o Estado como agente principal e referencial da sociedade.

Ora, convém não esquecer que Democracia e Liberdade são conceitos diferentes e não raras vezes podem ser até conceitos incompatíveis. A Democracia não é um fim em si mesmo. É antes um instrumento útil e uma ferramenta validada ao longo dos tempos para uma sã convivência em comunidade que permite ajustes das naturais tensões sociais.

Muitas vezes esquecemo-nos também de que a Constituição não é (ou não deveria ser) um documento que outorga direitos aos cidadãos, mas antes um último reduto de defesa dos cidadãos perante os abusos do Estado e do Poder.

Porém, para uma Democracia ser livre e aberta os governos devem decidir sobre o mínimo possível acerca das nossas vidas. O que não tem acontecido no nosso país, onde apesar de haver eleições e ser dada ao povo a possibilidade de escolher regularmente os seus deputados, todos nós somos cada vez mais invadidos na esfera das nossas vidas privadas, seja pela subtracção em doses crescentes da riqueza que produzimos, seja por via da legislação passar a ditar os costumes, a regular a moral e, como temos visto nestes dois últimos anos de histeria da seita covidesca, a destratar-nos da saúde como se fossemos incapazes e desprovidos de qualquer capacidade cognitiva.

É razão para perguntar: quão substantivamente diferente é a liturgia democrática das eleições da manutenção no poder de um tirano, quando em ambas as situações o resultado tende para o mesmo fim que é o de apascentar populações servis e amputar a soberania de pessoas cientes e responsáveis pelo seu próprio destino?

A Liberdade não espera cartas de alforria concedidas pelos partidos ou pelo Estado. Em 30 de Janeiro próximo não irei votar para eleger representantes ou legisladores e muito menos para escolher um bom governo.

O meu voto servirá apenas para desalojar António Costa e o PS do poder, acabar com o pior governo dos últimos 40 anos e rejeitar um grupo de dirigentes políticos caracterizados pela sua falta de dignidade e sórdida ausência de escrúpulos e princípios morais ou éticos.

O meu vídeo de hoje, aqui:

A ler e ver: a história das FP 25 no Observador

28 Dezembro, 2021
Antes sequer de começarem a atuar, já tinham uma morte no cadastro.
Seguir-se-iam muitas mais: quando a Justiça conseguiu acabar com as FP-25, 13 pessoas tinham morrido vítimas das balas e das bombas da organização terrorista.
Esta é a história de como um pequeno grupo de homens e mulheres espalhou o terror em Portugal entre 1980 e 1987. A PJ, o Ministério Público e os tribunais nunca tiveram dúvidas: o seu líder era Otelo Saraiva de Carvalho
.

A notícia principal é que a notícia principal é uma campanha de medo e histeria

26 Dezembro, 2021

Todos juntos no Natal

22 Dezembro, 2021

A preparação para o Natal é um bom momento para lembrar as vítimas esquecidas das medidas destrutivas, deploráveis e funestas que o governo de António Costa tomou a pretexto da histeria colectiva com um vírus respiratório.

Milhares de pessoas morreram ou viram muito seriamente comprometida a sua qualidade e esperança de vida devido à obsessão aberrante do governo com uma única doença. O governo realocou os recursos de um Serviço Nacional de Saúde – que se encontra em frangalhos há mais de 20 anos em mãos socialistas -para atender os enfermos de uma doença que tem a atenção das televisões, mas esqueceu deliberadamente as muitas centenas de milhar de vítimas que sofrem de outras doenças (actualmente menos mediáticas) mas muito mais letais e causadoras de sofrimento muito mais duradouro do que a covid19. Sem tratamentos e diagnósticos atempados esses milhares de pessoas viram a sua vida irremediavelmente comprometida pelas decisões de burocratas e decisores políticos.

Lembremo-nos dos idosos despejados em lares a quem os governantes e irresponsáveis conselheiros e especialistas negaram ou dificultaram profundamente a visita e carinho dos seus familiares. Ou todos aqueles que em idade avançada e tendo até seguido escrupulosamente as recomendações de inoculação, se vêem privados da companhia da sua família alargada precisamente na altura do Natal em que, quiçá pela última vez, poderiam conviver com todos os seus.

A lista de exemplos de pessoas espezinhadas e obrigadas a penosos sacrifícios e sevícias morais, psicológicas, atentatórias do seu bem-estar e que esbulham o seu futuro é quase infinda.

Destaco apenas mais um grupo, o das crianças e jovens privados de um verdadeiro ensino, com aulas presenciais, em resultado das regras maníacas e absurdas definidas centralmente nos corredores das agências do Estado. O impacto desta privação perdurará ao longo de toda a sua carreira escolar e profissional.

Ora, o Natal é um tempo Santo que não é compatível com uma espécie de conspiração de silêncio da sociedade e em particular das chamadas elites formadoras de opinião em torno do tanto que o Governo tem prejudicado as famílias portuguesas a pretexto do vírus da moda.

O Natal é um momento em que não só devemos cumprir as nossas obrigações sociais, em particular para com os que nos são mais próximos, mas também uma festa para desfrutar do encontro e da companhia de todos os nossos familiares, e quanto mais alargadamente e juntos for possível, celebrar o nascimento do menino Jesus e com Ele não ter medo de viver.

O meu vídeo de hoje, aqui:

a doutrina rio

19 Dezembro, 2021
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“Rio é o herdeiro de uma certa tradição da direita nacional que Eça sumariava na gravitas profunda do Conselheiro Gama Torres: Salazar, Cavaco, Rio. Homens de poucas palavras, inquestionável auctoritas”.

Votar ou não na IL

17 Dezembro, 2021

Politicamente sou um liberal. Já em termos pessoais é irrelevante se sou ou não conservador, desde que o liberalismo, como eu o entendo, seja sobretudo um “vive e deixa viver”, uma apologia da tolerância. Em suma, defendo a liberdade de fazer e dizer asneiras, defendo a evolução espontânea das tradições e das instituições, as quais devem ser defendidas e não manipuladas de cima para baixo, sobretudo em nome de uma falsa neutralidade libertadora. Irrita-me, por isso, um certo tipo de liberalismo de inspiração utilitária, supostamente científico, que defende esta doutrina por ser a que traz mais benefícios à sociedade. Não é essa a minha linha de pensamento; sou liberal porque me arrogo no direito natural de fazer o que entendo, mesmo que isso possa estar errado. Em sociedade, as formas fundamentais para coordenar espontaneamente esses direitos naturais são o mercado e os direitos de propriedade. É preciso protegê-los.   

Posto isto, quem “não deixa viver”? Como é evidente, a maior ameaça ao “vive e deixa viver” é o monstro estatal, são as novas e velhas ideologias de cariz totalitário que o estado protagoniza frequentemente, funcionando como uma espécie de mestre de uma tirania da maioria.

Há uns anos, em Portugal surgiu um partido intitulado liberal que aparentemente se situa na minha linha de posicionamento filosófico: a Iniciativa Liberal.

Atalhando: no dia 30 de janeiro ou votarei IL ou não porei os pés na escolinha na qual costumo votar. Parto do princípio de que vou eleger deputados e não futuros ministros, pelo que é muito importante saber quem serão as pessoas elegíveis no distrito do Porto.

Carlos Guimarães Pinto, pessoa que estimo bastante, é sem dúvida um bom cabeça de lista. Mesmo não concordando com tudo o que ele diz ou escreve, é um valor seguro para o campo liberal. No entanto, apesar do palco que teve estes anos, pouco o ouvi sobre este ataque ignóbil à liberdade que tem sido a gestão da palermia. Terá, com certeza, oportunidade de corrigir este quase silêncio durante a campanha. Se o fizer, em modos que eu considere aceitáveis, terá o meu voto, se se cumprirem as condições seguintes:

– Que o partido se assuma como fortemente opositor da tendência totalitária em curso, em especial na sua vertente sanitária.

 -Que eu não tenha reservas éticas sobre nenhum membro da lista da IL no Porto, em lugar elegível.

DGS tem Graça

15 Dezembro, 2021

No website da Direcção Geral de Saúde escreve-se que a DGS é «uma fonte informativa de inquestionável utilidade» e acrescenta-se que a organização se caracteriza pela sua «capacidade estratégica, competência, inovação e transparência». Como há por aí gente a espalhar notícias falsas quero assegurar-vos que o que vos transmiti anteriormente não foi retirado de nenhuma conta paródia, nem consta que o site da DGS tenha sido alvo de ataque por parte de piratas palhaços.

Dito isto, parece-me que dos qualificativos usados o mais acertado e justo de atribuir à DGS é o de ser uma entidade inovadora. O facto de a sua directora-geral não trabalhar com computadores e provavelmente usar ainda o minitel em vez da Internet terão sido algumas das razões para termos assistido ao longos dos últimos 21 meses a um salto de inovação sem paralelo na história mundial que foi o de a DGS esquecer por completo todos os princípios básicos de saúde pública validados e adensados durante as décadas anteriores para, ao invés, ter posto em prática políticas e medidas experimentais inovadoras a pretexto do “combate” a um vírus respiratório.

Alguns exemplos da vanguarda da DGS na gestão desta epidemia são a descoberta de que o vírus não ataca anões com menos metro e meio, e por isso o uso de máscara nos restaurantes é obrigatório quando se está de pé, mas não quando se está sentado; a revelação à humanidade pela magnífica equipa da Dona Graça de que o vírus da covid19 é noctívago e por isso a DGS recomendou às pessoas não saírem de casa à noite; ou a inteligente medida para trocar as voltas ao vírus fechando o comércio durante as tardes de fim-de-semana e obrigando a ajuntamentos de clientes durante as manhãs.
Enfim, a lista de evidências da espantosa competência e rigor científico da DGS é tão extensa que, como se diz no site oficial desta agência do estado é «inquestionável a sua utilidade».

Já atribuir a categoria de «Autoridade Nacional de Saúde» à DGS será menos consensual. Isto porque são vários os candidatos a esta designação. O Conselho Nacional de Saúde Pública parece ter saído da corrida porque desde o início de 2020 quando emitiu pareceres não alinhados com o governo perdeu toda a sua reputação. O Colégio da Especialidade de Pediatria da Ordem dos Médicos esteve bem posicionado, mas desde que o seu presidente considerou que vacinação de crianças entre os 5 e os 11 anos é «desproporcionada» e «desnecessária» ficou para segunda escolha. Dada a insolência deste órgão a DGS constituiu especificamente uma Comissão Técnica da Vacinação contra a covid-19, mas este colégio de especialistas afinal considerou prudente aguardar antes de avançar com vacinação universal deste grupo etário, e por isso foi desclassificado. De forma que o Dr. Paulo Portas, visionário e principal promotor da aplicação de telemóvel de rastreio da doença e o Dr. Marques Mendes, porta-voz informal do hipocondríaco e mexeriqueiro encartado do regime estão em vias de destronar a DGS enquanto Autoridade Nacional de Saúde.

De qualquer forma, como é António Costa que decide sobre matérias de saúde pública conforme lhe der mais jeito para se manter no poder, os portugueses poderão continuar perfeitamente descansados e confiantes na excelência técnico-científica da DGS, nomeadamente para acompanhar e aconselhar a população também sobre todas as outras doenças que matam muito mais pessoas do que a covid19.

O meu vídeo de hoje, aqui:

Estranhos vão os tempos

15 Dezembro, 2021

O Pedro Almeida Vieira que está a levar pela frente o projecto PÁGINA UM chama a atenção para a dualidade de critérios que vigora quando se fala de jornalismo:

O embuste sistémico

12 Dezembro, 2021

Hoje no Observador escrevo sobre o embuste sistémico. Comecemos pelo do racismo sistémico. «Uns peritos da ONU visitaram Portugal durante uma semana. Chocaram-se com a presença do “passado colonial” e afiançam que “Portugal ainda tem uma narrativa colonial tóxica” Para compor o ramalhete das indignações à medida, em tudo o que mexia estes peritos entreviram racismo: morreu um preso numa cadeia portuguesa? É racismo. Apanharam um táxi que se recusa a entrar na Cova da Moura? É racismo. A propósito desta ida de táxi à Cova da Moura não posso deixar de sugerir aos peritos que da próxima vez que vierem a Portugal se instalem num hotel próximo da Cova da Moura. Desse modo constatarão os inúmeros problemas que afectam os residentes da zona sejam eles afrodescendentes, celtiberodescendentes ou visigododescendentes»

A ouvir… e ver

11 Dezembro, 2021

Portugal declara-se independente de Lisboa

10 Dezembro, 2021

A convite da Oficina da Liberdade, José Rentes de Carvalho descreve no Observador o seu sonho de Portugal se declarar independente de Lisboa.

“Por vários sentimentos e razões, as palavras do Presidente e a interpretação do jornalista vieram sacudir uma velha ideia minha: a de que Lisboa é um enclave, povoado de gente com uma nebulosa ideia do país a que pertence, e recordar o sonho que há muito acalento, o de que numa manhã de sol o rádio me acorde com a notícia de Portugal se ter declarado independente de Lisboa.“

O texto completo, imperdível, encontra-se aqui com o título “Bolsa larga, barriga cheia“

Parecer do Conselho Consultivo de Pediatria da Direcção Geral da Saúde

9 Dezembro, 2021

Obtivemos o parecer secreto, que agora divulgamos.

Parecer do Conselho Consultivo de Pediatria da Direcção Geral da Saúde

Em conclusão da assembleia extraordinária realizada, aconselhamos a instituição requerente, a Direcção Geral de Saúde, a inocular todos os cidadãos com idades compreendidas entre os cinco e os onze anos de idade com a substância já comprada à Pfizer/BioNTech de acordo com o parecer técnico do senhor doutor Paulo Portas, do senhor doutor Rodrigo Guedes de Carvalho e dos restantes senhores doutores que exercem teleconsulta em todos os programas de televisão onde obtemos o conhecimento científico que nos permite também acrescentar que a senhora doutora Graça Freitas tem feito aparições televisivas muito informativas e, porque não dizê-lo?, muito sexys.

Como comentário adicional a este parecer secreto, gostaríamos de agendar já a reunião deliberativa das culpas técnicas a atribuir aos palermas que diligentemente vão inocular os pirralhos com esta merda. Sugerimos a próxima quarta-feira.

Pel’O Orgão Consultivo Secreto,

Zé Mengele, doutor de putos

Covid e crianças: a diferença entre o diz-se o é

9 Dezembro, 2021

Jacinto Gonçalves, Vice-Presidente da Fundação Portuguesa de Cardiologia: «na Europa estamos no prelúdio duma nova vaga, ainda da variante Delta, precedida como de costume, duma campanha alarmista nos media, que suscita o medo. O aparecimento da nova variante Ómicron, provocou reacções desajustadas e irracionais. É totalmente insensato fechar uma urgência pediátrica e uma consulta de pediatria num hospital só porque um dos médicos que lá trabalha testou positivo. É possível continuar a trabalhar em segurança sem pôr em causa o “superior interesse da criança” garantida pelo Decreto 49/10 de 12 de Setembro, promulgado pelo saudoso Presidente Mário Soares. Diz-se nos telejornais que há imensas crianças infectadas e que por isso devem ser vacinadas; mas não há crianças com Covid 19 nos cuidados intensivos pediátricos, o que prova, tal como a baixíssima mortalidade, que a expressão clínica da doença nas crianças e jovens é extremamente benigna.»

A sério? Como é possível tal ausência? Tal perda?

8 Dezembro, 2021

Eduardo Cabrita anunciou que não volta a candidatar-se ao cargo de deputado.

“Campanha Viajar sem Pressa” – no próximo ano não querem convidar os membros do Governo?

8 Dezembro, 2021

Só não sintam vergonha por tomarem a vacina

6 Dezembro, 2021

Não há motivo para se envergonharem de terem tomado a vacina. Eu sei que o entusiasmo de receber uma droga experimental grátis, paga com o desemprego e cancros por diagnosticar, leva a que queiramos que o resto do mundo sinta a mesma transcendência que sentimos, mas nem todos estão preparados para providenciar a benção dos vossos actos com narcóticos através da participação obrigatória nessas actividades recreativas.

Bem sei que se todos lambessem a tampa da sanita não teríamos que andar às escondidas a sentirmo-nos oprimidos por uma sociedade que nos condena, mas estamos no século XXI e esses assuntos já não são tabu. Podeis lamber a tampa da sanita da big pharma tranquilamente sem precisar de anunciar ao mundo a obrigatoriedade para todos que legitimaria os early adopters, que os faria sentirem-se bem com esse salto de fé para uma religião de obscurantismo.

Houve um tempo em que fez sentido falar de liberalismo, liberdade e coisas bonitas de jardins floridos, mas hoje, que já se assimilou que bancos de jardim são para estarem vedados sob risco de pessoas mostrarem sinais exteriores de vida, o próprio termo já só tem significado como farsa. As escolas estão cheias de crianças e adolescentes mascarados, desprovidos de identidade, mesclados num “eu” colectivo de resignação à anódina existência de pacientes em potência. Agentes de contaminação. O ser humano como destruidor da humanidade por desprovido de fé na “ciência” estabelecida por evangelistas de TV, uma Igreja Universal do Reino da Pfizer com bispos e diáconos que apregoam as virtudes públicas que asseguram a riqueza necessária para os vícios privados.

Se até o lotus pode desabrochar na lama, qualquer um pode obter a luz que o conduza à plenitude da existência. Mas há, porém, um caminho a percorrer e esse é, inevitavelmente, um caminho individual. Ou como diziam os árabes antigos, a palavra é de prata, mas o silêncio é de ouro.

Encontrar-nos-emos novamente, seja como humanos, seja como animais, seja como uma ínfima parte de cada um de nós agrupado molecularmente num novo coronavírus. Até lá, meditemos em privado.

É o Estado de Direito socialista a que temos direito

5 Dezembro, 2021

Foi assim com o caso Casa Pia. Foi assim com Sócrates. É assim com Eduardo Cabrita: além do motorista-bode expiatório temos invariavelmente a reiteração do “Estado de Direito a funcionar”. Hoje, no Observador, trato do lugar perigoso a que nos conduziu a banalização da ideia de que enquanto não há uma acusação do ministério Público não há responsabilidade: “Seja na política, na vida de cada um, nas empresas ou nas escolas, o certo e o errado não podem ser definidos por despachos do Ministério do Público. E não podemos, nós e quem nos governa, permitir que o Estado se substitua à consciência. Não por acaso vivemos num quotidiano cada vez mais criminalizado enquanto actos que sabemos errados não sofrem qualquer censura porque não foram considerados crimes.“

Certificado da nossa decadência

3 Dezembro, 2021

«A melhor forma de controlar um povo e controlá-lo em absoluto é retirar um pouco da sua liberdade de cada vez, erodindo direitos de mil e uma diminutas e quase impercetíveis maneiras. Assim, as pessoas não sentirão a perda desses direitos e liberdades até um ponto em que essas mudanças já não poderão ser revertidas». Esta citação circulou abundantemente nas redes sociais, mas foi erradamente atribuída a Adolf Hitler. Mesmo que nunca a tenha escrito no Mein Kampf nem conste que alguma vez a tenha proferido, quem a lê reconhece o nazismo implícito na mesma. É verosímil.

A supressão da liberdade individual por meio da aplicação de coerção física directa e ostensiva é um meio pouco sofisticado e, a prazo, insustentável de manter pois fomenta resistências e boicotes. Já a manipulação, condicionamento psicológico e controlo comportamental que assente na persuasão ao consentimento por parte da maioria das pessoas, permite a manutenção mais prolongada do status quo.

É num estado de “amor pela servidão” – como lhe chamou Aldous Huxley – que estamos há 20 meses desde que nos impingiram uma narrativa de medo a um bicharoco chinês. Os governantes e políticos em pânico por não conseguirem aceitar a sua impotência perante um fenómeno natural que é uma epidemia respiratória que se transmite por todo o mundo, repetidamente colocaram a sociedade em stress psicológico através de políticas e declarações públicas próprias de perigosos demagogos que, amplificadas à escala planetária por uma comunicação social rendida a “jornalismo” de causas e desejosa de drama e tragédia para atingir shares de audiências, coloca as decisões dos nossos dirigentes no limite de se poderem considerar terrorismo de Estado.

Mas o terror deixa o povo manso e dócil e se combinado com a perspetiva ilusória de esperança no relaxamento das normas (“duas semanas para achatar a curva”; “contenção para salvar o Natal”; “restrições só até a vacina chegar”, etc.) é um método quase infalível de dissolução da sociedade e de aceitação generalizada de tudo o que seja determinado por quem está em posição de poder.

É neste quadro que a oligarquia controladora, aproveitando o estado de alucinação e hipnose colectivas que vivemos, introduz o mecanismo de segregação social proto-nazi da obrigatoriedade do certificado cov19 para inúmeras actividades da vida quotidiana, excluindo na práctica os não-vacinados da vivência em comunidade. Para tal é invocado o pretexto da defesa da saúde pública. Mas o conceito de “saúde pública” não pode ser questionado e tudo é tratado como uma questão meramente técnica só ao alcance do discernimento de uns eleitos. Porém, todos os efeitos colaterais de ordem económica, social e política são totalmente esquecidos e convenientemente negligenciados.

Como escrevia recentemente Lord Sumption, não havendo limites ao que uma maioria assustada pode legitimamente impor aos outros e na ausência de escrúpulos morais na busca do que se pensa ser um bem público, os seres humanos são reduzidos a meros instrumentos de política de Estado. Ultrapassada esta linha de decência e de moral, deixamos de viver numa sociedade aberta.

Os certificados cov19 não são um instrumento benigno e dizerem-nos que não há alternativa ao passaporte sanitário para um regresso ao “velho” normal, é falso. O que possa parecer à primeira vista uma mudança trivial nas nossas vidas, é na verdade uma perversão de uma sociedade livre e democrática. É transformar uma sociedade com indivíduos naturalmente livres, numa sociedade em que são os organismos do Estado a conceder a seu critério permissões de liberdade condicionada. É uma alteração profunda e radical da nossa civilização em que a liberdade individual fica limitada àquilo a que for dado explícita permissão.

Ademais, é fácil de ver o plano inclinado ou mesmo o precipício a que a aceitação do certificado cov19 nos levará. Hoje são pedidas duas doses de vacina, em breve serão exigidas três e quatro e cinco. No Reino Unido, por exemplo, já todos os adultos passarão a ser inoculados de três em três meses. Em breve o fascismo sanitário chegará ao comportamento dos obesos, depois dos fumadores e seguidamente dos apreciadores de bebidas alcoólicas e a todos os que quem está no pináculo da pirâmide social determine serem úteis remover da sociedade ou passíveis de ser castigados pela sua não-conformidade às regras estabelecidas.

Os certificados nada têm que ver com a saúde pública e muito menos com a saúde de cada um de nós. Trata-se tão somente de um passo muito relevante para a institucionalização da segregação social e a demonização de grupos de pessoas. Quem manda e promove este tipo de cultura vê o mundo de forma maniqueísta, separando pessoas sujas das limpas, irresponsáveis das responsáveis, maus cidadãos dos bons cidadãos.

A Covid19 tem, no entanto, uma grande virtude que é a de expor o autoritarismo e sentimento de vingança repreendida que estavam latentes e escondidos em tanta gente.

Todavia, acusar sem qualquer base científica uma minoria de pessoas de colocar em perigo a restante população e de serem assassinos em potência é aceitar o alibi da tirania permitindo a que quem está no poder controle o comportamento das pessoas, ao mesmo tempo que distribui um bálsamo ilusório de boa consciência à maioria colaboracionista com a infâmia dos certificados sanitários.

É lógica da barbárie manter um bode-expiatório para que os bárbaros que nos governam evitem no futuro ter de se confrontar com a sua consciência e os remorsos de um sentimento de culpa interior que os desassosseguem a prazo.

A patifaria de considerar o que já é uma doença endémica uma “pandemia de não-vacinados”, tal como fazem alguns comentadores televisivos, além de uma desonestidade intelectual primária e uma ignóbil acusação é uma antecâmara para a criação de castas na população.

Mas revela também que os políticos e as classes dirigentes estão aflitos e receosos de que o actual ainda pequeno grupo de gente que mantém espírito crítico sobre a vertigem maníaca dos governos em criarem estados bio-securitários e os ainda escassos grupos de portugueses que mantêm a sua tenacidade na defesa da liberdade venha a tornar cada vez mais evidente a covardia pandémica e expor os atentados e crimes que têm vindo a ser cometidos desde Março de 2020.

Embora as notícias não passem nas televisões portuguesas nem nos jornais nacionais, são já muitas centenas de milhar de pessoas que por essa Europa fora vêm todos os dias para a rua em defesa da sua dignidade enquanto seres humanos, manifestando repúdio pelas restrições imorais às suas liberdades.

A condição humana nem sempre é bonita e a preservação da liberdade individual por vezes exige dizer coisas pouco simpáticas para que possamos assistir a uma regeneração e voltemos gradualmente a uma sã convivência.

Se a verdade deixa algum leitor incomodado, então culpe a mentira que o deixa confortável.

– Certificado da nossa decadência, texto publicado originalmente na coluna semanal da Oficina da Liberdade no jornal Observador.